Experiência ao nascer e pôr do sol criam novas fontes de renda para a empresa e possibilitam a volta de visitantes para novas experiências
Freelancer em Negócios
Publicado em 17 de maio de 2026 às 08h00.
Última atualização em 17 de maio de 2026 às 16h27.
A partir da experiência centenária do Parque Bondinho Pão de Açúcar, nasce o Grupo Iter, em 2022, que passa a assumir a administração do Parque Caracol e Tainhas, na Serra Gaúcha, e da operadora de turismo C2Rio.
Para os próximos cinco anos, o grupo projeta um investimento de R$ 300 milhões em suas marcas, com foco na revitalização e criação de novos atrativos para o Parque Caracol, em Canela (RS).“No Brasil, são cinco países dentro de um grande país. Nosso objetivo é levar experiências respeitando a cultura e a identidade local”, diz Sandro Fernandes, CEO do Grupo Iter.
No Parque Caracol, por exemplo, foram R$ 80 milhões investidos desde 2022, o que levou o número de visitantes de 200 mil para 500 mil. “A meta é chegar a 1 milhão de visitantes. Queremos ser a âncora de turismo na serra gaúcha”, afirma.
Em 2025, o Grupo Iter faturou R$ 370 milhões, crescimento de 33% em relação ao ano anterior. Com os novos investimentos, a projeção é atingir R$ 1 bilhão até 2030.
Em 2022, o Grupo Iter assumiu a concessão do Parque Caracol.
“O local é um atrativo icônico em sua essência, mas estava totalmente subutilizado”, diz Fernandes.
Entre as intervenções feitas, está a ampliação do deck da Cascata do Caracol, que contava com 40 m², que recebeu um investimento de R$ 40 milhões. Agora, a estrutura chega a mais de 1.180 m², com um projeto que inclui piso de vidro em uma das áreas, permitindo ao visitante observar o vale sob os pés.
Grupo Iter já investiu R$ 80 milhões no Parque do Caracol, em Canela (RS) (Divulgação)
Em janeiro de 2026, foi inaugurada ainda a atração “Corajoso” – uma plataforma suspensa de mais de 170 metros de altura, que permite que o visitante caminhe no ar. Também este ano deve ser inaugurada uma tirolesa em curva motorizada.
As novidades vem com o objetivo de criar experiências — o que segundo po CEO é um dos principais motivadores dos turistas. “Não queremos ser só um ponto em que a pessoa vai, tira uma foto e acabou. Queremos eternizar a experiência”, diz.
Plataforma suspensa une contemplação e experiência radical
O parque ganhará ainda um novo restaurante, que vai operar no mirante: o 20Barra9, especializado em carnes feita na brasa, vai assumir a gastronomia do local nesta temporada de inverno.
O CEO ainda destaca a receptividade local e diz que o grupo buscou preservar a identidade na operação do parque. “Levamos a experiência de como operar parques, mas a cultura gaúcha é única no Brasil”, diz.
“Quando ele está no sunset e tem uma instalação da Corona servindo a cerveja na temperatura correta, são pequenos detalhes que fazem diferença. Buscamos marcas que complementem a experiência para o visitante”, diz Fernandes.
Além disso, o Grupo Iter aposta na instalação de uma tirolesa no Pão de Açúcar. O projeto está paralisado devido a decisões judiciais, mas o CEO acredita que a obra deve ser aprovada novamente, já que passou por duas chancelas nos últimos anos.
“Foram mais de dois anos e meio de estudos, e todos os órgãos responsáveis aprovaram os nossos projetos”, diz. “Nós tivemos que renovar todas as licenças, foram seis meses de renovação, e todos os órgãos municipais e federais aprovaram novamente os nossos projetos.”
Os projetos priorizam o uso de madeiras certificadas, minimizam intervenções geológicas e evitam impacto visual excessivo na paisagem natural. “Na prática, ela funciona mais como um teleférico individual do que como uma tirolesa tradicional. É um equipamento de altíssimo nível de sofisticação e segurança, sem vibração e sem ruído”, afirmaq.
Segundo Fernandes, a inauguração do Bondinho, em 1912, ajudou a colocar o Rio de Janeiro na rota do turismo internacional. O executivo afirma que o atrativo já teve outros momentos de transformação ao longo da história, como a modernização das cabines em 1972, e avalia que a futura tirolesa pode representar um novo marco para o parque. “É uma experiência que naturalmente desperta vontade de registrar e mostrar.”
O Grupo Iter adquiriu em 2022 um casarão histórico e um palacete localizado no bairro do Cosme Velho, no Rio de Janeiro. Para a revitalização dos prédios históricos e desenvolvimento de um novo projeto turístico, o Grupo Iter tem um investimento previsto de R$ 50 milhões.
A proposta é transformar o conjunto histórico em um espaço reunindo instalações que vão celebrar o estilo de vida do carioca, do Rio Antigo até os dias atuais. “O objetivo é fazer com que o turista viva a cidade em sua plenitude, conhecendo a história da Cidade Maravilhosa”, diz.
O conjunto tem inauguração prevista para setembro de 2027 e funcionará como uma “atração satélite” do Parque Bondinho Pão de Açúcar, complementando a experiência tradicional da cidade com um espaço voltado à cultura carioca, reunindo referências como samba, futebol, praia e natureza. De acordo com o executivo, o projeto busca ampliar o tempo de permanência dos turistas na cidade, movimentando demais empreendimentos da região.
Fernandes afirma que os investimentos do grupo têm impacto direto na geração de empregos e no desenvolvimento econômico das regiões onde atua. Segundo ele, o número de colaboradores do grupo passou de cerca de 170 para mais de 500 desde a ampliação das operações.
No Parque do Caracol, as novas atrações também impulsionaram contratações. De acordo com o executivo, a futura tirolesa no Rio de Janeiro deve gerar mais de 60 empregos diretos, enquanto a de Canela terá outros 23 postos de trabalho. Para ele, projetos ligados ao turismo têm capacidade de gerar movimentação econômica rápida, beneficiando também hotéis, restaurantes e outros setores da cadeia turística.
Fernandes afirma ainda que o grupo segue mapeando novos destinos no Brasil, com foco em ativos icônicos capazes de se transformar em âncoras turísticas regionais. “Estamos ativamente procurando em todo o país”, diz.