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Masculinas, do Sudeste e ainda engatinhando: estudo mostra perfil das fintechs brasileiras

Pesquisa da Associação Brasileira de Startups e Deloitte mostra principais características das startups de finanças do país

Por Maria Clara Dias
Publicado em 09/08/2022 11:00
Última atualização em 08/08/2022 18:29

Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Ainda que representem grande parte das startups brasileiras, as fintechs — pequenas empresas de serviços financeiros — ainda dão seus primeiros passos no mercado, e passam longe da maturidade observada em startups do varejo ou de educação (hoje líderes em termos de quantidade no país), por exemplo.

Essa é uma das conclusões do Mapeamento de Fintechs, levantamento feito pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups) em parceria com a consultoria Deloitte e obtido com exclusividade pela EXAME.

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Para mapear o perfil das fintechs brasileiras, o estudo se propôs a avaliar suas regiões de origem, características dos fundadores e as principais soluções criadas no setor. De maneira generalista, o mapeamento mostra que as fintechs brasileiras são novatas e, em sua maioria, lideradas por homens — cerca de 85% das fintechs são masculinas.

Quais são os principais tipos de fintechs no Brasil?

Segundo a pesquisa, o Brasil tem hoje 204 fintechs. Para classificar os diferentes tipos de fintechs com base nas suas soluções e produtos, a pesquisa da Deloitte adotou nomenclaturas e divisões já estabelecidas pela Universidade britânica de Oxford. As categorias consideram também o tipo de serviço que pode ser oferecido por essas empresas.

Compliance e gestão de risco

  • Fintechs de análise de risco, prevenção de fraudes e segurança e biometria, entre outras soluções ligadas à segurança digital.

Crédito

  • Inclui as empresas com serviços de negociação de dívidas e marketplaces

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Custódia Digital

  • Oferecem serviços de gerenciamento de chaves e de portfólio digital e também carteiras de software e hardware

Backoffice

  • Fintechs de gestão financeira e com plataformas de integração digital ou de cobrança e automação

Investimento

  • Fintechs de ativos financeiros financiamento coletivo (crowdfunding)

Meios de pagamento

  • Trabalham com remessas, transferências internacionais, emissão de moedas digitais, serviços de liquidação e compensação, entre outros.

Negociação

  • Oferecem bots de negociação;
  • Caixas eletrônicos de Bitcoin (BTM);
  • Compensação;
  • Serviços de corretagem;
  • Serviços de HFT

Serviços Digitais

  • São os bancos digitais, contas digitais e e-wallets.

Tecnologia

  • Blockchain;
  • Computing;
  • Contabilidade digitalGerenciamento de API;;
  • Gestão e inteligência de negócios;
  • Nota fiscal eletrônica;
  • Open banking;
  • Inteligência artificial

Gestão de ativos

  • Fazem a gestão de fundos de investimento, recomendação financeira ou, ainda, operam robôs-investidores.

As principais características das fintechs brasileiras

Segmentos mais comuns

Em relação aos segmentos de atuação, a pesquisa destaca backoffice, crédito e meios de pagamento como os mais comuns entre as fintechs brasileiras. Nos cálculos da Abstartups, ao menos 60% das empresas atuam em alguma dessas três áreas. Depois delas estão as empresas de serviços digitais, tecnologia e investimento.

Tempo de mercado

A maior parte das fintechs em operação no Brasil foram fundadas há 2 anos — cerca de 22% das startups desse setor nasceram em 2020. Já as empresas com um ano de mercado são 19,6% do total.

Presença regional

A região Sudeste é a que concentra mais fintechs no país, com mais de 50% do total. Os estados com o maior número de fintechs são

  • São Paulo (39,2%);
  • Santa Catarina (14,7%),
  • Minas Gerais (8,8%);
  • Rio Grande do Sul (6,4%)

Fundadores

De cada 10 pessoas fundadoras de fintechs, 8 são homens As fintechs brasileiras são fundadas, majoritariamente, por pessoas com mais de 36 anos (56%), que tenham cursado o ensino superior (93%) e realizado algum tipo de especialização (60%). Normalmente atuam como CEO (77%) na startup.

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Olhar para o ESG

Quase todas (97%) as fintechs reconhecem a importância do tema diversidade e deixam claro seu apoio ao assunto. No entanto, apenas 21% das empresas têm políticas e práticas estabelecidas dedicadas ao tema. Um exemplo está nos processos seletivos voltados dedicados a pessoas acima de 50 anos, pessoas transexuais, mulheres, pessoas pretas e pardas e pessoas com deficiência.

A ausência de práticas que visam a diversidade anda em conjunto com a falta de maturidade das próprias startups como um todo, avalia  Ingrid Barth, vice-presidente da ABStartups. “As startups de uma maneira geral são empresas muito novas, que ainda estão construindo a sua cultura e os seus valores”, diz. “Então, muitas vezes é difícil você endereçar todas essas preocupações relacionadas ao ESG.”

Para ela, aumentar a participação de diferentes perfis e grupos sociais nas fintechs é um desafio de longo prazo, e que parte do estímulo à entrada de mulheres no universo da tecnologia e inovação. “A gente precisa de fato despertar o interesse das nossas meninas, ainda lá no processo de formação acadêmica tradicional, nas áreas de matemática, engenharia, tecnologia, ciências de uma maneira geral, para que a gente possa mudar esse cenário passe a ser de fato um cenário diverso. A preocupação já está muito mais forte do que no passado, mas ainda tem bastante trabalho pela frente”, afirma.

Principais tendências

Em outra frente, a pesquisa também buscou mapear as principais tendências para o segmento. Em ascensão, a pesquisa destaca os segmentos de backoffice, meios de pagamento e crédito como os mais proeminentes para as fintechs nos próximos anos.

Para Barth, soluções com alguma relevância em outros países também tendem a ganhar força por aqui nos próximos anos, como o Buy Now Pay Later (BNPL), método de pagamento que simula um crediário digital.

Na esteira da aprovação de novas regulamentações, o setor de fintechs, segundo Barth, também deve experimentar bons ares daqui para frente. “Nós ainda temos muitas coisas para desenvolver. Algumas regulamentações estão melhorando ali a possibilidade de novos projetos”, diz.

A ineficiência e ausência de respostas mais digitais em setores tradicionais como câmbio e crédito também deve acelerar a criação de novas soluções, avalia. “Acho que tem bastante coisa bacana de seguros e câmbio também que a gente vai observar são ainda produtos que não tiveram tanta inovação quanto pagamentos, crédito e etc, então acredito que essas são as tendências para o futuro falando de fintechs”, diz.

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