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Homem mais rico do mundo encerra 2025 com maior fortuna já registrada

O patrimônio do fundador da Tesla e da SpaceX alcançou um intervalo entre US$ 640 bilhões e US$ 749 bilhões (entre R$ 3,54 trilhões e R$ 4,14 trilhões, na cotação atual) até o fim do ano

 (Montagem EXAME/Wikimedia Commons)

(Montagem EXAME/Wikimedia Commons)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 22 de dezembro de 2025 às 11h12.

Última atualização em 22 de dezembro de 2025 às 11h22.

O empresário Elon Musk encerra 2025 com a maior fortuna já registrada na história, segundo estimativas da Forbes.

O patrimônio do fundador da Tesla e da SpaceX alcançou um intervalo entre US$ 640 bilhões e US$ 749 bilhões (entre R$ 3,54 trilhões e R$ 4,14 trilhões, na cotação atual) até o fim do ano.

Primeiro semestre tumultuado

Musk começou 2025 com uma fortuna estimada entre US$ 416 bilhões e US$ 426 bilhões, já na liderança do ranking global de bilionários.

Ao longo do ano, porém, o patrimônio passou por forte volatilidade.

Em junho, sua riqueza caiu para cerca de US$ 335 bilhões, uma perda de aproximadamente US$ 64 bilhões. O motivo central foi a desvalorização de 15,9% das ações da Tesla no acumulado do ano até aquele momento.

Um embate público com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agravou o movimento, resultando em um tombo diário de US$ 152 bilhões no valor de mercado da Tesla.

O lucrativo segundo semestre

A recuperação veio no segundo semestre. Em outubro, Musk se tornou a primeira pessoa deste século a atingir US$ 500 bilhões, impulsionado pela retomada das ações da Tesla.

Já em dezembro, alcançou outro marco inédito ao ultrapassar US$ 600 bilhões. Em 15 de dezembro, uma oferta de recompra de ações da SpaceX avaliou a empresa em US$ 800 bilhões, o dobro do valor de agosto.

SpaceX é o ativo mais valioso de Elon Musk

A SpaceX foi o principal motor da disparada final.

Musk tem participação estimada em 42% na empresa, o que adicionou aproximadamente US$ 168 bilhões ao patrimônio do sul-africano. Apenas a reavaliação da empresa aeroespacial fez com que ela passe representar cerca de US$ 336 bilhões da fortuna de Elon Musk, tornando-se seu ativo mais valioso, segundo a Forbes.

A Tesla, na qual ele detém cerca de 12%, contribuiu com outros US$ 197 bilhões, após recuperar as perdas do meio do ano.

Outro vetor relevante foi a xAI, empresa de inteligência artificial de Musk, avaliada em US$ 230 bilhões em negociações recentes. A Forbes estima que a fatia de 53% do empresário valha aproximadamente US$ 60 bilhões, mais que o dobro da avaliação inicial divulgada em março.

Pacote de remuneração trilionário

Em novembro, acionistas da Tesla aprovaram ainda um pacote de remuneração potencialmente avaliado em US$ 1 trilhão, condicionado a metas de longo prazo. Entre essas metas está um aumento de oito vezes no valor de mercado da companhia ao longo da próxima década.

Embora ainda não esteja em ação, o plano pode colocar Musk no caminho para se tornar o primeiro trilionário do mundo.

Ainda assim, o mais rico

Mesmo sem alcançar o trilhão, Musk já é a pessoa mais rica da história — e ficou ainda mais rico várias vezes neste ano. A fortuna já ultrapassou grandes nomes como John Davison Rockefeller, Barão de Mauá e Mansa Musa. 

Antes da era digital, a riqueza das pessoas era medida principalmente pelo impacto no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, e não apenas pela soma nominal de ativos. A métrica considerava o domínio econômico de uma pessoa em seu tempo.

Em termos proporcionais ao PIB, nomes históricos ainda rivalizam ou superam Musk. Rockefeller, por exemplo, controlava cerca de 1,5% a 1,6% da economia dos Estados Unidos em 1913, o que chega bem perto do 1,61% de Musk em 2025.

Jakob Fugger, banqueiro europeu do século XVI, chegou a deter cerca de 2% do PIB da Europa, equivalente a aproximadamente US$ 400 bilhões ajustados pelos valores atuais.

Mansa Musa, imperador do Mali entre 1312 e 1337, é frequentemente apontado como o mais rico da história, mas historiadores alertam para a imprecisão desses cálculos. Durante sua peregrinação a Meca, distribuiu tanto ouro que desvalorizou o metal no Egito por mais de uma década.

o imperador romano Augusto César controlava de forma direta ou indireta até 30% da economia global de sua época. Estimativas sugerem que isso equivaleria hoje a até US$ 4,9 trilhões — mas especialistas reconhecem um alto grau de especulação nessa estimativa.

Riqueza nominal vs. influência econômica

No critério de riqueza nominal (a soma absoluta em dólares) Musk lidera com folga.

Rockefeller, frequentemente citado como o homem mais rico da era industrial, acumulou US$ 900 milhões em 1913, o que corresponderia a cerca de US$ 26 a US$ 29 bilhões em valores atuais — uma diferença de até 2260% em relação a Musk.

