Nem Uber, nem carro próprio: locadora digital aposta em aluguel por hora

Turbi tem cerca de 700 carros em São Paulo e tirou o valor mínimo do aluguel, para estimular o uso durante a pandemia

Ter um carro próprio, um desejo que vinha encolhendo nos últimos anos, voltou a ser tendência. Com a preocupação em relação ao transporte público e aplicativos de motoristas, por conta dos riscos de contaminação pelo novo coronavírus, consumidores voltaram a pensar em adquirir um automóvel. Mesmo assim, a locadora digital Turbi aposta em um nicho de mercado: aluguel por um período curto, de poucas horas. Com 700 carros, a locadora realiza uma média de 800 viagens por dia.

Para estimular o uso durante a pandemia, a empresa tirou o valor mínimo de aluguel. Para uma hora de uso de um modelo HB20, por exemplo, o valor mínimo era de 30 reais. Agora, as viagens ficaram mais curtas – e mais frequentes. Em uma pesquisa com os usuários, a Turbi descobriu que 40% dos usuários estavam usando os carros para ir aos mercados – hábito que não era tão comum antes dessa redução de tarifa.

Outra novidade é o lançamento de um test-drive totalmente digital. Em parceria com a rede de concessionárias Osten BMW, será possível testar o novo BMW M235i xDriveGran Coupé, modelo recém-lançado no país. 

O lançamento da fabricante alemã, apresentado pela primeira vez no Salão de Los Angeles no final de 2019, está disponível no Brasil desde maio, na faixa de 300.000 reais. Pela Turbi, o usuário poderá fazer o test-drive digital a partir de 50 reais por hora, sem limitação de horas e distância. 

Mercado de locação em crise

O mercado de locação de automóveis sofreu consideravelmente durante a crise gerada pela pandemia. Nos Estados Unidos, a Hertz pediu recuperação judicial. No Brasil, a queda de receita foi de 90%. A Turbi, por ser uma locadora que não precisa de contato humano, caiu 40% no início da pandemia. Atualmente, as receitas estão apenas 20% mais baixas do que o período pré-pandemia.

Uma pesquisa global realizada pela consultoria Capgemini mostra que 35% dos consumidores pensam em adquirir um carro em 2020. No público abaixo dos 35 anos de idade, nota-se a maior intenção, admitida por 45% — uma reversão da preferência histórica por evitar a compra e pagar apenas pelo uso.

A Turbi acredita que as pessoas devem continuar substituindo o carro próprio pelo serviço de aluguel. Segundo uma pesquisa feita pela empresa, cerca de 25% dos donos de carro querem vendê-lo depois da pandemia. O motivo mais comum para essa decisão é não precisar mais se deslocar para o trabalho todos os dias, com o aumento do home office. “O custo fixo de um carro, para usar apenas algumas horas por semana, se torna muito alto”, diz Luiz Bonini, diretor de crescimento.

Aluguel sem contato

A Turbi não tem locadoras físicas ou funcionários fixos em lojas, o que diminui consideravelmente o custo da operação em comparação com locadoras tradicionais – também deixa a operação mais segura, pois há menos interação entre as pessoas.

Os 700 carros da frota ficam em estacionamentos 24 horas, mas não é necessário ter contato com ninguém na hora de alugar: tudo é feito digitalmente. O carro é reservado pelo aplicativo e, quando o cliente chega ao local, abre o carro também pelo app. Depois do uso, o carro precisa ser devolvido no mesmo local. O plano era chegar a uma frota de 2.000 carros esse ano, mas, por conta da pandemia, a empresa resolveu adiar os investimentos.

O sistema de abertura e fechamento do carro, por enquanto, é feito por uma empresa de tecnologia alemã. Com a variação cambial desde o início do ano, esse custo aumentou e afetou o balanço da Turbi. Agora, a empresa investe para trazer essa tecnologia de internet das coisas para dentro de casa, o que pode reduzir esse custo em 95%. A Turbi também está crescendo no mercado corporativo. Empresas buscam a locadora para substituir a frota de carros própria por programas de locação com a Turbi, diz Bonini.

Leia mais sobre como a pandemia afetou a economia compartilhada nesta edição da revista EXAME.

 

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