O pior está por vir: com carros parados, Movida divulga bons resultados

As dificuldades para as locadoras devem aparecer somente no segundo trimestre, quando a redução de 80% na demanda deve chegar aos balanços

As empresas de aluguel de carros estão em alerta no mundo devido à crise causada pelo novo coronavírus. No Brasil, as restrições à mobilidade reduziram a demanda por aluguel de carros em 80%, e muitos motoristas de aplicativo devolverem os veículos alugados antes do previsto. É nesse contexto que a Movida, uma das três principais empresas do setor no país, divulga resultados nesta quarta-feira, 13, após o fechamento do mercado. Localiza divulga resultados no dia seguinte e Unidas, no dia 20 de maio. Os números do primeiro trimestre devem ser positivos, mas há questionamentos sobre o que virá depois.

Em relatório divulgado no final de abril, o banco BTG Pactual estima que o serviço de aluguel de carros será o mais afetado no setor, uma vez que atende principalmente contratos de curto prazo, como viagens de lazer ou negócios. Já o serviço de gestão de frotas deve ser menos afetado, pois se baseia em contratos de longo prazo. As vendas de seminovos devem ser impactadas devido ao fechamento de lojas. Apesar das más notícias, os analistas do BTG dizem que as empresas do setor “estão bem equipadas para navegar nesse cenário”.

A expectativa do banco é de que a Movida tenha maior exposição à crise da covid-19 do que a concorrente Unidas. A Movida é bastante dependente do aluguel de carros, que representou 30% de sua receita em 2019. A administração de frotas respondeu por 12%, e a venda de seminovos, por 58%. Por outro lado, o segmento de seminovos da Movida pode ser capaz de “manter um ritmo decente de vendas de carros usados durante a crise, favorecendo a geração de caixa no período”, diz o banco.

As dificuldades para as locadoras devem aparecer somente no segundo trimestre. Em relatório divulgado na semana passada, analistas do banco Bradesco BBI afirmam esperar que as três maiores empresas do setor reportem bons resultados para o primeiro trimestre, uma vez que a pandemia de covid-19 chegou com força apenas na segunda metade de março. Com isso, a expectativa é de crescimento de 27% no aluguel de carros e 13% na administração de frotas, em comparação com o ano anterior.

A expectativa do banco para a Movida é de crescimento de 20% no aluguel de carros e 15% para administração de frotas. O bom resultado deve ser reforçado por mudanças bem sucedidas no segmento de seminovos. A expectativa do banco é de receita de 1 bilhão de reais para o trimestre, alta de 23% na comparação com o ano anterior, e lucro líquido de 54 milhões, alta de 29%.

Para a Localiza, a expectativa também é de crescimento, com alta de 20% na receita do período, para 2,9 bilhões de reais. No entanto, a empresa deve apresentar gastos significativos com depreciação, da ordem de 200 milhões de reais. Com isso, o lucro deve ter alta de apenas 2% no trimestre, para 221 milhões de reais.

Já para a Unidas, a expectativa é crescimento de 15% na receita do trimestre, para 1,2 bilhão de reais, mas queda de 1% no lucro, para 81 milhões de reais. A empresa deve aproveitar “uma geração de caixa estável por conta de sua operação de gestão de frota”, segundo o banco, o que a ajuda a enfrentar o período de pandemia.

O cenário gera questionamentos sobre a liquidez dessas companhias para enfrentar a crise. Um sinal de alerta vem dos Estados Unidos. Lá, a gigante Hertz deve pedir recuperação judicial depois que a paralisação imposta pelo novo coronavírus afetou sua operação. A companhia tem uma dívida de 17 bilhões de dólares. Para as locadoras brasileiras, o pior ainda está por vir.

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