Inclusão financeira passa por desregulamentar setor bancário, diz ex-BNDES

Para os ex-presidentes do banco de fomento Maria Silvia Bastos e Pérsio Arida, o avanço das fintechs deve promover mudanças no segmento bancário
Maria Silvia Bastos, do Goldman Sachs: “não podemos passar do monopólio público dos bancos centrais para o monopólio privado, do Facebook” (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Maria Silvia Bastos, do Goldman Sachs: “não podemos passar do monopólio público dos bancos centrais para o monopólio privado, do Facebook” (Tomaz Silva/Agência Brasil)
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Natália Flach

Publicado em 14/08/2019 às 11:39.

Última atualização em 26/08/2019 às 17:32.

São Paulo - A forma de promover inclusão financeira passa pela desregulamentação do setor bancário. Essa é a opinião dos ex-presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Maria Silvia Bastos e Pérsio Arida. Desregulamentação, no entanto, não significa abrir mão do controle por parte do governo. “Não podemos passar de um monopólio público dos bancos centrais para o monopólio privado, como pode acontecer com a libra, a moeda digital do Facebook”, diz Bastos, presidente do conselho do Goldman Sachs, durante evento do instituto ProPague, em São Paulo.

A questão é que, além de haver concentração financeira, os bancos “too big to fail” contam com “subsídio”, segundo Arida. “Imagine que o banco central crie uma moeda nacional digital e permita que a população tenha uma conta direta no BC. E em determinado dia faça um anúncio: vou deixar de socorrer qualquer instituição financeira. O custo de captação dos banco aumentará enormemente. Hoje, a diferença entre essas captações é pequena ou até negativa, porque, no fundo, o que importa é a segurança”, explica Arida, que já presidiu o BC.

A desregulamentação - como a quebra do duopólio das bandeiras de cartão de crédito, a criação de estruturas como sociedade de crédito direto e sociedade de empréstimo entre pessoas, além do open banking e do pagamento digital - deve incentivar a entrada de novos players no mercado financeiro e promover mudanças.

“A velocidade da mudança depende de cada país. A minha intuição é que será um processo rápido no Brasil, em parte porque a tecnologia está pronta: o blockchain e o open banking vão criar mais serviços”, acrescenta Bastos.