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Plano de saúde já é um dos maiores custos da folha de pagamento de empresas

Inflação médica pressiona orçamentos corporativos e leva benefício para a mesa do CFO; menos de 5% das companhias gerenciam saúde de forma preditiva e estratégica

Plano de saúde: o segundo maior gasto na folha de pagamentos (Divulgação)

Plano de saúde: o segundo maior gasto na folha de pagamentos (Divulgação)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 30 de agosto de 2026 às 14h50.

Última atualização em 30 de agosto de 2026 às 16h28.

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O plano de saúde já está começando a disputar espaço com os salários entre as maiores despesas de pessoal do meio corporativo. Em determinados setores, a assistência médica já consome entre 15% e 20% do custo total da folha de pagamento, segundo levantamento interno da Wiz Benefícios, unidade da Wiz Co focada em saúde corporativa.

A escalada nos custos é alimentada por reajustes que podem atingir 25%, alterando a governança interna das companhias. A gestão do benefício, antes restrita ao departamento de Recursos Humanos, passou a entrar diretamente na pauta dos CFOs e dos times de planejamento financeiro.

O avanço das despesas ocorre em um momento de expansão de base na saúde suplementar brasileira. Em junho de 2026, o país registrou 53,1 milhões de beneficiários em planos de assistência médica e 36,7 milhões em contratos exclusivamente odontológicos.

Contratos empresariais ficam fora do teto da ANS

O contraste nas regras de reajuste explica por que a pressão é maior sobre os caixas corporativos. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu em 5,11% o teto máximo de reajuste para contratos individuais e familiares — o menor índice desde 2021, desconsiderando a variação negativa registrada no período da pandemia. A agência chegou a emitir nota oficial negando especulações sobre um reajuste extraordinário para essa modalidade.

Contudo, a proteção desse limite teto contempla apenas 7,7 milhões de beneficiários, o equivalente a 14,5% do total de usuários do sistema. Já para os contratos antigos (anteriores à Lei 9.656/1998), os índices autorizados atingiram até 5,52% para Medicina de Grupo e 6,2% para seguradoras como Bradesco, SulAmérica e Itauseg.

Os planos empresariais e coletivos, por outro lado, não possuem teto regulado pela agência reguladora e concentram 73% da saúde privada no Brasil, de acordo com o painel de contratantes da ANS com dados até dezembro de 2025.

No início de 2026, os contratos coletivos registraram reajuste médio de 9,9% — o menor em cinco anos, mas ainda acima da inflação —, com projeções do setor apontando aumentos acumulados entre 8% e 11% ao longo do ano.

Baixa adesão à gestão estratégica e preditiva

Apesar do forte impacto no balanço, o mercado apresenta baixa maturidade no combate ao desperdício. Os dados da Wiz indicam que menos de 5% das empresas brasileiras tratam a saúde dos funcionários como um ativo gerido via análise de dados, programas preventivos e acompanhamento constante de afastamentos e sinistralidade.

A falta de monitoramento faz com que as empresas deixem de capturar eficiências operacionais. A consultoria estima que programas de prevenção e modelos preditivos bem estruturados têm potencial para entregar um retorno financeiro entre 40% e 60% acima do valor investido em um horizonte de até 18 meses.

Atualmente, o uso dessa inteligência analítica está concentrado em poucas companhias: mais de 95% das corporações que adotam análise avançada de dados na gestão de saúde possuem mais de 5.000 funcionários.

Pressão regulatória e embates no Judiciário

O cenário de margens apertadas e custos assistenciais em alta vem acompanhado por um aumento da fiscalização e da judicialização no setor. Na avaliação do segundo trimestre de 2026, divulgada em agosto, a ANS classificou 221 operadoras médico-hospitalares e 209 odontológicas no critério de Excelência com base no volume de reclamações dos usuários.

Paralelamente, a agência adotou medidas cautelares diretas no mercado, incluindo a proibição temporária para que a operadora Hapvida rescinda ou reajuste contratos de 947 mil planos até a conclusão da análise do caso — decisão que gerou manifestações divergentes entre a operadora e o órgão regulador sobre a notificação oficial.

O ambiente de regulação em 2026 traz ainda a retomada do debate sobre cobranças de coparticipação — oito anos após a anulação da norma que permitia limites de até 40% — e a atuação do Judiciário sobre os chamados "planos falsos coletivos". Nestes casos, a Justiça tem determinado que contratos empresariais formados por poucos familiares sigam as regras e os índices de reajuste estipulados pela ANS para os planos individuais.

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