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Qual o futuro da Troller, emblemática marca cearense de jipes da Ford

Conforme apurou a reportagem da EXAME, o grupo americano já teria tratativas em curso para a venda da montadora de veículos foras-de-estrada do Ceará

Troller: história no estado do Ceará (Divulgação/Divulgação)

Troller: história no estado do Ceará (Divulgação/Divulgação)

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Juliana Estigarribia

Publicado em 14 de janeiro de 2021 às 16h29.

Última atualização em 19 de janeiro de 2021 às 09h53.

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Além de todos os problemas inerentes à decisão da Ford de encerrar sua produção local, sobram incertezas acerca do futuro da Troller, emblemática marca de jipes fora-de-estrada cearense, comprada pelo grupo americano em 2007.

A Troller nasceu no Ceará em meados de 1994, ainda como uma espécie de projeto-piloto. Os primeiros jipes foram vendidos para pilotos de provas de rally: o laboratório era em condições reais. Em 1997, a montadora foi oficialmente fundada, com uma linha de produção dedicada.

No ano 2000, a marca ganhou forte projeção ao participar do Rally dos Sertões e estrear no Paris-Dakar. Alguns anos depois, a Ford acabou adquirindo a marca, que tem produção no município cearense de Horizonte.

Segundo apurou a reportagem da EXAME com pessoas próximas à Ford, o encerramento das atividades da fábrica da Troller só se dará no final do ano para que a montadora americana tenha tempo hábil para negociar os termos de uma possível venda, que já estaria sendo costurada.

A linha de produção da montadora cearense ainda deve passar, neste ano, por um processo de atualização, reforçando que a fábrica já pode ter um destino traçado nas mãos de outro controlador.

"A Troller ainda é rentável para a Ford e sua linha só será descontinuada no final do ano, o que confere tempo para que o possível comprador acerte os termos da venda", diz uma pessoa próxima à Ford. Procurada, a empresa não respondeu a questionamento até o momento.

Em 2020, a Ford vendeu 1.301 unidades do modelo T4, com preço sugerido a partir de 173.200 reais cada: faturamento significativo para uma operação fabril que, segundo apurou a EXAME, ainda tem baixo custo em comparação às concorrentes, além de incentivos fiscais estaduais.

Para Milad Kalume Neto, da consultoria automotiva Jato Dynamics, a marca brasileira foi vendida uma vez e tem boas chances de ser negociada novamente. "A Troller é uma marca de nicho, mas com bons volumes de vendas."

Em um país cuja geografia é favorável para a venda de veículos fora-de-estrada, a Troller conquistou um público cativo. Os modelos da marca têm uma reputação positiva e, segundo analistas ouvidos pela EXAME, não seria difícil para a Ford encontrar um comprador.

O maior desafio, porém, seria inserir a fábrica no novo contexto da indústria automotiva global, em que o veículo elétrico, autônomo e altamente conectado já é uma realidade. Esse teria sido, inclusive, um fator importante na decisão da Ford de abandonar a produção em território brasileiro.

"Principalmente o desenvolvimento de baterias para um SUV 'raiz' como os modelos da Troller pode ser um grande desafio para o possível comprador", avalia Kalume Neto.

Enquanto isso, o clima é de angústia entre os funcionários da unidade, que somam cerca de 460. Segundo a Ford, a fábrica de Horizonte funcionará até o final do quarto trimestre. O governo do Ceará está se movimentando para buscar investidores para a empresa. Ainda que se trate de uma operação possivelmente rentável, não sobra quase nenhuma certeza sobre o seu futuro.

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