Para sustentar o crescimento de 2025, o Grupo Ultra prevê investir R$ 1,28 bilhão em 2026 na Ipiranga (Ipiranga /Divulgação)
Repórter
Publicado em 12 de março de 2026 às 17h30.
Última atualização em 12 de março de 2026 às 19h38.
A rede de postos Ipiranga, controlada pelo Grupo Ultra, entra em 2026 combinando três movimentos relevantes: crescimento operacional, uma nova campanha nacional de marketing e negociações em torno de uma possível venda de participação no negócio. Neste contexto, aparece também o conflito entre o Irã e Estados Unidos que promete balançar o preço dos combustíveis.
No lado operacional, a companhia fechou 2025 com avanço nas vendas acima do mercado. Segundo Júlio Sattamini, vice-presidente de marketing e desenvolvimento de negócios da Ipiranga, o volume comercializado pela rede cresceu cerca de 8% em relação a 2024, em um setor que avançou menos no mesmo período.
“Vendemos cerca de 8% a mais do que no ano anterior, em um mercado que cresceu menos que isso”, afirma.
No total, a companhia comercializou 23,9 milhões de metros cúbicos de combustíveis em 2025. Apenas no quarto trimestre, o volume vendido cresceu 7% em comparação com o mesmo período de 2024.
O desempenho também se refletiu nos resultados financeiros: a empresa registrou EBITDA recorrente de R$ 1,1 bilhão no quarto trimestre de 2025.
Atualmente, a operação da Ipiranga envolve cerca de 6 mil postos no Brasil, além de mais de 7 mil clientes corporativos e 85 unidades operacionais. A rede movimenta aproximadamente 2 milhões de abastecimentos por dia e receita líquida de R$ 127.633 bilhões (+5% vs 2024) - uma estrutura de grande escala que, neste ano, pode entrar no radar de investidores com a possível venda de participação da companhia.
Júlio Sattamini, VP de marketing e desenvolvimento de negócios da Ipiranga: “A Ipiranga está muito bem-posicionada hoje. A gente não tem uma crise para resolver, temos um negócio forte e preparado para continuar crescendo" (Ipiranga /Divulgação)
Enquanto reforça sua estratégia comercial, a companhia, que completará 90 anos em 2027, está no centro de movimentações no mercado financeiro. A eventual operação de venda, segundo especulações do mercado, é conduzida diretamente pelo acionista controlador.
"Esse é um assunto do Ultra, que é o acionista único da Ipiranga. A Ipiranga não vende ela mesma, até se eu quisesse comentar, eu não teria o que comentar, porque esse é um tema do acionista mesmo", diz o executivo.
Apesar das especulações, o executivo afirma que a empresa segue focada na operação.
“A empresa está num momento muito bom. Reestruturamos o negócio e hoje o resultado é três vezes maior do que quatro anos atrás,” diz o vice-presidente de marketing e novos negócios.
Procurada, a assessoria do Grupo Ultra diz que não comenta a operação de venda da rede. "Sempre que há informações relevantes, comunicamos ao mercado, conforme regulamentação aplicável."
Entre os diferentes desafios do setor, neste ano entra no radar a instabilidade no mercado internacional de petróleo, intensificada pelo conflito envolvendo o Irã e os Estados Unidos.
Embora o Brasil produza parte relevante do combustível que consome, o país ainda depende de importações.
“Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, então quando acontece alguma coisa no mundo o país acaba sendo impactado”, diz Sattamini.
Segundo ele, o cenário atual tem provocado oscilações rápidas nos custos.
“O que está acontecendo agora é muito disruptivo. São variações de custo muito altas em espaços de tempo muito pequenos.”
Para as distribuidoras, isso significa um aumento no custo médio de aquisição de combustível.
“Estamos usando a nossa estratégia de compra e de precificação para lidar com esse cenário.”
Na segunda-feira, 9, já havia sinais de defasagem nos preços praticados pela Petrobras em relação ao mercado externo, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom). Pelos cálculos da entidade, o diesel estava R$ 2,74 por litro abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina apresentava defasagem de R$ 1,22 por litro.
Mesmo assim, sem reajustes há cerca de 300 dias, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, tem sinalizado a intenção de manter a estabilidade dos preços no curto prazo.
Parte da estratégia para 2026 é a nova campanha nacional “Lá a parada é completa”, que começa a ser veiculada nesta semana.
A comunicação reforça o posicionamento da Ipiranga como um hub de serviços para motoristas, explorando o duplo sentido da palavra “parada”.
“A campanha reforça algo que a gente já vê há muitos anos: a Ipiranga como um lugar de soluções completas para o motorista, para o carro e para o que ele precisa resolver”, diz Sattamini.
A ação também marca o retorno do humor característico da marca e a introdução de um mascote digital inspirado no personagem do antigo slogan “Pergunta lá”, que passará a aparecer nas campanhas e interações da empresa.
Nos últimos anos, a companhia implementou uma série de mudanças na operação, incluindo o lançamento da linha de combustíveis Ipimax, modernização da identidade visual dos postos, evolução do serviço Jet Oil e reformulação das lojas de conveniência am/pm.
“A campanha vem como a cereja do bolo de tudo o que a gente construiu nos últimos anos.”
Veja o vídeo da nova campanha:
As lojas am/pm também têm ganhado peso dentro do ecossistema da companhia, e já é considerada a maior rede de franquias de padaria do Brasil.
Hoje, a rede conta com mais de 700 padarias, registrando 9,1 milhões de transações mensais.
Em 2025, o faturamento das operações chegou a R$ 2,2 bilhões, alta de 9% em relação a 2024.
No quarto trimestre, o segmento registrou GMV de R$ 600 milhões, o maior da história.
Apesar das incertezas geopolíticas e das discussões sobre uma eventual venda de participação da empresa, a expectativa da rede Ipiranga é manter a trajetória de crescimento. E para manter o ritmo o Grupo Ultra prevê investir R$ 1,28 bilhão em 2026 na rede. Os recursos serão direcionados principalmente para:
"A empresa também aposta no fortalecimento do relacionamento com consumidores por meio do programa de fidelidade KMV, que já reúne 38 milhões de participantes", afirma Sattamini.
A companhia também seguirá acompanhando a evolução da transição energética. Segundo o executivo, a Ipiranga já se posiciona como uma das maiores comercializadoras de biocombustíveis do Brasil, responsável por cerca de 17% do volume movimentado no país.
No campo da eletrificação, a empresa tem apoiado revendedores que optam por instalar pontos de recarga elétrica em postos, em parceria com fabricantes como a WEG.
“A transição energética vem ganhando relevância e a gente acompanha esse movimento de forma ativa”, afirma o executivo.
Em meio aos conflitos externos e mudanças internas, para Sattamini, a Ipiranga entra em 2026 com uma base mais sólida.
“A Ipiranga está muito bem-posicionada hoje. A gente não tem uma crise para resolver, temos um negócio forte e preparado para continuar crescendo.”
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