Mercado de franquias: número de unidades no Brasil ultrapassou 202 mil operações em 2025 (Freepik/Divulgação)
Repórter
Publicado em 4 de março de 2026 às 11h50.
Última atualização em 4 de março de 2026 às 11h51.
O setor de franquias no Brasil fechou 2025 com faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões, um crescimento nominal de 10,5% em relação a 2024, segundo a Pesquisa de Desempenho do Franchising divulgada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) nesta quarta-feira, 4.
O resultado superou a projeção inicial da entidade para o ano, que previa expansão entre 8% e 10%. O avanço foi impulsionado principalmente pela aceleração no quarto trimestre, quando o setor registrou R$ 89,3 bilhões em receitas, alta de 10,1% sobre o mesmo período de 2024.
Segundo a ABF, datas sazonais estratégicas, maior confiança do consumidor no fim do ano, expansão das redes em cidades menores e ganhos de eficiência operacional ajudaram a sustentar o crescimento.
“Algumas características da natureza do franchising tornam o setor mais preparado para o novo momento do mercado, que exige inovação, agilidade, escala e trabalho colaborativo”, afirma Tom Moreira Leite, presidente da ABF.
O desempenho também foi influenciado pela revisão do mix de produtos e serviços das redes, pela venda de itens de maior valor agregado e pela demanda crescente por serviços que oferecem conveniência ao consumidor.
Segundo a entidade, as redes já levam marcas, produtos e serviços padronizados a cerca de 80% dos municípios brasileiros.
O franchising encerrou 2025 com 202.444 unidades em operação, um aumento de 4.735 franquias em relação ao quarto trimestre de 2024. O número de redes franqueadoras ficou praticamente estável, em 3.297 marcas.
Na geração de empregos, o setor alcançou 1,762 milhão de trabalhadores diretos, crescimento de 2,5% frente ao ano anterior. A ABF destaca que o franchising segue sendo uma das principais portas de entrada para o primeiro emprego no país.
A análise do movimento de abertura e fechamento de operações mostra que, entre redes associadas à entidade, a taxa média de abertura de novas unidades foi de 18% em 2025, ligeiramente acima dos 17,8% registrados em 2024.
O volume de encerramentos também subiu, passando de 6,4% para 7,4%, o que resultou em um saldo positivo de 10,6% na expansão das operações. Já o repasse de unidades chegou a 4%, acima dos 3,4% do ano anterior.
O crescimento do franchising foi disseminado entre todos os segmentos analisados pela ABF. O destaque ficou com o setor de Limpeza e Conservação, que avançou 16,8%, impulsionado pela expansão das terceirizações, crescimento das lavanderias e aumento da demanda por redes de autosserviço.
Na sequência, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar registrou alta de 14,6%, refletindo lançamentos de produtos, expansão de lojas, melhora no ticket médio e maior procura por serviços de estética.
Outra área relevante foi Alimentação – Comércio e Distribuição, que cresceu 12,9%, sustentado pela abertura de novas operações, parcerias com a indústria e lançamentos de produtos regionais.
Também tiveram crescimento expressivo Alimentação – Food Service (10,8%), Entretenimento e Lazer (10,5%) e Hotelaria e Turismo (10,3%), beneficiados pela alta ocupação e pela elevação da massa salarial.
| Segmento | Crescimento em 2025 |
|---|---|
| Limpeza e Conservação | 16,8% |
| Saúde, Beleza e Bem-Estar | 14,6% |
| Alimentação – Comércio e Distribuição | 12,9% |
| Alimentação – Food Service | 10,8% |
| Entretenimento e Lazer | 10,5% |
| Hotelaria e Turismo | 10,3% |
Para 2026, a ABF projeta um crescimento de 8% a 10% no faturamento do franchising brasileiro.
A entidade também estima expansão de 2% a 4% no número de redes, aumento de 1% a 3% nas operações e crescimento semelhante no número de empregos diretos.
As projeções consideram um cenário de acomodação da atividade econômica, possível redução dos juros e da inflação, além da manutenção de um mercado de trabalho aquecido.
Segundo a ABF, fatores como a isenção de Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil e a continuidade de programas sociais também podem sustentar o consumo das famílias.