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'Quando supermercado vender remédio, o preço vai cair muito', diz presidente do Grupo Asun

Rede gaúcha de supermercados prepara operação em lojas maiores e vê potencial em medicamentos sem prescrição

Antonio Ortiz, presidente do Grupo Asun: "Quando o supermercado entra em uma categoria, ele puxa o preço para baixo” (Grupo Asun/Divulgação)

Antonio Ortiz, presidente do Grupo Asun: "Quando o supermercado entra em uma categoria, ele puxa o preço para baixo” (Grupo Asun/Divulgação)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 26 de março de 2026 às 13h03.

Última atualização em 26 de março de 2026 às 13h08.

A venda de remédios em supermercados deixou de ser discussão e virou realidade. Com a sanção da nova lei que autoriza farmácias dentro desses estabelecimentos, o varejo alimentar ganha uma nova frente de disputa e vai movimentar um mercado bilionário até então dominado por redes especializadas.

No Rio Grande do Sul, o Grupo Asun já decidiu entrar nesse jogo. A rede, que fatura mais de 1,5 bilhão de reais por ano, planeja vender medicamentos sem prescrição em algumas de suas lojas maiores.

Para Antonio Ortiz, presidente da companhia, o impacto vai além da conveniência para o consumidor.

“Quando supermercado vender remédio, os preços vão cair muito”, afirma.

O plano do Asun é começar de forma gradual. A empresa quer testar a operação em unidades maiores, criando um espaço dedicado dentro da loja, como exige a legislação. A ideia é focar inicialmente em medicamentos isentos de prescrição, como analgésicos e antiácidos, que têm alta demanda e menor complexidade operacional.

A escolha não é trivial. Ao priorizar produtos de alto giro e menor regulação, a rede reduz o risco de operação e acelera o aprendizado em uma categoria que ainda é nova para o varejo alimentar. Ao mesmo tempo, cria uma ponte direta com o consumo cotidiano — o mesmo cliente que compra alimentos pode resolver uma necessidade básica de saúde no mesmo espaço.

A entrada na categoria também segue a lógica que vem guiando o crescimento do Asun nos últimos anos. A companhia tem investido em verticalização e redução de intermediários para ganhar competitividade. Criou centros de distribuição próprios, passou a comprar diretamente de produtores e ampliou a importação de produtos como vinhos e azeites para melhorar margens.

Levar essa lógica para medicamentos é um movimento natural.

“O supermercado briga muito por preço. Quando entra em uma categoria, ele puxa o preço para baixo”, afirma Ortiz.

Esse posicionamento ajuda a explicar por que Ortiz vê a nova legislação como uma oportunidade. Para ele, a venda de medicamentos não só amplia o portfólio, como também reforça a percepção de preço competitivo.

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Ao mesmo tempo, o movimento não vem sem desafios. A nova lei estabelece regras claras para a operação. Os medicamentos não poderão ser vendidos em gôndolas comuns e precisarão ficar em um espaço separado, com controle de temperatura, rastreabilidade e presença obrigatória de um farmacêutico durante todo o funcionamento.

Ortiz não vê isso como um obstáculo relevante. O executivo afirma que o supermercado já opera com diferentes exigências técnicas, como nutricionistas e veterinários responsáveis, e que a farmácia deve ser incorporada como mais uma camada dentro da operação.

A expectativa é que a implementação aconteça entre o fim de 2026 e o início de 2027, começando pelas lojas com maior espaço e fluxo.

Mais do que abrir uma nova linha de receita, o movimento sinaliza uma mudança maior no papel do supermercado. Nos últimos anos, o setor tem ampliado sua atuação para além da venda de alimentos, incorporando serviços e novas categorias para aumentar o ticket médio e a frequência de visitas.

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