Netflix sobre concorrentes: "somos todos pequenos perto da TV"

Após 2º trimestre ruim, Netflix ganhou 6,8 milhões de assinantes entre julho e setembro. Ação sobe mais de 8% após resultados

Os resultados do terceiro trimestre da Netflix divulgados nesta quarta-feira vieram infinitamente melhores que os do segundo trimestre.

Entre julho e setembro, a empresa norte-americana ganhou 6,8 milhões de assinantes, totalizando mais de 158 milhões de assinantes. Foram 520.000 novos assinantes nos Estados Unidos (um pouco abaixo da expectativa, de 800.000) e 6,26 milhões no restante do mundo.

No segundo trimestre, o total de assinantes nos Estados Unidos havia caído em 130.000, e a queda acendeu um sinal de alerta que fez a ação da empresa cair 10% e perder mais de 20 bilhões de dólares em valor de mercado desde a divulgação do último balanço.

O faturamento foi de 5,24 bilhões de dólares, em linha com as expectativas e com alta de 31% na comparação com o mesmo período de 2018. O lucro foi de 665,24 milhões de dólares, ou 1,52 dólar por ação -- acima da projeção média de 1,04 dólar dos analistas ouvidos pelo Yahoo Finance.

O número de assinantes é o principal fator no qual os investidores estão interessados em grandes empresas de tecnologia, uma vez que é sinal do crescimento, tão necessário para essas companhias. Após a queda desse número nos Estados Unidos, a principal preocupação dos investidores é que a Netflix, cujo faturamento cresceu mais de 60% ao ano na média dos últimos cinco anos, esteja desacelerando.

Os resultados desta quinta-feira parecem ter melhorado os ânimos. A ação da empresa subia mais de 8% por volta das 17h30, após o fechamento do mercado, e chegou a subir mais de 10% logo depois da divulgação dos resultados, às 17h. A Netflix vale 125,3 bilhões de dólares na Nasdaq, uma das bolsas de Nova York.

Concorrência

O período entre julho e setembro foi o último trimestre em que a Netflix reinou quase solitária no mundo do streaming, com a chegada dos novos serviços Apple+ e Disney+ marcada para novembro.

O novo serviço de streaming da Apple, o Apple+ — cuja série principal, com Jennifer Aniston e Reese Witherspoon, já custou mais que a série Game of Thrones, da HBO –, estreia no dia 1º de novembro. Em 11 de novembro, também chega às telas o Disney+, que será o serviço mais barato dos Estados Unidos, por 7 dólares, e já estreia com mais de 600 títulos da Disney. No ano que vem, também chega o HBO Max (que unirá produções de Warner e HBO, em substituição ao atual HBO Go, que sofre debandada de assinantes após o fim de Game of Thrones).

A Netflix está ciente disso. Em sua carta aos acionistas, a empresa adicionou pela primeira vez uma seção batizada de "competição". No texto, a empresa afirma que seu principal concorrente ainda é a grade de televisão tradicional. A Netflix afirmou ter menos de 10% do tempo de TV nos Estados Unidos, seu mercado mais maduro, e menos ainda em tempo de tela dos celulares, de modo que acredita ter ainda uma "oportunidade de mercado muito grande".

"Muitos estão focados na 'guerra do streaming', mas temos competido com plataformas de streaming (Amazon, YouTube, Hulu), assim como com a TV linear, por mais de uma década", escreve a empresa.

A carta afirma que o lançamento dos novos serviços será "barulhento" e representa uma competição crescente, mas aponta que "nós somos todos pequenos comparados com a TV linear".

Segundo a Netflix, os novos competidores podem atrapalhar o crescimento de curto prazo, e a empresa tentou estimar essas perdas em suas perspectivas de crescimento para os próximos trimestres. Mas a companhia acredita que, no longo prazo, continuará a crescer em vista da oportunidade de mercado.

Para provar seu ponto de que a TV segue sendo o maior concorrente, a Netflix colocou no balanço um gráfico que mostra um crescimento maior nos Estados Unidos do que no Canadá, mesmo que o primeiro tenha mais competição, com a existência do Hulu, plataforma de streaming voltada para crianças que ainda não está disponível no Canadá (como mostra o gráfico abaixo).

 (Netflix/Reprodução)

"Enquanto os novos competidores têm alguns ótimos títulos (especialmente os de catálogo), nenhum tem a variedade, a diversidade e a qualidade da programação original que estamos produzindo ao redor do mundo", diz a carta.

A ver se os consumidores pensarão da mesma forma.

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