Grupo RIC, do Paraná, investe R$ 20 milhões para virar mediatech, mas não quer perder foco regional

Leonardo Petrelli, CEO da empresa de mídia, explica aposta em startups e novas tecnologias para ter novas fontes de receita sem precisar sair do mercado paranaense
Petrelli, do Grupo RIC: novas tecnologias para reforçar o apelo regional da empresa fundada em Curitiba em 1987 (Divulgação/Divulgação)
Petrelli, do Grupo RIC: novas tecnologias para reforçar o apelo regional da empresa fundada em Curitiba em 1987 (Divulgação/Divulgação)
Leo Branco
Leo Branco

Publicado em 06/09/2022 às 18:00.

Última atualização em 06/09/2022 às 18:14.

Poucas indústrias perderam tanto a barreira de entrada como a da mídia. No passado, montar uma emissora de televisão requeria investimentos vultosos em equipamentos, estúdios, antenas e licenças de operação.

Hoje, um canal aberto de graça no YouTube cumpre o mesmo papel de entreter a audiência. Com tecnologia, um negócio até então essencialmente territorial, como o da televisão, perdeu fronteiras — vide o apelo global de streamings como Netflix e Amazon Prime.

À luz disso tudo, o empresário paranaense Leonardo Petrelli vem apostando alto em novas tecnologias para reforçar o apelo regional da mídia.

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O que é o Grupo RIC

Petrelli é fundador do Grupo RIC, um dos principais grupos de comunicação do Paraná, fundado em Curitiba, em 1987.

Sob o guarda-chuva do grupo estão:

  • 4 emissoras de televisão afiliadas à RecordTV
  • 6 concessões de rádios com as marcas Jovem Pan e Folha FM
  • 2 portais de internet: RIC Mais e R7 Paraná
  • Revista TopView

Ao total, os veículos geram uma audiência mensal de 190 milhões de acessos só no Paraná. No estado vizinho de Santa Catarina, outro integrante da família Petrelli, Marcello, irmão de Leonardo, comanda a NDTV, conglomerado também filiado à RecordTV.

A ambição de Petrelli é transformar tudo isso numa mediatech focada em conteúdos feitos por paranaenses — ou com algum apelo àquele mercado.

Onde a RIC está investindo

Em 2022, o grupo RIC está investindo 20 milhões de reais em medidas para ampliar o rol de conteúdos regionais e, de quebra, aumentar as plataformas disponíveis para transmitir a programação.

Uma das frentes é a de mudar o consumo de publicidade. Em parceria com a startup Zedia, criadora de uma tecnologia para comando de tevês inteligentes (as smart TVs), a RIC criou um app para aumentar a interação com a audiência.

O app faz o seguinte: num programa da RIC transmitido a uma smart TV, o telespectador poderá responder a enquetes lançadas pelos apresentadores, ou enviar mensagens para a televisão ou para os anunciantes.

“É, em outras palavras, uma evolução do modelo atual de interação via QR code ou via número WhatsApp exibidos na tela da TV”, diz Petrelli.

Na frente de conteúdos, a RIC tem fechado parcerias com produtores paranaenses para divulgar a produção deles em canais digitais mantidos pelo Grupo.

Nessa linha, 21 podcasts independentes passaram a ser divulgados nas redes sociais dos veículos da empresa.

Na lista estão temas até então fora do escopo tradicional de cobertura dos jornalistas da casa, como uma série sobre casos de abusos infantis, feita por uma sargento da Polícia Militar do Paraná, e um sobre cannabis medicinal.

Nos canais de YouTube e das redes sociais das emissoras da RIC, conteúdos de fontes independentes turbinam o fluxo de conteúdos gerados dentro de casa.

O impacto na audiência e na publicidade

Eles têm mais de 1,8 milhão de seguidores com mais de 16 milhões de pessoas alcançadas nos perfis do Facebook e Instagram, e no YouTube são mais de 13 milhões de visualizações por mês, com 2 milhões de inscritos.

"O que o Grupo fez foi abrir esses canais para agências e anunciantes para que eles possam veicular campanhas customizadas com a persona de cada canal", diz.

Internamente, uma equipe de especialistas em engajamento em redes sociais faz desde a curadoria do conteúdo até a criação de peças estáticas e vídeos exclusivos para cada campanha.

As campanhas são veiculadas nas páginas do Grupo RIC, aproveitando-se da sua autoridade, tanto no veículo de origem, como TV ou rádio, como no ambiente online.

"Com isso, o cliente ganha a chancela da marca, que pode ser feita inclusive pelos apresentadores dos programas de TV e rádios", diz Petrelli. "Além dos próprios influenciadores, que podem movimentar ainda seus perfis pessoais em projetos."

Em ambas plataformas, o volume mais amplo de cobertura tem atraído espectadores e, na ponta, mais dinheiro vindo de publicidade.

Ajudou nisso o fato de a RIC ser a primeira emissora regional a ser parceira de vendas do YouTube. O acordo permite a ela vender anúncios diretamente nos seus vídeos.

Os resultados financeiros

A inovação no modelo de negócios colaborou para a RIC ter conseguido aumentar receitas no meio da pandemia.

Entre 2020 e 2021, a alta foi de 20% sobre o valor faturado pelo grupo no Paraná em 2019: 98 milhões de reais.

Para este ano, a expectativa é expandir outros 25%.

“Com a saída da pandemia e com as mudanças tecnológicas estamos crescendo mais do que o dobro do que nos dois anos anteriores. E com consistência nos percentuais de Ebitda, em 32%, e de lucro líquido, em 25%.”

A ideia daqui para frente é reforçar o uso de tecnologia para alavancar conteúdos regionais.

Para isso, em maio, a RIC criou o Quintal Ventures, um fundo de investimento em startups com alguma conexão com a realidade paranaense.

A expectativa é de aportes de 10 milhões de reais num intervalo de cinco anos.

Como advisor do fundo está Eduardo Petrelli, filho de Leonardo, alumni da Universidade Stanford, na Califórnia, e fundador do app de delivery James (vendido ao Pão de Açúcar em 2018) e da foodtech Diferente.

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