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O plano de R$ 5,6 bilhões do maior delivery do mundo para o Brasil: 'Taxa zero é insustentável'

Em entrevista à EXAME, o CEO da Keeta afirmou que a operação vai começar no interior de São Paulo em outubro, com a meta de atingir 1.000 cidades até o final de 2026

Tony Qiu, CEO da Keeta: "Teremos taxas, mas serão menores do que as praticadas hoje no mercado" (Keeta/Divulgação/Exame)

Tony Qiu, CEO da Keeta: "Teremos taxas, mas serão menores do que as praticadas hoje no mercado" (Keeta/Divulgação/Exame)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 22 de agosto de 2025 às 12h36.

Última atualização em 11 de novembro de 2025 às 13h59.

Em meio à acirrada “batalha dos apps”, poucas empresas despertam tanta expectativa ao desembarcar no Brasil quanto a Keeta, braço internacional da chinesa Meituan. Acostumada a conquistar a liderança em novos mercados em pouco tempo, a companhia é hoje o maior aplicativo de delivery do mundo. Só na China, processa 80 milhões de pedidos por dia.

A operação é liderada por Tony Qiu, ex-99 enviado ao Brasil com a missão de replicar a estratégia de sucesso da Keeta. Ele admite, no entanto, que o desafio por aqui é maior. "O mercado brasileiro é bem peculiar, é mais competitivo e concentrado", diz.

A aposta da Keeta, ainda assim, é ambiciosa e mira desbancar o iFood. A companhia vai investir R$ 5,6 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos. “Não faz sentido para nós entrar no Brasil e ficar com apenas 5% de market share, é muito pouco”, afirma o executivo.

Com uma estratégia acelerada digna de sua atuação na China, a empresa começa a operar em outubro no interior de São Paulo e, até o fim do ano, deve chegar à capital paulista.

A plataforma conta com 120.000 entregadores cadastrados e espera chegar a 1.000 cidades até o final de 2026. 

O iFood, líder de mercado, está presente em 1.500 cidades, 55 milhões de usuários e cerca de 120 milhões de pedidos por mês.

A fórmula Keeta de fazer delivery

Há muita expectativa sobre como a Keeta vai operar no Brasil. A 99Food, por exemplo, retomou sua operação no Brasil com taxa zero, cupons para clientes e pagamento de R$ 250 para entregadores. Tudo isso para engordar a base de restaurantes, clientes e entregadores.

"Taxa zero é insustentável no longo prazo. Teremos taxas, mas serão menores do que as praticadas hoje no mercado", garante Qiu.

A companhia promete preços competitivos e cupons de desconto, mas o grande diferencial está na eficiência para restaurantes e entregadores, o que gera mais receita.

Com tecnologia proprietária, a Keeta otimiza rotas, gerencia pedidos e ajuda os restaurantes a reduzir tempos de espera e aumentar o volume de entregas.

Para os entregadores, a plataforma garante maior previsibilidade de pedidos e uma renda estimada entre R$ 3.000 e R$ 5.000 mensais para quem trabalha 25 dias por mês.

"A produtividade dos entregadores pode saltar de três para oito entregas por hora", diz o executivo.

O executivo atribui grande parte do sucesso da Keeta à tecnologia proprietária da empresa.

Em Hong Kong, a plataforma alcançou a posição de número um em número de pedidos em apenas 12 meses de operação. Na Arábia Saudita, onde chegou no ano passado, a Keeta já lidera em número de downloads e cobre todas as principais cidades com mais de 1 milhão de habitantes.

Na China, a empresa conta com centros de convivência para entregadores e ajuda restaurantes a abrirem dark kitchen em pontos mais estratégicos. A ideia é replicar as medidas por aqui no médio prazo.

O executivo também anunciou que a empresa vai devolver ao consumidor uma taxa caso o pedido atrase — medida recentemente adotada pelo iFood em seu modelo de entregas rápidas.

Os primeiros meses no Brasil

A Keeta planeja entrar em 15 regiões metropolitanas até junho de 2026 e alcançar cerca de 1.000 cidades até o fim do mesmo ano, cobrindo praticamente todo o território nacional.

“Queremos estar em todo lugar onde houver demanda e criar uma experiência de delivery mais eficiente para restaurantes, clientes e entregadores”, afirma Qiu.

Para conquistar sua fatia do mercado de delivery, o aplicativo está contratando e já conta com 500 funcionários. A ideia é dobrar de tamanho até o fim do ano. 

A companhia também planeja abrir um centro de atendimento com quase 4.000 empregos indiretos no Nordeste para dar suporte a restaurantes, entregadores e clientes.

A briga pelo delivery

Nas últimas semanas, Keeta e 99Food se enfrentaram na Justiça. A subsidiária da Meituan alegou que a 99 estaria tentando barrar sua entrada no mercado por meio de contratos com restaurantes que impedem a associação à nova plataforma.

Em contrapartida, a 99Food processou a Keeta, acusando a rival de usar cores, gráficos e fontes semelhantes às suas para “catapultar sua atuação comercial” no Brasil.

A disputa ocorre em um mercado bilionário. O delivery no Brasil deve movimentar US$ 21 bilhões em 2025 e chegar a US$ 27 bilhões até 2029, segundo a Statista.

Para conquistar pedidos, as empresas têm investido bilhões. A 99Food investiu R$ 1 bilhão e o iFood anunciou aporte de R$ 17 bilhões para se manter na liderança.

Enquanto a Keeta ainda não estreou oficialmente e seus concorrentes se preparam para sua chegada, o CEO Tony Qiu segue fazendo pedidos pelo iFood. "Não temos opção no momento", diz.

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