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Recuperações extrajudiciais somam R$ 15,6 bilhões em 2025; veja lista de empresas

No total, foram 68 casos mapeados no ano, quatro a mais do que em 2024

Grupo Lavoro Agro: empresa teve recuperação extrajudicial de dívidas de R$ 2,55 bilhões em 2025 (Divulgação/Divulgação)

Grupo Lavoro Agro: empresa teve recuperação extrajudicial de dívidas de R$ 2,55 bilhões em 2025 (Divulgação/Divulgação)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 06h10.

O número de empresas que recorreram à recuperação extrajudicial bateu novo recorde em 2025.

No total, foram 68 casos mapeados no ano, de acordo com dados do OBRE, o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial. O número supera os 62 pedidos registrados em 2024 e marca a maior alta desde a reforma da Lei nº 11.101, que regula falências e recuperações de empresas.

Criado em 2022, o OBRE tem monitorado a evolução da ferramenta no Brasil. A alta nos casos reflete o uso cada vez mais recorrente da recuperação extrajudicial como um mecanismo de reorganização financeira – com menos custo e mais agilidade do que a recuperação judicial tradicional.

Na recuperação extrajudicial, empresas podem renegociar suas dívidas diretamente com credores, fora do âmbito judicial. Desde a reforma de 2020, o mecanismo se tornou mais acessível, abrangendo dívidas bancárias, débitos com fornecedores, obrigações trabalhistas e benefícios fiscais federais.

Apesar do aumento nos casos, o valor das dívidas renegociadas caiu de forma expressiva: foram R$ 15,6 bilhões em 2025, contra R$ 39,7 bilhões em 2024. Para especialistas, isso mostra uma mudança de comportamento nas empresas.

“Há uma antecipação no uso da recuperação extrajudicial. As companhias estão recorrendo ao instrumento antes que o passivo cresça demais”, afirma Juliana Biolchi, diretora do OBRE.

A perspectiva é de que o uso da ferramenta continue ganhando espaço nos próximos anos, principalmente entre empresas de grande porte com capital social mais enxuto. De 2021 a 2025, o OBRE registrou 210 pedidos de homologação no país.

Comércio e serviços lideram pedidos

Os setores de comércio e serviços foram os que mais utilizaram a recuperação extrajudicial em 2025, com 31,16% dos casos cada. Na sequência, aparecem a indústria (13,49%) e agropecuária e pesca (13,02%).

Holdings responderam por 9,30% dos pedidos, e o setor de construção civil, por 1,86%.

A presença maior do comércio e dos serviços indica uma pulverização maior no uso da ferramenta, historicamente mais comum entre indústrias. Ao mesmo tempo, mostra a pressão crescente que negócios de consumo e serviços têm enfrentado no ambiente de juros altos, crédito restrito e inadimplência elevada.

Menos dívida por real investido

Outro dado observado foi a queda na relação entre dívida e capital social.

Em 2024, o capital social das empresas que recorreram ao instrumento somava 22,7 bilhões de reais. Em 2025, esse número caiu para 13,1 bilhões de reais.

“Quando relacionamos o valor investido pelos sócios com o endividamento, vemos que há menos dívida por real investido em 2025 do que em 2024”, afirma Biolchi. Para ela, esse movimento reforça a leitura de que as empresas estão buscando uma reorganização mais precoce.

Veja a lista com as principais recuperações extrajudiciais de 2025

  • Grupo Rio Alto: R$ 2,95 bilhões
  • Grupo Lavoro Agro: R$ 2,55 bilhões
  • Araguaia Níquel Metais: R$ 2,45 bilhões
  • Belagrícola Paraná: R$ 2,2 bilhões
  • Grupo Two Square: R$ 788,4 milhões
  • Grupo Rech: R$ 673,7 milhões
  • Grupo St. Marche: R$ 528,4 milhões
  • Amaro: R$ 410,2 milhões
  • Waterford: R$ 220,6 milhões
  • Grupo Stemac: R$ 201,5 milhões

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