Lojas Renner tem lucro de R$ 193,1 milhões no segundo trimestre

Companhia registra forte aumento de receita no trimestre, e operações online crescem mais de 65% em relação a 2020
Lojas Renner: empresa divulgou o balanço do segundo trimestre nesta quinta-feira, 12. (Fabio Pedro/Renner/Divulgação)
Lojas Renner: empresa divulgou o balanço do segundo trimestre nesta quinta-feira, 12. (Fabio Pedro/Renner/Divulgação)
Por Karina SouzaPublicado em 12/08/2021 18:11 | Última atualização em 12/08/2021 19:05Tempo de Leitura: 5 min de leitura

A Lojas Renner divulgou nesta quinta-feira lucro de R$ 193,1 milhões, acima da expectativa de analistas, mas abaixo do valor registrado no mesmo período de 2020. No entanto, a queda não está relacionada a razões operacionais: a redução tem a ver com uma recuperação de crédito fiscal relacionada ao PIS e Cofins em 2020, que puxou os resultados para cima. Excluindo esse efeito, o resultado do segundo trimestre deste ano foi 184,7% maior do que o do ano passado, impulsionado pelo resultado operacional.

A receita líquida totalizou 2,26 bilhões de reais, valor 318% acima do que foi registrado no ano anterior, além de ser 11,8% maior do que o obtido no segundo trimestre de 2019.

O crescimento do índice tem a ver com a retomada da receita a companhia, já mostrando certa recuperação das restrições impostas pela pandemia. "Mesmo com lojas fechadas em abril e pouca capacidade operacional crescemos 9,8% sobre um período que não existia pandemia, o que nos deixou bastante satisfeitos", diz Fabio Faccio, diretor-presidente da Lojas Renner, à EXAME.

O EBITDA total ajustado do segundo trimestre foi de R$ 330 milhões, com margem de 14,6%. O valor representa redução de aproximadamente 35% em relação ao mesmo período do ano passado, também impactado pelo crédito fiscal reconhecido à época. Além disso, no ano passado, várias empresas do país foram beneficiadas por medidas de auxílio editadas pelo governo, como mostrou a Reuters.

A margem líquida ficou em 8,6%, redução de 140 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mesmo período do ano anterior. Além dos efeitos já mencionados, a empresa também afirma que investimentos de ampliação do próprio ecossistema também impactam o índice, mas com a visão de ampliar a capacidade da empresa e trazer ganhos maiores no futuro.

Em números, os investimentos no segundo trimestre ficaram em R$ 254,1 milhões, ante R$ 141,4 milhões no ano anterior. Novas lojas, equipamentos de tecnologia e centros de distribuição foram os campeões de aportes feitos pela empresa no período. Despesas com depreciações e amortizações ficaram em R$ 114,5 milhões, valor 9,5% maior do que o registrado em 2020, em função do plano de expansão de lojas e do investimento em sistemas de TI.

"Temos um grande centro de distribuição sendo construído em São Paulo, que deve atender a todas as marcas, garantindo melhor nível de serviço de velocidade e de entrega para nossos clientes. à medida que os marketplaces evoluem ao longo do tempo. Além disso, toda a parte de digitalização das lojas e de eficiência do estoque, criação de novos canais  digitais e plataformas estão contempladas nesse investimento", diz Fabio.

Ao todo, as vendas digitais da empresa (GMV) totalizaram R$ 414,5 milhões, crescimento de 66,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Avanços em UX, ampliação de canais de vendas e integração de estoques colaboraram para o resultado. Hoje, as venas on-line representam 14,1% do total da empresa.

Colocando em prática ações como venda por WhatsApp, entrega omnicanal (com uso do estoque das lojas) e checkout móvel, a empresa afirma que deve se apoiar nestes diferenciais -- e no conhecimento de marca -- para seguir crescendo ao longo dos próximos meses. Além disso, a companhia pretende usar a financeira como instrumento capaz de viabilizar operações para os parceiros.

No semestre, os investimentos em tecnologia ficaram em R$ 243 milhões, ante R$ 128,5 milhões no ano anterior.

Crédito

Em relação às operações de serviços financeiros, o resultado totalizou R$ 51,5 milhões no segundo trimestre, com leve redução (2,4%) em relação ao mesmo período do ano anterior. A volta gradual às lojas e o pagamento parcelado de clientes podem ser apontadas como algumas das razões pelas quais os números ainda não cresceram significativamente, sendo esperada alta para o segundo semestre. Em relação às perdas líquidas, a empresa registrou redução de 42,2%, contando com a recuperação e a melhora da qualidade do crédito.

Ainda assim, a empresa não descarta trazer mais benefícios para que as clientes contem com os serviços financeiros da companhia. "Hoje, isso é um mar de oportunidades. Estamos desenvolvendo alguns novos produtos e serviços que devem vir para os clientes ao longo dos próximos meses. Nosso objetivo é o de aumentar o leque e a capacidade de capturar mais oportunidades de relacionamento", diz Álvaro Azevedo, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Lojas Renner. 

Estratégia semelhante foi apontada pela varejista C&A, também de olho na retomada do varejo físico no segundo semestre.

Perspectivas de futuro

Mesmo com as expectativas de retomada para o setor, com o avanço da vacinação no país, a Renner permanece atenta aos riscos de novas restrições impostas pela covid-19, principalmente de variantes. Por enquanto, a retomada nas vendas mostra os bons ventos para a Renner. "Falar de futuro é sempre difícil, mas acredito que conseguiremos bons resultados no segundo semestre tanto na venda de roupas quanto de artigos para casa", afirma Fabio. É esperar para ver.

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