A diferença entre riqueza nominal e poder econômico contextualizado é o que complica as comparações históricas.

Enquanto Musk detém seu patrimônio majoritariamente em ações de empresas de tecnologia, figuras como Rockefeller ou Fugger operavam com ativos tangíveis, como petróleo e metais preciosos.

E o Barão de Mauá?

No Brasil, Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá, foi considerado o homem mais rico do país no século XIX.

Em seu auge, controlava oito das dez maiores empresas nacionais, além de bancos, ferrovias, estaleiros e companhias de navegação que modernizaram a economia brasileira. Sua atuação também se estendia ao exterior, com negócios na Inglaterra, Uruguai e Argentina.

O impacto de sua fortuna era tão grande que, em meados de 1867, ela ultrapassava o próprio orçamento do Império do Brasil. Segundo estimativas, seu patrimônio acumulado chegaria hoje a cerca de US$ 80 bilhões — valor expressivo, mas ainda distante dos atuais quase US$ 500 bilhões de Musk.

A principal diferença entre os dois está na escala econômica em que atuavam. Enquanto Mauá dominava amplamente uma economia de base agrária e industrial incipiente, Musk concentra sua riqueza em setores de alta tecnologia em uma das maiores economias do mundo.

As fortunas do século XIX também eram baseadas em ativos tangíveis — terras, navios, infraestrutura, metais —, ao passo que a de Musk é composta majoritariamente por ações de companhias de capital aberto, cujas avaliações flutuam com o mercado.

Apesar de sua relevância econômica, o império de Mauá enfrentou forte resistência da elite conservadora da época, especialmente após a Guerra do Paraguai, e colapsou em meio a uma crise financeira.

Ao final da vida, ele voltou à atividade como corretor de café e morreu com recursos bastante reduzidos em relação à sua antiga fortuna.

Por que os parâmetros de riqueza mudaram?

Até o início do século XX, era comum avaliar a riqueza de uma pessoa com base na fatia que ela detinha do PIB de seu país ou região.

Essa métrica refletia o poder econômico relativo, mostrando quanto da produção nacional estava concentrada nas mãos de um único indivíduo.

A mudança de paradigma começou com a consolidação dos mercados de capitais e da globalização financeira.

Com o avanço das bolsas de valores, tornou-se mais relevante medir fortunas pela valorização de ativos líquidos, como ações, participações em empresas e investimentos privados.

Isso levou à adoção do conceito moderno de net worth — ou patrimônio líquido — calculado com base na soma de ativos menos passivos.

O PIB também se mostrou impreciso para comparar contextos econômicos diferentes. Enquanto o império romano representava até 30% da economia global no tempo de Augusto César, o PIB atual é fragmentado entre centenas de países com realidades distintas.

Outro desafio é que o PIB mede produção anual, e não acumulação de riqueza ao longo do tempo. Uma pessoa pode ser dona de empresas avaliadas em bilhões mesmo que o país onde reside tenha um PIB relativamente pequeno, como ocorre com bilionários em países emergentes.

Hoje, o PIB ainda é usado como métrica auxiliar, sobretudo para indicar o peso econômico de uma fortuna em seu contexto nacional. Mas o cálculo principal passou a considerar o valor de mercado dos ativos controlados.

O que é considerado atualmente para calcular a fortuna de um bilionário?

Para calcular o patrimônio líquido do homem mais rico do mundo e de outros bilionários, sites como a Forbes e a Bloomberg combinam dados públicos e análises especializadas.

As estimativas de fortuna consideram o valor total dos ativos do indivíduo — como participações em empresas, imóveis, obras de arte e dinheiro em caixa — subtraindo as dívidas e outras obrigações financeiras.

Na Forbes, participações em companhias listadas na bolsa são avaliadas com base em documentos da SEC e preços de ações. Já para empresas privadas, o processo exige entrevistas com sócios, concorrentes, consultores financeiros e análise de dados de mercado.

Também entram na conta: imóveis, terras, coleções de arte, aviões, iates e joias. Esses itens são avaliados com base em vendas recentes e registros públicos. Após reunir todas as informações, a Forbes subtrai dívidas declaradas para estimar o valor líquido final.

A Bloomberg segue uma metodologia similar, mas com algumas particularidades: atualiza os números diariamente, às 17h30 (no horário de Nova York), com base na variação das ações. Para ativos privados, utiliza fontes como registros judiciais, reportagens e documentos empresariais.

Diferente da Forbes, a Bloomberg aplica descontos com base nas alíquotas máximas de impostos sobre renda, dividendos e ganhos de capital, dependendo do país de residência do bilionário. Também estima o retorno dos investimentos em dinheiro e ativos líquidos, considerando uma combinação de ações, títulos públicos e commodities.

No caso de fortunas familiares, a Bloomberg atribui o valor ao membro da família que tem controle direto dos ativos, mesmo que eles estejam registrados em nome de parentes.

O veredito

Se o critério for a riqueza nominal ajustada, Musk é o mais rico da história registrada.

Mas, em influência proporcional sobre o sistema econômico de seu tempo, ele empata com gigantes como Rockefeller e Fugger, e fica atrás de figuras como Mansa Musa e Augusto César — cuja fortuna, mesmo incerta, representava fatias maiores de suas respectivas economias.

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