Na Investo, novos R$ 40 milhões para ajudar brasileiros a investirem em empresas globais

Gestora de ETFs anunciou conclusão de rodada seed liderada por investidores estrangeiros
Investo: gestora brasileira de ETfs capta US$ 8 milhões (Investo/Divulgação)
Investo: gestora brasileira de ETfs capta US$ 8 milhões (Investo/Divulgação)
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Maria Clara DiasPublicado em 15/08/2022 às 07:00.

A Investo, gestora especializada em ETFs, anunciou um investimento US$ 8 milhões (cerca de R$ 40 milhões) em uma rodada seed envolvendo investidores estrangeiros, incluindo a Van Eck Associates Corporation, uma das principais gestoras de investimento do mundo — e também especializada em ETFs.

O que faz a Investo

Fundada em 2020 por Cauê Mançanares e Luiz Junior, a Investo gerencia investimentos em Exchange Traded Funds (ETFs), fundos constituídos por cotas de empresas estrangeiras listadas em bolsa. A Investo seleciona as companhias e, com base em diferentes índices, recomenda os melhores ativos, conectando brasileiros a ações de empresas globais.

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Inspiração para o negócio

O primeiro contato de Mançanares, atual CEO da empresa, com o universo das pequenas empresas de tecnologia aconteceu dentro do Banco Central, onde fez parte de uma das primeiras comissões dedicadas a auxiliar e supervisionar fintechs em busca de uma “licença para operar”.

Anos depois, com a mudança para os Estados Unidos para trabalhar com mercado de investimento de risco e com a conclusão de um MBA em Harvard, o executivo percebeu o potencial de um mercado em ascensão e popular entre as empresas americanas — e que poderia ter boa aderência no Brasil: os ETFs.

De volta ao Brasil, Mançanares convidou seu ex-colega de Banco Central, Luiz Junior, e juntos fundaram a Investo com a proposta de trazer o modelo para cá. Um terceiro sócio, Gabriel Lansac, entrou no negócio para ajudar na estruturação jurídica.

A proposta era facilitar o investimento em empresas promissoras de tecnologia. Em 2021, pouco mais de um ano após o início do processo de regulamentação junto à Comissão de Valores Mobiliários (CMV) e outros órgãos reguladores, a Investo lançou seu primeiro ETF.

Hoje, são 12 ativos listados na B3, incluindo ações, ativos de renda fixa e criptoativos, negociados por mais de 30.000 clientes. Ao todo, a Investo tem R$200 milhões de ativos sob gestão.

Por que apostar nos ETFs?

Por ser listado em bolsa, uma das principais vantagens do ETF está na transparência em relação às transações, precificação, composição e liquidez diária. Outra vantagem está nos baixos valores das cotas — a partir de R$ 100 reais já é possível investir em empresas globais. “Nossa proposta é facilitar o acesso a todos os brasileiros que têm conta em corretoras, pois esse é basicamente o único critério para investir”, diz.

O mercado brasileiro de ETFs soma R$ 40 bilhões em ativos, o que representa apenas 0,5% do mercado total de investimentos no Brasil, somando algo como 500 mil investidores pessoa física.

A proporção desigual, segundo o CEO, traz grandes oportunidades. "Essa é uma tendência mundial que só cresce ano após ano”, diz. “Não é mais preciso abrir conta em 50 países para investir em empresas de 50 diferentes países. O que queremos é continuar democratizando esse acesso”.

Os planos da Investo

Com o investimento do seed round, a Investo quer trazer mais robustez a algumas áreas da empresa e inaugurar outras novas. Um exemplo está em uma divisão de pesquisas e conteúdos dedicada a trazer mais informações para investidores, além de uma área de relação com investidores (RI).

A intenção é também expandir o portfólio de ETFs. Na lista estão ações de empresas brasileiras, por exemplo. “Essa é uma validação do que a gente propõe a fazer. Agora, com mais capital, vamos expandir a quantidade de opções de ETFs à disposição”, diz.

Segundo Mançanares, a expectativa é chegar ao final do ano com 20 ETFs listados na B3 e, já nos próximos três anos, atingir R$ 1 bilhão de ativos sob gestão. “É uma meta alcançável e que agora ganha mais fôlego”, diz.

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