Papel higiênico na Casas Bahia? Líder do mercado 'tissue', Softys abraça o varejão

Dona de 30% do mercado brasileiro de papeis para higiene e cuidados pessoais, marca da chilena CMPC quer vender mais produtos em canais alternativos
Pilha de papel higiênico da marca Elite numa loja da Casas Bahia: oferta em mais de 100 lojas da varejista na Grande São Paulo (Divulgação/Divulgação)
Pilha de papel higiênico da marca Elite numa loja da Casas Bahia: oferta em mais de 100 lojas da varejista na Grande São Paulo (Divulgação/Divulgação)
Leo Branco
Leo BrancoPublicado em 19/06/2022 às 10:41.

Nas últimas semanas, clientes das varejistas Casas Bahia e Magazine Luiza podem deparar-se com pilhas de papel higiênico e fraldas em corredores de lojas até então só dedicados a produtos da linha branca, como geladeiras e fogões.

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A ideia veio da liderança da Softys, fabricante de produtos de higiene dona das marcas Elite, Kitchen, Sublime, Babysec, Ladysoft e Cotidian.

Um braço da fabricante de celulose chilena CMPC, a Softys é dona de 30% do mercado brasileiro de 'tissue', jargão aos derivados de papel para cuidados pessoais.

O negócio da Softys no Brasil

É um negócio enorme — e praticamente nada afetado pela pandemia. Embora não abra números financeiros por país, a unidade Softys faturou 578 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2022, alta de 14% em 12 meses, de acordo com balanço da CMPC.

O Brasil responde a 40% da operação da Softys, também presente no Chile, México, Argentina, Peru, Uruguai, Colômbia e Equador.

A fatia da unidade brasileira da Softys cresceu nos últimos anos com a aquisição de concorrentes. Em 2019, a empresa comprou a paranaense Sepac por 1,9 bilhão de reais. Em novembro de 2021, foi a vez da Carta Fabril, do Rio de Janeiro, por 1,14 bilhão de reais.

A chegada da Softys ao Brasil, em 2009, também foi via aquisição: o alvo, na época, foi a Melhoramentos Papéis, de Caieiras, na Grande São Paulo.

A estratégia da empresa

Depois de ir às compras, a estratégia da unidade brasileira da Softys é a de alcançar o consumidor onde ele estiver — até mesmo no momento de comprar uma geladeira.

“Para atender melhor o nosso consumidor, nossa estratégia é oferecer nossas marcas onde ele está", diz Luis Delfim, CEO da Softys Brasil.

Hoje, o cliente pode comprar os produtos Softys num e-commerce próprio da marca no Brasil, além de marketplaces como o Mercado Livre, além de canais mais tradicionais para a categoria tissue como farmácias, supermercados, atacadistas e “atacarejos”.

"A parceria com varejistas do porte como Magazine Luiza vem para trazer ainda mais comodidade, alcançando mais o consumidor no momento da compra”, diz Delfim, no comando da operação brasileira desde 2018.

Antes, gerenciou a operação de produtos não-refrigerantes da Coca-Cola na Argentina e países vizinhos e, ainda, foi responsável pela abertura do comércio eletrônico da fabricante têxtil Marisol, de Santa Catarina.

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Luis Delfim, CEO da Softys no Brasil: de olho no consumidor aonde ele estiver (Divulgação/Divulgação)

A importância das vendas digitais

Com a parceria com a Magalu, a marca Babysec, líder em fralda infantil no Rio de Janeiro, está disponível desde janeiro em 30 lojas físicas na capital carioca.

"A varejista, há algum tempo, vem otimizando os pontos físicos, transformando-os em verdadeiros Centros de Distribuição, facilitando a chegada de produtos aos consumidores”, diz Delfim.

Na Grande São Paulo, o negócio foi firmado com a Via, dona da marca Casas Bahia. O papel higiênico Elite está disponível em mais de 100 pontos físicos na região metropolitana.

Há planos de expandir a linha de produtos e as regiões atendidas. "O online representou 5% das vendas em 2021 e, agora que estamos alinhando essa estratégia ao offline, com as vendas nas lojas, esperamos dobrar o faturamento do canal nos próximos 12 meses", diz Delfim.

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