Reino Unido fará investigação longa sobre oferta da Fox pela Sky

Governo britânico afirmou que a operação pode dar ao magnata Rupert Murdoch um poder excessivo

Londres – O Reino Unido pretende sujeitar a oferta de Rupert Murdoch pelo grupo de televisão por assinatura europeu Sky a uma investigação demorada e minuciosa depois de ter descoberto que o negócio de 14,8 bilhões de dólares cria o risco de dar ao magnata de mídia um poder excessivo sobre a pauta do noticiário.

A secretária britânica de Mídia, Karen Bradley, disse estar convencida de que a oferta da Twenty-First Century Fox poderia dar à família Murdoch influência demais sobre a mídia depois que a agência reguladora Ofcom avaliou o impacto do negócio.

“A entidade proposta teria o terceiro maior alcance total de qualquer provedor de notícias – só menor do que da BBC e da ITN – e iria, de forma única, abarcar a cobertura de notícias na televisão, no rádio, em jornais e online”, argumentou Bradley.

Murdoch, de 86 anos, e sua família cobiçam há tempos o controle total da Sky, apesar dos danos causados por umatentativa anterior de 2011, quando seu negócio de jornais britânico foi envolvido em um escândalo de grampos telefônicos que os forçou a desistir da compra.

Um inquérito público sobre o caso revelou laços profundos entre Murdoch e o establishment político, o que tornou a nova oferta potencialmente tóxica para o governo da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, que luta pela sobrevivência desde que perdeu sua maioria parlamentar.

Bradley pediu à agência reguladora para examine se a Fox teria controle demais sobre a mídia e se estaria empenhada em respeitar os padrões de transmissão se fosse autorizada a comprar a empresa de satélites que transmite no Reino Unido, na Irlanda, Alemanha, Áustria e Itália.

A Fox se disse decepcionada com a rejeição governamental de seus planos de manter a independência editorial da Sky News, e disse que uma investigação completa poderia adiar a finalização do acordo para junho próximo.

“Vamos continuar a trabalhar construtivamente com as autoridades britânicas”, disse o canal.

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