A página inicial está de cara nova Experimentar close button

Em meio à pressão de reguladores, Alibaba divulga resultados nesta terça

No trimestre passado a receita suportou as estimativas de Wall Street, com a divisão de comércio eletrônico se beneficiando pela pandemia

Esta reportagem faz parte da newsletter EXAME Desperta. Assine gratuitamente e receba todas as manhãs um resumo dos assuntos que serão notícia

O gigante do comércio eletrônico chinês Alibaba divulga os resultados financeiros referentes ao segundo trimestre de 2021 nesta terça-feira, 3, a partir das 7h30 da manhã na costa leste dos Estados Unidos (8h30 no horário de Brasília).

No trimestre passado a receita suportou as estimativas de Wall Street, com a divisão de comércio eletrônico se beneficiando de uma migração para compras online desencadeada pela pandemia do coronavírus.

E-book: analistas do BTG explicam como ler o balanço de uma empresa

A receita total do Alibaba aumentou 37%, para 221,1 bilhões de iuanes (34,24 bilhões de dólares) no trimestre encerrado em 31 de dezembro, acima das estimativas dos analistas de 214,38 bilhões de iuanes, segundo dados IBES da Refinitiv.

Os resultados aparecem no momento em que a China reprime o império de negócios do fundador da empresa, Jack Ma, tendo forçado a suspensão de um IPO de 37 bilhões de dólares da subsidiária financeira do grupo, a Ant Group. O Alibaba disse que "não foi capaz de concluir uma avaliação justa" do impacto que o IPO interrompido da Ant terá sobre a empresa.

As autoridades suspenderam a oferta planejada depois que Ma fez comentários públicos criticando os reguladores financeiros da empresa em novembro. No mês seguinte, os reguladores começaram a investigar o Alibaba sobre supostas práticas monopolistas.

Apesar dos bons resultados, há ainda muitos desafios pela frente na companhia. A pressão dos reguladores chineses sobre o Alibaba continua elevada. Nesta sexta-feira, dia 30, as autoridades chinesas convocaram várias empresas de tecnologia - incluindo as gigantes Alibaba, Tencent e Didi - a "realizar exames aprofundados" sobre os obstáculos à concorrência, segurança dos dados pessoais e o respeito pelos direitos dos usuários.

Elas devem "levar isso a sério" e adotar medidas, alertou o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT), órgão à frente da campanha disciplinar contra as big techs chinesas.

Há meses as autoridades se mostram intransigentes com essas questões e diversos pesos-pesados do setor enfrentam problemas por práticas até então toleradas e generalizadas.

Além da Alibaba, Tencent e ByteDance (empresa matriz do TikTok), o "Uber chinês", Didi, está entre as empresas convocadas.

A Didi já está sob investigação por coletar dados privados. O procedimento foi lançado depois que ele entrou em Wall Street, uma decisão que não agradou Pequim.

Em março, o regulador convocou grandes nomes da tecnologia para abordas questões da segurança online.

As empresas digitais chinesas há muito se beneficiam de uma legislação relativamente frouxa, especialmente quando se trata de dados. E a ausência de concorrentes estrangeiros permitiu o surgimento de gigantes locais.

O comércio eletrônico Alibaba foi o primeiro a sofrer retaliação e foi condenado a uma multa de 2,3 bilhões de euros (US$ 2,7 bilhões) por obstrução da concorrência.

Desde então, as autoridades estenderam sua campanha para endurecer as regulamentações para outros setores.

Em um contexto de rivalidade com Washington, a China também considera apertar as condições para que suas empresas sejam listadas no exterior. Para isso, devem primeiro ser irrepreensíveis em termos de cibersegurança, segundo uma série de diretrizes ainda incompletas.

Na sexta-feira, o Bureau Político, o órgão máximo do Partido Comunista, insistiu na necessidade de "melhorar a regulamentação", relatou a televisão pública CCTV.

A pressão sobre big techs como Alibaba não vem só da China. Em artigo publicado nesta semana, economistas do Banco de Compensações Internacionais (BIS), organização que coordena e auxilia bancos centrais, argumentaram que bancos centrais e reguladores financeiros precisam urgentemente lidar com a crescente influência das grandes empresas de tecnologia.

Entidades fiscalizadoras mundiais estão cada vez mais preocupadas de que a enorme quantidade de dados controlada por grupos como Facebook, Google, Amazon e Alibaba, possa permitir a essas empresas que reformulem as finanças rapidamente, contribuindo para desestabilizar sistemas bancários por completo.

No artigo do BIS, a organização apontou como exemplo a China, onde duas grandes empresas de tecnologia de pagamento agora respondem por 94% do mercado de pagamentos online.

Em muitas outras jurisdições, empresas de tecnologia também estão rapidamente ocupando território, com algumas inclusive emprestando dinheiro para pessoas físicas e pequenas empresas, além de oferecerem serviços de seguros e gestão de patrimônio.

"A entrada de gigantes de tecnologias em serviços financeiros dá origem a novos desafios em torno da concentração de poder de mercado e governança de dados", disse o estudo do BIS publicado nesta segunda-feira.

Há espaço para "regras específicas baseadas em entidades", notávelmente na União Europeia, China e Estados Unidos, acrescentou.

"Qualquer impacto sobre a integridade do sistema monetário decorrente do surgimento de plataformas dominantes deve ser uma preocupação fundamental para o banco central."

Stablecoins - criptomoedas atreladas às moedas existentes - e outras iniciativas de Big Techs podem ser "uma virada de jogo" para o sistema monetário, acrescentou o artigo, caso essa entrada leve a sistemas de circuito fechado reforçados por efeitos de rede de dados extraídos de mídias sociais ou plataformas de comércio eletrônico.

Isso poderia levar a uma fragmentação das infraestruturas de pagamento em detrimento do bem público. "Dado o potencial para mudanças rápidas, a ausência de plataformas dominantes atualmente não deve ser uma fonte de conforto para os bancos centrais", disse o artigo.

"Bancos centrais e reguladores financeiros devem investir com urgência no monitoramento e na compreensão desses desenvolvimentos", acrescentou. "Desta forma, eles podem estar preparados para agir rapidamente quando necessário."

Quais são as grandes tendências das empresas de tecnologia? Assine a EXAME

 

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 4,90/mês
  • R$ 14,90 a partir do segundo mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 129,90/ano
  • R$ 129,90 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 10,83 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Veja também