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Petrobras mira o agronegócio e investe US$ 1 bilhão em nova fábrica de fertilizante no MS

Com aposta em ureia, biocombustíveis e distribuição de diesel para o agro, estatal quer produzir 15% do fertilizante nitrogenado do país e ampliar atuação no campo em meio a pressões globais sobre insumos

Magda Chambriard, presidente da Petrobras: “Estamos contratando agora a UFN3 no Mato Grosso do Sul. Vai estar pronta em 2029, mas em meados de 2027 nós já vamos ter lá um bom parque de tancagem de ureia” (Leandro Fonseca /Exame)

Magda Chambriard, presidente da Petrobras: “Estamos contratando agora a UFN3 no Mato Grosso do Sul. Vai estar pronta em 2029, mas em meados de 2027 nós já vamos ter lá um bom parque de tancagem de ureia” (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 13 de abril de 2026 às 19h46.

Última atualização em 13 de abril de 2026 às 20h55.

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A Petrobras deu início a um novo ciclo de investimentos no agronegócio brasileiro — com os fertilizantes no centro da estratégia.

Em entrevista exclusiva à EXAME, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, revelou, em primeira mão, que a companhia acaba de contratar a construção da UFN3, uma nova fábrica de fertilizantes nitrogenados em Mato Grosso do Sul.

“Estamos contratando agora a UFN3 no Mato Grosso do Sul. Vai estar pronta em 2029, mas em meados de 2027 nós já vamos ter lá um bom parque de tancagem de ureia”, diz a presidente.

O projeto envolve um investimento de cerca de US$ 1 bilhão e deve ampliar significativamente a capacidade produtiva da estatal.

“Só essa fábrica vai ser capaz de fornecer 15% de todo o fertilizante nitrogenado que o Brasil precisa,” afirma.  

DCIM100MEDIADJI_0044.JPG (Petrobras/Divulgação)

Retomada após saída do setor

A aposta marca uma virada estratégica após anos fora deste mercado. A Petrobras decidiu sair do mercado de fertilizantes em 2016, intensificando o fechamento de unidades entre 2018 e 2020, sob a justificativa de prejuízos financeiros.

Nesse período:

  • as FAFENs da Bahia e de Sergipe foram desativadas em 2018
  • a unidade de Araucária (PR) foi paralisada em 2020

O movimento fazia parte de uma estratégia mais ampla de desinvestimentos e foco no petróleo.

A retomada começou em 2024, quando o governo oficializou a reativação da fábrica de Araucária (PR), sinalizando uma mudança de direção.

Reativação e ganho de escala

Hoje, a Petrobras já voltou a operar unidades estratégicas e ampliou sua produção.

A produção está concentrada em três polos:

  • Sergipe (Laranjeiras): cerca de 1.800 toneladas/dia de ureia
  • Bahia (Camaçari): cerca de 1.300 toneladas/dia
  • Paraná (Araucária): reativada em 2024

Fertilizante: ‘Bom para o Brasil, bom para nós’

Mais do que uma volta ao passado, o movimento reflete uma nova lógica de negócios.

Segundo Chambriard, o fertilizante passou a ser visto como uma forma de monetizar o gás natural produzido pela companhia.

“Vamos usar a cadeia de fertilizantes como uma âncora para ampliar nossa venda de gás. Bom para o Brasil, bom para nós.”

Antes, parte desse gás era reinjetada nos poços por falta de infraestrutura, o que gerava custo em vez de receita.

“Quando esse gás volta para a jazida ele, em vez de ser receita para mim, vira despesa.”

Ao direcionar esse insumo para a produção de fertilizantes, a Petrobras transforma um excedente em produto estratégico – produto que o país hoje é dependente de importação.

Agro, energia e geopolítica

A volta ao setor acontece em um momento em que os fertilizantes ganharam relevância global, impulsionados por crises energéticas e conflitos internacionais.

A guerra entre Ucrânia e Rússia, mostrou o impacto dessa dependência. O Brasil importa 85% dos fertilizantes que utiliza, e a Rússia responde por 23% dessas importações. Logo depois o conflito entre Estados Unidos e Irã reforçou a necessidade de investimento no setor de fertilizantes. O Oriente Médio é responsável por 30% dos fertilizantes comercializados no mundo, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Com o Estreito de Ormuz praticamente fechado, o frete fica mais caro e aumenta o custo de chegada dos insumos.

Ao investir em produção local, a Petrobras tenta reduzir essa dependência e se posicionar em duas agendas críticas: segurança energética e segurança alimentar.

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