Elon Musk: bilionário é CEO do X (antigo Twitter), Tesla e da SpaceX (Andrew Harnik / Equipe/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 14h11.
Elon Musk não divide trabalho e vida pessoal. Para ele, tudo é operação. O CEO da Tesla, SpaceX, X, Neuralink, xAI e The Boring Company organiza sua rotina para caber em blocos de cinco minutos. Dorme seis horas por dia, pula refeições, evita finais de semana e centraliza decisões mesmo de madrugada.
Enquanto outros bilionários protegem o tempo para leitura ou reflexão, Musk acredita que trabalhar o dobro dos outros gera vantagem competitiva direta.
Musk acorda por volta das 9h, após dormir entre 3h e 6h. O primeiro gesto do dia é abrir o celular e conferir notificações no X. Admite que é um mau hábito, mas não muda. Depois, toma banho — segundo ele, a parte mais importante do dia. O café da manhã costuma ser bife, ovos, café e meio donut. Energia rápida, pouca disciplina nutricional.
O expediente começa com foco em engenharia na Tesla, onde ele passa cerca de 10 horas por dia, discutindo problemas técnicos com as equipes. À noite, assume o comando do X, com reuniões que avançam até 1h da manhã. Após isso, dorme por mais duas ou três horas — às vezes no sofá do escritório.
Essa rotina se repete sete dias por semana, somando entre 80 e 100 horas de trabalho. Durante a passagem pelo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), Musk alegou jornadas de 120 horas. Isso deixaria menos de sete horas diárias para dormir, comer e viver.
Musk não curte se exercitar. Diz que só malha porque precisa. Levanta pesos algumas vezes por semana e evita corrida. Usa esteira com TV ligada para aliviar o tédio. Já praticou artes marciais como taekwondo e jiu-jitsu, mas sem regularidade.
A alimentação segue a lógica do tempo mínimo. Almoça em reuniões ou simplesmente não almoça. Quando janta, exagera: steaks e churrascos coreanos são os preferidos. Donuts e sobremesas aparecem com frequência. Musk reconhece o desequilíbrio, mas afirma que “comer bem e viver menos” é um bom negócio.
A lógica do tempo se aplica à geografia. Segundas e sextas são da SpaceX. Terças a quintas, da Tesla. Finais de semana e noites, do X. O objetivo é manter presença constante onde o fogo está mais alto.
Musk acredita que a exaustão acelera decisões, e que estar fisicamente próximo dos problemas melhora as soluções. Já dormiu no chão da fábrica da Tesla e no sofá do antigo Twitter. Acredita que líderes devem aguentar mais do que os outros, mesmo que isso custe saúde ou vida social.
O método Musk aposta que produtividade vem da intensidade contínua, não de equilíbrio. Ao contrário de Bill Gates ou Warren Buffett, ele não protege o tempo, não investe em longas leituras e não valoriza descanso. A vantagem está, segundo ele, nas horas extras.
Estudos, porém, apontam limites claros: a produtividade cai depois de 50 horas semanais, e trabalhar 70 rende quase o mesmo que 55. A OMS alerta que passar de 55 horas aumenta o risco de doenças graves.
Musk ignora. Assume que vive “com grande dificuldade” e que a conta pode vir depois. Por enquanto, segue operando múltiplas empresas como se fossem uma só, e ele, o único operador.