Grupo Lavoro Agro: empresa teve recuperação extrajudicial de dívidas de R$ 2,55 bilhões em 2025 (Divulgação/Divulgação)
Repórter de Negócios
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 06h10.
O número de empresas que recorreram à recuperação extrajudicial bateu novo recorde em 2025.
No total, foram 68 casos mapeados no ano, de acordo com dados do OBRE, o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial. O número supera os 62 pedidos registrados em 2024 e marca a maior alta desde a reforma da Lei nº 11.101, que regula falências e recuperações de empresas.
Criado em 2022, o OBRE tem monitorado a evolução da ferramenta no Brasil. A alta nos casos reflete o uso cada vez mais recorrente da recuperação extrajudicial como um mecanismo de reorganização financeira – com menos custo e mais agilidade do que a recuperação judicial tradicional.
Na recuperação extrajudicial, empresas podem renegociar suas dívidas diretamente com credores, fora do âmbito judicial. Desde a reforma de 2020, o mecanismo se tornou mais acessível, abrangendo dívidas bancárias, débitos com fornecedores, obrigações trabalhistas e benefícios fiscais federais.
Apesar do aumento nos casos, o valor das dívidas renegociadas caiu de forma expressiva: foram R$ 15,6 bilhões em 2025, contra R$ 39,7 bilhões em 2024. Para especialistas, isso mostra uma mudança de comportamento nas empresas.
“Há uma antecipação no uso da recuperação extrajudicial. As companhias estão recorrendo ao instrumento antes que o passivo cresça demais”, afirma Juliana Biolchi, diretora do OBRE.
A perspectiva é de que o uso da ferramenta continue ganhando espaço nos próximos anos, principalmente entre empresas de grande porte com capital social mais enxuto. De 2021 a 2025, o OBRE registrou 210 pedidos de homologação no país.
Os setores de comércio e serviços foram os que mais utilizaram a recuperação extrajudicial em 2025, com 31,16% dos casos cada. Na sequência, aparecem a indústria (13,49%) e agropecuária e pesca (13,02%).
Holdings responderam por 9,30% dos pedidos, e o setor de construção civil, por 1,86%.
A presença maior do comércio e dos serviços indica uma pulverização maior no uso da ferramenta, historicamente mais comum entre indústrias. Ao mesmo tempo, mostra a pressão crescente que negócios de consumo e serviços têm enfrentado no ambiente de juros altos, crédito restrito e inadimplência elevada.
Outro dado observado foi a queda na relação entre dívida e capital social.
Em 2024, o capital social das empresas que recorreram ao instrumento somava 22,7 bilhões de reais. Em 2025, esse número caiu para 13,1 bilhões de reais.
“Quando relacionamos o valor investido pelos sócios com o endividamento, vemos que há menos dívida por real investido em 2025 do que em 2024”, afirma Biolchi. Para ela, esse movimento reforça a leitura de que as empresas estão buscando uma reorganização mais precoce.
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