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Pioneiro no mercado de TI, ele criou plataforma para melhorar conexão entre startups e empresas

Gilmar Batistela, fundador do que já foi uma das principais empresas de software do país, agora lança a EVOX Global, plataforma de conexão entre grandes empresas e startups

Gilmar Batistela, fundador da EVOX Global (Evox Global/Divulgação)

Gilmar Batistela, fundador da EVOX Global (Evox Global/Divulgação)

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Maria Clara Dias

Publicado em 2 de dezembro de 2022, 09h00.

A história de Gilmar Batistela comprova que empreendedores com tino para a criação de negócios de sucesso dificilmente se satisfazem após o fim da jornada de um empreendimento — não sem tentar novamente a incursão em um novo negócio ou projeto.

Após vender a Resource, sua bem-sucedida empresa de software com um quadro de 3.000 funcionários em 2019, Batistela se lança agora em um novo desafio também dedicado ao universo da inovação e tecnologia. O executivo está lançando a EVOX Global, uma plataforma de inovação aberta para conexão entre grandes empresas e startups.

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Como funciona a plataforma

O propósito da EVOX Global é unir grandes corporações interessadas em estreitar laços com pequenas empresas de tecnologia para um salto inovativo em seus principais processos, uma proposta similar a de outras iniciativas e hubs de inovação. O diferencial, segundo Batistela, está num processo de curadoria autoral para certificar as startups envolvidas.

Na plataforma da EVOX Global participam apenas startups certificadas a partir de um processo de análise que considera pelo menos 67 pontos, definidos pelo corpo diretivo de executivos da própria EVOX.

A curadoria, nesse cenário, considera apenas empresas que provem ser capazes de atender às principais dores de grandes corporações, com modelos de negócios sólidos e com produtos já testados pelo mercado. Entre os principais critérios de análise estão:

  • Histórico dos fundadores, a fim de encontrar possíveis riscos societários;
  • Cibersegurança, com avaliação refinada dos riscos cibernéticos envolvendo sigilo de informações  e proteção de dados;
  • Saúde financeira do negócio;
  • Produto ou serviço principal; avaliando o que de fato a empresa faz que pode ajudar aquela empresa e suas dores de negócio.

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Os diferenciais da EVOX

Além da curadoria para certificação das startups, a EVOX quer se diferenciar dos hubs de inovação tradicionais ao assumir toda a responsabilidade contratual da relação entre as grandes empresas clientes e suas pequenas contratadas.

Segundo Batistela, o excesso de informações no mercado torna o processo de “garimpo” muito mais complicado para as empresas, que sofrem para encontrar startups com as quais realmente tenham algum alinhamento. “A ideia é encontrar empresas com soluções prontas para escalar, que querem crescer por meio dessa conexão com grandes corporações que já priorizam a inovação”, diz.

A plataforma deve cuidar de aspectos mais técnicos como logística comercial, faturamento e implementação da tecnologia. O foco, neste primeiro momento, está em grandes corporações do setor financeiro, varejo e indústria — setores com os quais Batistela já tem certa aproximação graças à Resource, no passado.

A proposta é que grandes empresas possam usar a plataforma livremente para encontrar essas startups, recorrendo a consultores da EVOX no caso de dúvidas mais pontuais.

Quem está no negócio

Atualmente, a Evox conta com 10 executivos, que auxiliam na conexão entre as companhias e na seleção das startups mais promissoras do mercado. No longo prazo, a intenção é ter ao menos um executivo com experiência em cada um dos setores atendidos.

A plataforma também já formou um Conselho Consultivo nos Estados Unidos, seu local de origem. O grupo é composto por nomes como Flavio Pripas (CSO da Digibee e um dos criadores do CUBO); Paulo Guzzo (Investor na Innova Capture e ex-CIO da Cielo) e Felipe Pontieri (Investidor da WOW e Diretor de Tecnologia da Dasa).

De onde veio a ideia

A percepção de Batistela de que havia uma carência por startups já habilitadas a operar com grandes empresas começou na própria Resource, numa busca por empresas capazes de trazer mais inovação à companhia de 3.000 funcionários. “Perguntava constantemente para os clientes como poderia me preparar para o futuro, e sempre diziam que soluções prontas que inovam e tragam alta performance”, diz.

Anos depois, a EVOX Global se tornou resultado dessa análise e de um investimento de R$15 milhões, boa parte fruto de valores restantes da própria aquisição da Resource e das iniciativas de inovação mantidas pela empresa no Vale do Silício que alocava algo como 10% dos funcionários em projetos rotativos de inovação — e que foram mantidos como spin-off após a compra.

Para o futuro, a intenção é tornar a EVOX, como bem sugere o nome, numa companhia global, e até mesmo possivelmente listada em bolsa. “A longo prazo, queremos ser a referência do mercado para àquelas empresas que pensam em inovar”, diz. “Faremos isso ao promover a interação saudável entre essas companhias e voltada a resultados comprovados”.

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