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Maguary é o primeiro time brasileiro gerido por um site. Vai dar certo?

Parceria da equipe cearense e o site Meu Time de Futebol (MTDF) pretende gerar até 900.000 reais em investimentos e já negocia com Túlio Maravilha

São Paulo – Depois do fracasso da seleção brasileira na Copa América, praticamente todos os torcedores enfurecidos com a desclassificação tinham um palpite sobre os rumos que o time deveria ter seguido. Se não é possível palpitar na seleção, os fanáticos por futebol podem opinar sobre o futuro da equipe cearense Maguary. Desde o dia 1 de janeiro deste ano, o time tem uma parceria com a empresa de marketing esportivo Meu Time de Futebol (MTDF), controladora do site de mesmo nome. É o primeiro caso de um time de futebol realizar uma parceria de co-gestão. A mais recente investida da equipe cearense é a negociação do jogador Túlio Maravilha.

Criada em 2008, a MTDF nasceu como um site em que os torcedores se cadastravam para escolher em qual time gostariam de ter poder nas decisões. No ano passado, o paulistano Juventus havia sido escolhido pela maioria dos membros, mas uma alta multa numa das cláusulas do contrato caso o MTDF não cumprisse as metas impediu que as negociações fossem para frente. Como a direção do Maguary conversava com a empresa desde sua criação, a escolha do time cearense foi natural. Cerca de 89% dos associados validaram a nova opção.

Hoje, o site conta com 99.838 cadastrados – cerca de 1.000 são associados que pagam 78,90 reais por ano para ter direito a voto nas decisões do futuro do time. O total arrecadado ainda é inexpressivo – cerca de 78.900 reais. “Esperamos aumentar a base para arrecadar mais. Do total, 85% será investido no time. Para este ano a expectativa é ter entre 450.000 e 900.000 reais”, disse a EXAME.com Vicente di Cunto, fundador do MTDF.

O Maguary é um tradicional clube cearense, fundado em 24 de junho de 1924 e agora reorganizado como clube-empresa. “Queremos chegar a série A do campeonato nacional”, diz o advogado Aguiar Júnior, presidente do time. Aguiar foi o responsável por trazer a equipe de volta à CBF há dois anos, depois de ter ficado fora do futebol profissional desde 1975. A proposta do MTDF tem três objetivos principais:

-- Desenvolver neste ano quatro categorias de base (sub-13, sub-15, sub-17 e sub-20 – falta apenas a última), com uma média de 30 jovens atletas por categoria não-profissional. Assim será possível registrar na CBF cerca de 120 atletas amadores, aumentando em quantidade e na qualidade os nossos atuais 45 jovens já registrados;


-- Arrecadar dinheiro para garantir a participação do Maguary em campeonatos da temporada 2011/2012, especialmente nas Copas BH e São Paulo;

-- Montar boa estrutura financeira para que haja uma forte e competitiva equipe profissional na 3ª Divisão cearense, com o objetivo de passar para a segunda divisão em 2012 e disputar a Copa Unimed Fortaleza que possibilita o acesso à segunda vaga do estado na Copa do Brasil do ano seguinte.

Decisões a um clique - Todas as decisões passarão pelas comissões técnicas e terão como base a opinião dos torcedores. A MTDF coloca em votação em seu site todos os pontos discutidos sobre o time. A equipe leva o resultado da votação para a reunião do comitê que decidirá a melhor maneira. A contratação do técnico Mirandinha e a opção por negociar o passe do jogador Túlio são dois exemplos de decisões tomadas pelos associados.

Mas esqueça os milionários salários que os tradicionais técnicos recebem dos clubes. Neste caso, os torcedores que participarem com dinheiro não receberão nada em troca, além da satisfação de contribuir para a ascensão do clube. "Deixamos claro que não haverá retorno financeiro, é apenas para o bem do time", conta Vicente. "O que vamos fazer é oferecer descontos para jogos e artigos esportivos ou alguma promoção específica para os associados." A ideia é que o número de cadastrados no site também aumente. "Onde há muita gente, é mais provável que chame a atenção de patrocinadores", diz ele, que negocia seis cotas de patrocínio para o time – nenhuma delas revelada – para mais investimentos.

A equipe do MTDF não é apenas um grupo de apaixonados por futebol. Vicente é administrador de empresas, formado pela FGV, com pós-graduação em marketing pela mesma instituição. Além do MTDF, ele ocupa o cargo de diretor de planejamento estratégico da Autômatos, empresa de software focada em gestão de infraestrutura de Tecnologia e Segurança da Informação, que presta serviços para empresas como Telefônica, Vivo, Embratel, Oi e Banco Real.

Ele comanda uma equipe de nove pessoas no MTDF -- todos com experiência administrativa e de marketing. Para evitar sugestões esdrúxulas dos torcedores, o MTDF vai ponderar as opções postas em votação. “Não dá para negociar, por exemplo, a compra de um jogador como Neymar”, diz.


Experiência internacional - A inspiração para criar o MTDF surgiu quando Vicente conheceu o projeto inglês My Football Club, criado em 2007 pelo jornalista Will Brooks. No ano seguinte, o time Ebbsfleet United, da oitava divisão, foi comprado pelos 50.000 torcedores. Cada um deles desembolsou 50 libras para ser técnico do time. Nesse caso houve, de fato, a compra do time.

Na versão brasileira, o projeto prevê apenas a co-gestão de um time. Em 2007, o time israelense Hapoel Kiryat Shalom se tornou o primeiro a ser controlado pela internet. Os torcedores podiam votar nas decisões do time, mas não eram donos dele. Em 2008, também foi criado o site Squadra Mia, na Itália, que busca torcedores que desejam controlar o time Santarcangelo, que hoje está na série D.

Há também os milionários que desejam brincar de técnico e têm dinheiro suficiente para comprar um time. O tailandês Thaksin Shinawatra – empresário de telecomunicações e primeiro-ministro deposto em 2006 - comprou o Manchester City por 162 milhões de dólares em 2007, mas, afundado em dívidas, teve de vendê-lo. O magnata do petróleo russo Roman Abramovich comprou o Chelsea em 2003 por 235 milhões de dólares. O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, é também presidente do Milan. Mas a história do Maguary mostra que, hoje, não é preciso ter milhões na conta para ser cartola.

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