Megabazar já rendeu 60 milhões de reais nos últimos três anos

As araras e as estantes abarrotadas de roupas dão um ar de saldão às lojas, instaladas lado a lado como num shopping. As etiquetas, no entanto, são de grifes como Zara e Ellus — que normalmente cobram preços nada populares por seus produtos. Os bazares itinerantes promovidos pelo empresário paulista Tito Passos, que até o ano passado chamavam Megabazar Ação Criança, já renderam 60 milhões de reais desde 1999, em 23 eventos promovidos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Passos espera que 40 lojas vendam 10 milhões de reais só na atual edição do evento, sob a marca Q!Bazar, que começou no último dia 28 de março, em São Paulo. “É a média do evento mais recente, em dezembro do ano passado”, diz ele.

O evento tornou-se conhecido pelo carácter beneficente (a cada peça vendida, 1 real irá para o Instituto Brasileiro de Controle do Câncer). Mas o maior mérito do evento talvez seja ganhar dinheiro vendendo produtos classe A a preços de classe C.

O modelo de negócios é inspirado nos outlets americanos, as queimas de estoques de marcas famosas e caras, como Donna Karan e Nike. É um caso de ganha-ganha. De um lado, Passos organiza o evento e leva parte das vendas. (Ele não diz quanto fatura, mas há três anos sustenta uma empresa com 80 funcionários temporários e 6 fixos exclusivamente dedicados aos eventos.) De outro, as marcas não pagam nada para entrar no bazar e podem se livrar de artigos encalhados e ainda associar a própria imagem à responsabilidade social.

Passos quer criar algo tão organizado quanto os varejos de descontos dos Estados Unidos. Em dezembro, três novos sócios com experiência em marketing e varejo entraram no negócio — Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, vice-presidente do grupo Jovem Pan, Paulo Humberg, ex-diretor de marketing da Lojas Americanas e fundador e ex-presidente do Lokau.com e Luís André Calainho, presidente do Vírgula.com. “Cada vez mais somos vistos como um novo canal de varejo para essas marcas”, diz Passos. “E queremos ser tão importantes como os outros.”

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