Porto Seguro tem lucro 72% maior, além de caixa e apetite para aquisições

Os prêmios emitidos caíram 4,9% no segundo trimestre para R$ 3,5 bilhões, mas, para Celso Damadi, diretor vice-presidente financeiro, o pior já passou

A expectativa para o resultado da seguradora Porto Seguro foi frustrada. E isso é uma boa notícia. A companhia registrou, mesmo em meio à pandemia, um lucro 72,4% maior no segundo trimestre, de 657 milhões de reais, graças ao aumento de 101% do resultado financeiro (para 488 milhões de reais) e à alta de 83,4% do resultado operacional (para 622 milhões de reais). "Foi até um pouco surpreendente para nós", afirma Celso Damadi, diretor vice-presidente financeiro, controladoria, investimentos e diretor de relações com investidores da Porto Seguro. No entanto, a receita total caiu 3,2% para 4,2 bilhões de reais no segundo trimestre.

Parte do resultado financeiro é reflexo da melhora da bolsa brasileira. É que, em março, a Porto Seguro praticamente dobrou a carteira de ações para quase 10%, já que o preço dos papéis estava abaixo do valor justo. Com a retomada do Ibovespa, a seguradora conseguiu compensar, no segundo trimestre, quase integralmente a perda de 100 milhões de reais no primeiro trimestre com a venda de algumas ações. Hoje, o portfólio é de algo entre 6,5% e 7%. "Os bancos têm potencial para puxar o Ibovespa para 115.000 a 120.000 pontos, se a inadimplência cair. Esses papéis ainda não contribuíram quanto poderiam para o índice", afirma Damadi.

Além do mercado de renda variável, a Porto Seguro teve uma entrada de receita com a venda de títulos NTN-B de longo prazo. Com isso, o caixa da companhia está mais robusto, à espreita de alguma oportunidade de compra — seja de títulos, seja de participação em companhias com negócios correlatos.

"Temos uma área de fusão e aquisição forte, e temos liquidez e ambição." Entre as possíveis áreas de interesse da seguradora, estão companhias relacionadas à área financeira (que, na Porto, vem crescendo com a carteira de crédito direto ao consumidor e de cartão de crédito), a serviços (como a operação do Carro Fácil — assinatura mensal na qual o cliente usa o carro com manutenção, seguro e documentação incluídos — que se tornou lucrativa neste ano, apesar de o break even estar programado para 2021)  e ao setor de saúde (seja em vidas ou odontologia).

Sobre o colchão contra calotes, chamado de provisionamento para devedores duvidosos (ou PDD), Damadi conta que a seguradora fez um aumento de 87,8% de olho na piora da carteira de CDC e de cartões, além da carteira de saúde, já que as pessoas que tinham procedimentos eletivos podem voltar a solicitar a partir do segundo semestre.

Índice combinado

O índice combinado (uma relação entre despesas e prêmios emitidos) alcançou 83,8% — quanto menor o percentual, melhor —, queda de 9,6 pontos percentuais. Esse resultado se deu não pelo aumento dos prêmios (que, aliás, caíram 4,9% no trimestre para 3,5 bilhões de reais) e, sim, pela queda das despesas, em parte pelo momento da pandemia do novo coronavírus. "Mas principalmente pelo aumento da produtividade. Nos últimos anos, investimos 2 bilhões de reais em tecnologia e automação, o que tem nos proporcionado bons resultados", afirma o executivo.

A sinistralidade também apresentou queda de 10,6 pontos percentuais para 40,9%. As explicações para esse resultado são a queda de sinistros — provocada pelo distanciamento social — e a renovação da carteira de clientes. "A pandemia trouxe menos vendas, mas renovações recordes. São clientes que eu já conheço o perfil, portanto consigo precificar melhor os riscos e a sinistralidade fica mais objetiva", diz. "Se não houver uma segunda onda da pandemia, devemos ter passado pelo pior momento de vendas não só na carteira de automóveis, até porque em junho já fechamos no azul, apesar de o trimestre ter ficado no negativo. Nossas perspectivas de prêmios para o segundo semestre são de crescimento."

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