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Média financeira das pequenas e médias empresas recua 4,4% em dezembro

Índice IODE-PMEs indica que a média financeira das PMEs brasileiras recuou na comparação com o mesmo período do ano passado

IODE-PMEs: índice aumentou 3,5% em dezembro em relação a novembro de 2022 (Nuthawut Somsuk/Getty Images)

IODE-PMEs: índice aumentou 3,5% em dezembro em relação a novembro de 2022 (Nuthawut Somsuk/Getty Images)

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Isabela Rovaroto

24 de janeiro de 2023, 15h41

A média de movimentação financeira das pequenas e médias empresas brasileiras em dezembro apresentou retração de 4,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, mostra Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). Na comparação direta com novembro de 2022, o índice mostra aumento de 3,5%, indicando a sazonalidade mais positiva dos negócios no período.

Com o resultado de dezembro, o índice indica que a média da movimentação financeira real das PMEs no país avançou 0,5% no quarto trimestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2021.

Abertura de pequenos negócios em 2022 supera os números do período pré-pandemia

Felipe Beraldi, gerente de indicadores e estudos econômicos da Omie, explica que, com o efeito do aperto monetário em curso no Brasil — o que encarece a tomada de crédito e prejudica a evolução do consumo —, foi observada uma desaceleração da movimentação financeira média do setor nos últimos meses do ano, sobretudo em Serviços.

“Apesar do contexto desafiador, as pequenas e médias empresas encerram o ano com avanço de 1,9% frente ao registrado em 2021, quando o mercado voltou a crescer após o controle maior da covid-19”.

Setores que mais cresceram

Segundo as aberturas setoriais do IODE-PMEs, o tímido crescimento do índice no quarto trimestre foi condicionado, principalmente, pelo avanço da movimentação financeira real nos setores de:

  • Infraestrutura (+4,9%)
  • Comércio (+3,8%)

Ambos na comparação com o quarto trimestre de 2021. Nos demais setores houve retração no período.

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Setores que mais retraíram

“Pela ótica mensal, observamos com atenção o recuo do Comércio (-1,8%), uma vez que outros indicadores de atividade do setor (como a PMC-IBGE) já vinham dando sinais de desaceleração. No que tange às PMEs, esse efeito foi postergado e começou a ser percebido mais claramente no último trimestre do ano”, explica Beraldi.

Apesar do resultado negativo do setor como um todo, ainda é possível observar a influência positiva das vendas de Natal sobre algumas atividades no varejo, como:

  • Brinquedos e artigos recreativos
  • Artigos de cama, mesa e banho
  • Calçados

Já nos Serviços, apesar da queda de 7,3% em dezembro, é possível encontrar segmentos com bom desempenho no período recente. É o caso das ‘Atividades de Serviços Financeiros’, ‘Atividades Jurídicas, de Contabilidade e Auditoria’ e ‘Atividades de prestação de serviços da informação’.

Segundo o especialista, o resultado agregado do desempenho econômico das PMEs brasileiras no quatro trimestre de 2022 chama atenção ao evidenciar os efeitos do ambiente macroeconômico desafiador sobre o setor.

“Ainda é cedo para antecipar que o movimento se configure como uma tendência no decorrer de 2023, já que a manutenção dos auxílios de renda tende a sustentar o consumo das famílias no curto prazo”, diz Beraldi. “O principal risco para este ano seria uma eventual aceleração da inflação, que tende a corroer o poder de compra das famílias e retardar a inversão da taxa básica de juros da economia brasileira.”

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