Patrocínio:
Marcelo Dalazen, sócio-fundador da Big Jack, de Orleans (Divulgação)
Editor da Região Sul
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 14h30.
Última atualização em 12 de janeiro de 2026 às 14h34.
O mercado brasileiro de cervejas artesanais já movimenta entre R$ 14 bilhões e R$ 15 bilhões por ano, considerando o ecossistema ampliado de craft beer — que inclui produção, varejo, bares, restaurantes e canais especializados.
A Região Sul responde por cerca de 40% desse mercado, concentrando produção, consumo e reputação técnica. Dentro desse universo, o faturamento direto das cervejarias artesanais somou aproximadamente R$ 1,6 bilhão em 2023, segundo dados oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária. É nesse cenário que Itajaí passa a sediar um hub logístico regional, iniciativa que busca reduzir custos, ampliar o acesso de micro e pequenas produtoras e reposicionar o Sul na principal vitrine do setor.
De forma pioneira no setor cervejeiro brasileiro, o CBC Brasil – Concurso Brasileiro de Cervejas implementa em 2026 uma estrutura operacional, com endereço exclusivo em Itajaí (SC) para o recebimento das amostras das cervejarias do Sul.
A partir desse ponto, os produtos seguem em carga consolidada até Uberlândia, onde ocorre a edição 2026 do concurso, entre 27 de fevereiro e 3 de março, reduzindo custos operacionais e ampliando o acesso de micro e pequenas produtoras ao evento.
A iniciativa elimina uma das principais barreiras à participação das cervejarias do Sul em concursos de grande porte — o custo logístico — e tende a ampliar a presença regional em uma competição considerada a maior do mundo entre cervejas independentes, fortalecendo a visibilidade, a chancela técnica e o posicionamento de mercado das marcas participantes.
O setor cervejeiro brasileiro mantém uma trajetória de expansão, com reflexos diretos no Sul do país. Segundo o Anuário da Cerveja 2025, o Brasil alcançou 1.949 cervejarias em 2024, após a abertura de 102 novos estabelecimentos, crescimento de 5,5%. Santa Catarina e Rio Grande do Sul figuram entre os principais polos nacionais. Santa Catarina soma 250 cervejarias, o terceiro maior número do país, equivalente a 12,8% do total, atrás apenas de São Paulo (427) e do Rio Grande do Sul (349).
Do lado da demanda, estimativas indicam que o brasileiro consome, em média, mais de 60 litros de cerveja por ano, sinalizando um mercado maduro e altamente competitivo. A densidade produtiva reforça essa leitura. Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentam uma cervejaria para cerca de 33,8 mil e 32,1 mil habitantes, respectivamente.
O Paraná aparece abaixo, com uma cervejaria para cada 72 mil habitantes. No caso gaúcho, o protagonismo se estende à capital. Porto Alegre é a segunda cidade brasileira com maior número de cervejarias, com 43 estabelecimentos e 1.594 rótulos registrados, atrás apenas de São Paulo.
Esse ambiente competitivo impõe um desafio estrutural às micro e pequenas cervejarias, maioria absoluta do setor: ganhar visibilidade, chancela técnica e reputação de mercado em um cenário de forte pulverização da oferta. Nesse contexto, a participação em concursos de grande porte deixa de ser apenas uma ferramenta de marketing e passa a integrar a estratégia de posicionamento e sobrevivência empresarial.
“A consolidação das entregas facilita a logística e traz mais flexibilidade no envio das amostras. Participar do CBC Brasil é estratégico. Além do histórico de premiações, o concurso oferece uma avaliação técnica qualificada, que contribui para a melhoria contínua dos nossos processos e permite comparar nossas cervejas com o mercado”, afirma Rodrigo Veronese, mestre cervejeiro da Cervejaria Leopoldina, pertencente ao Grupo Famiglia Valduga, no Vale dos Vinhedos (RS).
Develon da Rocha, organizador do evento, destaca que “o percentual de amostras inscritas dos três estados do Sul nas últimas três edições foi de cerca de 30%, evidenciando o peso do custo de envio na decisão de participação das cervejarias. Iniciativas como o hub de Itajaí tendem a incrementar a presença da região em 2026”.
Considerado o maior concurso de cervejas independentes do mundo — a última edição, realizada em Balneário Camboriú, reuniu cerca de 3,5 mil amostras —, o CBC Brasil adota a nota comercial em seu processo de avaliação. A metodologia permite às cervejarias utilizarem um selo de qualidade no rótulo, agregando valor ao produto e facilitando a decisão do consumidor no ponto de venda.
Os efeitos práticos dessa visibilidade são percebidos no mercado. Marcelo Dalazen, sócio-fundador da Cervejaria Big Jack, de Orleans (SC), afirma que o reconhecimento obtido no concurso teve impacto direto no desempenho da empresa.
Com 68 rótulos em seu portfólio e produção média entre 40 mil e 50 mil litros por mês, a Big Jack registrou crescimento consistente de faturamento entre 2024 e 2025, mantendo rigor técnico, controle de processo e identidade sensorial.
“É possível crescer mantendo qualidade. As medalhas funcionam como validação técnica e se refletem diretamente em reputação de marca, abertura de novos mercados e crescimento sustentável”, afirma Dalazen.
Segundo o empresário, o título máximo conquistado no CBC Brasil ampliou o alcance da marca para além do setor cervejeiro. “Hoje somos também uma atração turística em nossa cidade. Uma medalha do CBC Brasil é um atestado de confiança para clientes e fornecedores”, diz.
Para o mercado regional, a combinação entre consumo robusto, alta densidade produtiva e redução de entraves logísticos tende a gerar um efeito multiplicador. Além de impulsionar vendas e reputação, a presença ampliada no CBC Brasil pode estimular investimentos, parcerias estratégicas e novos canais de distribuição.
“Não se trata apenas de uma competição técnica, mas de uma oportunidade concreta de crescimento de mercado e fortalecimento competitivo”, resume Rocha.