Negócios

Novas regras de vale-refeição e vale-alimentação: o que muda para o pequeno negócio

Medida em vigor desde meados do mês atingem mais de 22 milhões de trabalhadores

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 22 de fevereiro de 2026 às 10h09.

O vale-refeição e o vale-alimentação movimentam 200 bilhões de reais por ano no Brasil.

Para bares, restaurantes, padarias e mercados de bairro, esse dinheiro faz diferença no caixa.

Agora, novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) mudam a conta para quem aceita os cartões.

As mudanças já estão em vigor desde meados do mês, e atingem mais de 22 milhões de trabalhadores. No centro da discussão estão as taxas cobradas pelas operadoras e o prazo de repasse aos estabelecimentos — dois pontos que pesam, principalmente, para o pequeno negócio.

A principal alteração limita a 3,6% a taxa cobrada pelas administradoras dos cartões dos estabelecimentos.

Também reduz o prazo de pagamento: o repasse deve ser feito em até 15 dias corridos após a transação. Antes, podia chegar a 30 dias. O decreto também proíbe práticas como deságios, descontos e benefícios indiretos atrelados aos contratos.

Outro ponto é a interoperabilidade — modelo que permite que cartões de diferentes bandeiras funcionem em qualquer maquininha. A previsão é que, em até 360 dias após a assinatura do decreto, qualquer cartão do programa seja aceito em qualquer terminal de pagamento.

A partir de 10 de maio, o benefício já poderá ser aceito em diferentes maquininhas, independentemente da empresa emissora.

Na prática, a aposta é que mais concorrência entre operadoras pressione taxas e simplifique a gestão para os comerciantes.

Contenstação das empresas de vale-refeição

As mudanças no vale-refeição geraram controvérsias no setor. A Associação Brasileira das Empresas de Benefícios do Trabalhador (ABBT) diz reconhece que a evolução do PAT é necessária e que o governo “tem a melhor intenção para modernizar o programa",  mas que as mudanças ‘não podem comprometer a segurança alimentar dos trabalhadores nem a capacidade de fiscalização que garante o bom uso do benefício. 

"Ao ampliar a aceitação, perde-se o monitoramento e a fiscalização do uso devido do benefício e fica ameaçada a segurança alimentar de 24 milhões de trabalhadores e suas famílias, justamente a parcela mais vulnerável da população, que depende do PAT para ter acesso a refeições seguras e nutritivas", argumenta a entidade.

"O programa, que proporciona 3 bilhões de refeições anuais, não pode se tornar um "vale-qualquer-coisa", comprometendo a saúde e a dignidade de quem mais precisa."

A ABBT diz que as instituições estão disponíveis para dialogar com o governo.

"O setor, que possui uma experiência de quase 5 décadas, está disponível para contribuir com a melhor solução técnica, em tempo compatível de implementação que não comprometa a qualidade do serviço e a solidez econômico-financeira de todo o ecossistema", diz.

"Sempre estivemos ao lado do governo e continuamos à disposição para dialogar em defesa da inovação, manutenção e sustentabilidade do PAT."

(Com informações da Agência Sebrae)

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