Célio Martinez, sócio e head da Wetail: aposta na terceira onda do investimento em mídia: o retail media (Divulgação/Divulgação)
Publicado em 9 de junho de 2026 às 06h58.
Lojas recebem milhares de consumidores diariamente. No entanto, muitos varejistas têm dificuldade para transformar essa audiência em uma nova fonte de receita.
Ao mesmo tempo, marcas e agências procuram formas mais eficientes de alcançar o público no momento da compra e medir os resultados de suas campanhas.
A Wetail, nova unidade de negócios da LedWave, foi criada para ajudar varejistas a transformar suas lojas em canais de mídia.
A empresa estrutura a comercialização de espaços publicitários dentro dos pontos de venda, conectando marcas interessadas em anunciar a consumidores que já estão em processo de compra.
Para isso, reúne tecnologia, dados, mídia digital e ferramentas de mensuração capazes de acompanhar os resultados das campanhas.
Fundada em 2008, a LedWave é reconhecida pela atuação em tecnologia LED, digitalização do varejo e comunicação digital.
Ao longo de quase duas décadas, construiu uma operação que reúne mais de 100 mil metros quadrados de painéis instalados, atuação em mais de 52 segmentos econômicos e uma base superior a 15 mil clientes.
Atualmente, mantém operações em São Paulo, Goiânia, Brasília, Orlando e Los Angeles. Não à toa, a empresa entrou para o ranking EXAME Negócios em Expansão 2025 depois de registrar receita operacional líquida de R$ 131 milhões em 2024, 29% a mais que no ano anterior.
Mais do que fabricar ou instalar painéis digitais, a LedWave consolidou um ecossistema que reúne infraestrutura tecnológica, suporte técnico, software, fabricação própria e operação de mídia digital.
A criação da Wetail representa a união dessas capacidades em uma nova frente de atuação voltada especificamente para o varejo.
"O movimento é impulsionado pela chegada da chamada terceira onda do investimento em mídia: o retail media, que aproxima a verba publicitária do momento exato de decisão e conversão de compra", diz Célio Martinez, sócio e head de operações da nova unidade.
Segundo o executivo, o setor movimentou R$ 5,2 bilhões em 2025 e pode alcançar R$ 9,8 bilhões em 2026.
A expectativa é que esse mercado continue crescendo nos próximos anos, criando oportunidades para que os varejistas desenvolvam novas fontes de receita.
"A criação da Wetail serve para que o varejo se estruture e não deixe passar essa verba que já está circulando", afirma.
Na prática, continua, a proposta é transformar pontos de venda e outros ativos físicos em plataformas de mídia e audiência.
Com isso, o varejista passa a contar com uma estrutura capaz de comercializar espaços publicitários, atrair anunciantes, organizar inventários de mídia e medir resultados.
A empresa também pretende resolver problemas como falta de padronização comercial, dificuldade de mensuração, fragmentação do mercado e ausência de integração entre as operações.
A operação foi estruturada com base no conceito Retail Live Journey, que busca acompanhar toda a jornada do consumidor, desde o primeiro contato com uma marca até a compra. O processo acontece em quatro etapas, explica Martinez.
A primeira ocorre antes da visita à loja, quando campanhas digitais trabalham a intenção de compra e despertam o interesse do consumidor. Na sequência entram recursos de geolocalização e estratégias de drive to store, que ajudam a direcionar consumidores qualificados para os pontos de venda.
O terceiro momento acontece dentro da loja. É quando ocorre o impacto visual sincronizado em telas de LED no momento da decisão de compra.
Por fim, a empresa realiza o cruzamento de dados de CRM, ERP e sistemas de vendas para medir resultados e comprovar retorno dos investimentos realizados pelos anunciantes.
"O mercado costuma oferecer apenas telas, ferramentas de CMS e infraestrutura básica, deixando o varejista sozinho para vender, padronizar e escalar. O diferencial da Wetail é que ela conecta tecnologia e DNA comercial."
Em outras palavras, cuida de todas as etapas do processo, incluindo planejamento, empacotamento de inventário, relacionamento com agências, ativação de campanhas e acompanhamento de indicadores de desempenho.
Inicialmente, alguns segmentos devem liderar a adoção da solução. O principal deles é o varejo alimentar. Segundo Martinez, a pressão sobre as margens tem levado empresas do setor a buscar novas formas de gerar receita e fortalecer o relacionamento com seus clientes.
"A proposta da Wetail busca possibilitar a recomposição das margens, atrair um novo fluxo de consumidores e incentivar a recorrência de visitas às lojas", diz.
A empresa também enxerga oportunidades em setores como materiais de construção, farmácias e pet centers, uma vez que todos contam com audiência qualificada e consumidores que já estão em processo de compra.
"Nosso objetivo é transformar cada cliente em uma audiência segmentada e cada vez mais valiosa, especialmente durante o momento da experiência de compra", acrescenta.
À frente da operação está Célio Martinez. Formado em publicidade e propaganda pela Faculdade Belas Artes de São Paulo, possui MBA em marketing de serviços pela Fundação Getulio Vargas e especialização em inteligência competitiva pela Harvard Business School (EUA).
Ao longo de mais de 25 anos de carreira, passou por grandes empresas e também foi CEO e cofundador do portal Mercado&Consumo e atuou como CSO de Retail Media & Ads da market4u.
E o que o atraiu para o projeto foi a possibilidade de unir sua experiência em retail media à estrutura construída pela LedWave.
"A proposta da Wetail permite unir minha paixão pela cultura data-driven, estratégias digitais e retail media com a capacidade real de transformar pontos de venda físicos em canais de mídia de alta performance", reforça.
A criação do negócio também se deu por conta da aproximação entre Martinez e Tiago Brito, CEO da LedWave. A sociedade, diz o executivo, começou de forma natural. "Antes de falarmos de negócios, sentamos para alinhar valores pessoais, propósito e respeito", conta.
A ideia veio da visão compartilhada que os dois tinham sobre as necessidades do setor. O entendimento foi o "mais fácil do mundo".
"O varejo buscava soluções consistentes e uma jornada de mídia verdadeiramente viva. Percebemos que éramos perfeitamente complementares", analisa.
Enquanto Martinez entrava com a visão do retail media, digital e do mobile, a LedWave contava com infraestrutura, conhecimento no mercado publicitário e solidez de anos de mercado. "Nos unimos para suprir essa lacuna", afirma.
Embora não divulgue metas de faturamento para os primeiros 12 meses de operação, Martinez destaca o potencial de crescimento do mercado de retail media no país, que deve movimentar R$ 9,8 bilhões em 2026 e R$ 13 bilhões no próximo ano, segundo estimativas do setor.
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
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