“Queremos ser o maior grupo de moda do Brasil”, diz presidente da Arezzo

A companhia mostra resiliência nos resultados da pandemia, mas terá como desafio superar concorrentes de peso e um mercado altamente pulverizado

De uma marca de calçados premium para um conglomerado de diversas empresas, a Arezzo prepara ofensiva para se tornar a grande referência do mercado de moda no Brasil. Além da aquisição de novas marcas, o grupo está investindo no e-commerce para consolidar sua posição no país.

"Queremos ser o maior grupo de moda do Brasil", afirmou Alexandre Birman, presidente da Arezzo, em teleconferência com analistas nesta sexta-feira, 13.

No dia 23 de outubro, o grupo marcou sua entrada no setor de vestuário com a compra da carioca Reserva, avaliada em 715 milhões de reais. A marca tem 78 lojas próprias e 32 franquias, além de possuir uma carteira com 1.500 clientes multimarcas.

Ainda em janeiro deste ano, a Arezzo passou a distribuir com exclusividade os produtos da marca Vans, conhecida pelos tênis usados por públicos diversos, principalmente skatistas.

Em entrevista recente à EXAME, Birman afirmou que há espaço para mais. “Buscamos sim a consolidação de outras categorias e marcas para complementar o portfólio."

O plano de se consolidar como o maior grupo de moda do Brasil ocorre em um setor ainda bastante pulverizado, com grandes empresas atuando majoritariamente em apenas um segmento.

Segundo levantamento da Euromonitor, feito a pedido da EXAME, o setor de moda (incluindo vestuário e calçados) faturou cerca de 140,9 bilhões de reais no ano passado. A Arezzo tinha 1% de participação no período, quando o grupo ainda não atuava nos dois segmentos. A Nike liderou o mercado com 3,9% de share, seguida da Adidas (3,7%), Hering (1,7%) e Vulcabrás Azaléia (1,4%). O grupo Restoque, com ações listadas na B3, vem em 12º lugar, com 0,6% de participação.

 (EXAME Research/Exame)

Os números mostram que a tarefa da Arezzo não será fácil. A companhia vinha executando um plano de expansão, mas encontrou pelo caminho a pandemia, que a obrigou a fechar temporariamente as lojas físicas, inclusive em sua operação nos Estados Unidos, e tentar sobreviver pelo e-commerce.

A estratégia parece ter dado certo. No acumulado até setembro, o faturamento do e-commerce superou em 70% a venda de todo o ano de 2019, alcançando 364 milhões de reais.

Os analistas Victor Saragiotto e Pedro Pinto, do Credit Suisse, escreveram em relatório que "a pandemia de covid-19 atingiu o segmento de moda, mas encontrou a Arezzo relativamente melhor preparada para navegar em águas turbulentas".

O relatório mostra uma expectativa positiva para a Arezzo, principalmente diante de um "crescimento orgânico" e também "por fusões e aquisições".

Birman ressaltou que o marketplace ZZ Mall, que irá centralizar todas as marcas do grupo em um mesmo lugar, deverá ser um passo importante para a estratégia de crescimento no ambiente digital. "Vamos consolidar as iniciativas de transformação digital."

Birman acrescentou que o grupo deve encerrar o ano com mais 30 lojas, totalizando 767 — sem a base do grupo Reserva. A Arezzo afirma ainda que, na pandemia, o mercado brasileiro apresentou o melhor desempenho do negócio Vans no mundo.

"Temos registrado resultados muito positivos no início do quarto trimestre e temos 45 dias para encerrar o ano."

Balanço

No terceiro trimestre, a Arezzo registrou receita líquida de 416 milhões de reais, queda de 5,5% na comparação anual. No acumulado do ano, houve queda de 20,1%, para 967 milhões de reais.

A companhia teve lucro líquido de 27,9 milhões de reais no terceiro trimestre, recuo de 21,3% na comparação anual. No acumulado até setembro, a Arezzo amargou prejuízo de 3,2 milhões de reais, ante lucro líquido de 94 milhões em 2019.

O resultado teve forte impacto do fechamento temporário das lojas físicas durante a pandemia.

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