Fim da guerra: Airbnb firma parceria com associação de hotéis em SP

O objetivo é fomentar negócios entre as partes, dividir informações estratégicas e desenvolver os pontos turísticos no estado

O Airbnb e hotéis sempre tiveram uma relação tensa. A plataforma de hospedagem compartilhada, que permite que pessoas comuns ofereçam casas e quartos para hóspedes, abalou o setor hoteleiro em todo o mundo. Desde seu início, há 12 anos, a empresa da Califórnia enfrentou inúmeros projetos de lei para regular e dificultar sua expansão, inclusive no Brasil. Com a chegada da pandemia, hotéis e plataformas de hospedagem sofreram igualmente com o colapso do turismo. Agora, tanto o Airbnb quanto o setor hoteleiro chegaram à conclusão de que precisam se unir para passar por essa crise – pelo menos em São Paulo.

O Airbnb acaba de anunciar uma parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo (ABIH-SP) para impulsionar o turismo na região, por meio de um memorando de entendimentos. O objetivo é fomentar negócios entre as partes, dividir informações estratégicas e desenvolver os pontos turísticos. O negócio prevê um programa educativo para ampliar o conhecimento e as práticas do turismo responsável, a promoção turística por meios digitais de destinos paulistas, e a adoção das melhores práticas de segurança. 

“Quando veio a pandemia, essa parceria fez muito sentido. Precisamos nos unir”, afirma Flávia Matos, diretora de relações institucionais e governamentais do Airbnb para a América Latina. “O mundo mudou e a tecnologia está aí. Precisamos estar ao lado deles para recuperar juntos o turismo no Brasil”, diz Ricardo Roman Jr., presidente da ABIH-SP. 

Ganha-ganha

Pequenos hotéis e pousadas independentes já buscavam a plataforma do Airbnb como uma forma de aumentar seu alcance. Agências digitais de turismo e plataformas de hotelaria globais, como Booking, Expedia e Decolar, que normalmente ofereciam apenas quartos de hotéis, passaram a listar também apartamentos e casas para temporada. “Ou seja, é tudo uma coisa só. Nós, hoteleiros independentes, precisamos ter o Airbnb do nosso lado”, afirma Roman.

Além de ampliar as possibilidades de hospedagem, o Airbnb também oferece outro serviço para os pequenos hotéis e pousadas: as Experiências. Pelo site, é possível agendar passeios de buggy, trilhas, experiências gastronômicas e passeios guiados, oferecidos por empreendedores locais. Agora, os hotéis também podem cadastrar os serviços que podem ser oferecidos aos hóspedes na plataforma e ganhar uma comissão pelas vendas. “Acaba com o problema do concierge, que hotéis pequenos não têm, e com o mapinha impresso com os principais atrativos”, diz o presidente da associação.

A plataforma digital firmou parcerias com governos e secretarias de turismo em todo o mundo e lançou o Portal da Cidade, ferramenta para conexão direta com os governos para repassar dados e novidades relacionados ao setor turístico. Fora de São Paulo, o Airbnb fez uma parceria com a cidade de Porto Seguro, na Bahia, para capacitar empreendedores locais a venderem experiências por meio da plataforma. “Compartilhamos dados para estimular a profissionalização e um melhor planejamento do turismo”, diz Matos.

Em 2019, o Airbnb gerou um impacto econômico direto de 10,5 bilhões de reais no Brasil considerando toda a cadeia que envolve o turismo, como comércio e restaurantes locais, não apenas a hospedagem.

Viagens mais locais

O estado de São Paulo é essencial para o turismo no Brasil e na América Latina. O setor de viagem e turismo movimentou 551,5 bilhões de reais no Brasil em 2019, segundo dados do WTTC (Conselho Mundial de Viagens e Turismo). Só o estado de São Paulo representou cerca de 40% de todo o faturamento das empresas do setor no país. De acordo com o IBGE, as atividades turísticas no estado cresceram 5,3% em 2019, enquanto o Brasil cresceu 2,5%. Mais que isso, o estado é responsável por enviar 50% dos turistas de todo o país. 

Com a quarentena, as viagens mudaram. Ficaram mais locais e isoladas, de acordo com o Airbnb, com trajetos de carro de até 300 km de distância dos centros urbanos. 

Os hóspedes buscam casas inteiras no campo e em cidades menores de praia, como refúgios fora da cidade grande e, ao mesmo tempo, com boa infraestrutura, como conexão à internet, para conciliar férias com a família e trabalho em home-office. Destinos até então pouco turísticos, como São José dos Campos e Sorocaba, passam a ser procurados. 

Por isso, a parceria anunciada hoje prevê desenvolver o estado como um destino turístico mais amplo. “São Paulo não é só Campos do Jordão e Guarujá, tem muito lugar pouco conhecido e com natureza, serra, praia e outros atrativos”, diz Matos. Destinos como o Petar, o Vale do Ribeira, a Serra da Mantiqueira e a região da cidade de Cananeia estão entre os destinos a serem explorados.

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