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Grupo familiar de turismo de R$ 2 bilhões lança negócio para conectar agências e fornecedores

Konvia amplia a atuação do Grupo Kontik na distribuição de viagens para agências; companhia prevê faturar R$ 2,5 bilhões em 2026 e começa a nova operação pelo Rio de Janeiro

Eduardo Neto, CEO do Grupo Kontik, e Eduardo Bernardes, CEO da Konvia (Divulgação)

Eduardo Neto, CEO do Grupo Kontik, e Eduardo Bernardes, CEO da Konvia (Divulgação)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 11 de agosto de 2026 às 07h00.

Última atualização em 11 de agosto de 2026 às 10h01.

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O mercado de consolidação de viagens funciona como uma ponte entre companhias aéreas, hotéis e outros fornecedores e as agências de viagens. As consolidadoras ajudam essas agências a acessar produtos turísticos, principalmente passagens aéreas, sem que precisem manter toda a estrutura operacional e financeira necessária para negociar diretamente com os fornecedores.

Para atacar esse mercado, o Grupo Kontik, empresa familiar de turismo com 72 anos de história, lança a Konvia, nova empresa que funcionará como consolidadora de viagens. A companhia será comandada por Eduardo Bernardes, executivo que passou 23 anos na Gol e chegou à vice-presidência comercial e de receitas da companhia aérea. A proposta é combinar acesso a fornecedores, atendimento e tecnologia para ajudar as agências a vender mais e reduzir o trabalho operacional.

A aposta ocorre em um momento em que as agências precisam aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, lidar com a pressão de plataformas digitais e novos sistemas de distribuição. Para a Kontik, há espaço para modernizar um segmento em que a relação entre agências e consolidadores ainda depende de processos pouco automatizados.

"Nossa missão é simplificar processos, compartilhar conhecimento e colocar a tecnologia a serviço das agências, sem substituir o relacionamento humano", afirma Bernardes.

A Konvia começa sua atuação pelo Rio de Janeiro e pretende chegar a São Paulo em seguida. A estratégia é crescer de forma gradual, começando com cerca de 50 agências cadastradas no Rio no curto prazo. No grupo, a expectativa é que o faturamento cresça de R$ 2 bilhões em 2025 para R$ 2,5 bilhões em 2026.

Uma nova frente

A entrada na consolidação faz parte de uma estratégia maior do Grupo Kontik de diversificar seus negócios. Fundado em Salvador, o grupo passou boa parte de sua história concentrado no turismo corporativo. A mudança de Salvador para São Paulo marcou uma das primeiras decisões para ampliar a atuação nacional.

No início dos anos 2000, veio outra mudança. A empresa decidiu investir no desenvolvimento próprio de tecnologia, com a criação da DN IT Service.

A estratégia ajudou o grupo a construir uma estrutura tecnológica própria e, posteriormente, abrir novas frentes. Em 2011, surgiu a Zupper, operação online voltada ao consumidor. Depois veio a Kontrip, criada para atender pequenas e médias empresas, além da Inovents, voltada a eventos corporativos.

Em 2026, o grupo também entrou no segmento de viagens de luxo com a Koncept. “Quando nossos clientes corporativos precisavam organizar viagens de lazer, nós os encaminhávamos para agências parceiras. A partir daí, identificamos a oportunidade de criar uma operação própria e capturar as sinergias que poderiam ser geradas dentro do grupo”, afirma Eduardo Neto, CEO do Grupo Kontik.

A Konvia completa esse movimento ao atacar outro elo da cadeia: a distribuição de produtos turísticos para agências. “A consolidação nada mais é do que você servir o agente de viagem”, diz Neto.

Por que a Kontik quer uma consolidadora

Na prática, uma consolidadora funciona como uma infraestrutura para agências que preferem não manter determinadas estruturas próprias de crédito, pagamentos, relatórios e relacionamento com fornecedores. A maior parte do negócio está relacionada à emissão de passagens aéreas, embora a operação também possa envolver hotéis e outros produtos.

A parceria entre Bernardes e Neto começou antes da criação da Konvia. A decisão pela nova marca foi tomada depois de um período de estudos com profissionais que já atuaram na consolidação. A conclusão foi que havia espaço para uma empresa que combinasse atendimento e tecnologia, em vez de competir apenas por acesso a fornecedores.

"Hoje, o segmento de consolidação já tem uma capacidade tecnológica muito maior para agregar conteúdos do que tinha 20 anos atrás. Mas a tecnologia, sozinha, não é um diferencial. O diferencial é o que você faz com essa tecnologia para resolver o problema real do cliente”, diz Bernardes.

A escolha do Rio de Janeiro não foi casual. O estado é um dos maiores mercados brasileiros em demanda turística. Apenas a capital recebeu 12,5 milhões de turistas em 2025, segundo levantamento da Prefeitura. A Riotur aponta que o turismo nacional respondeu por 71,5% do impacto econômico total na cidade, o equivalente a R$ 19,5 bilhões

Há ainda uma questão competitiva. Na avaliação do executivo, o mercado carioca é menos atendido em soluções e atendimento para agências de viagens do que São Paulo, por exemplo.

A companhia começará com seis funcionáeios. A meta inicial é cadastrar aproximadamente 50 agências no mercado carioca. Depois de estabilizar a operação, o plano é levar a consolidadora para São Paulo.

Bernardes afirma que o objetivo não é crescer rapidamente nos primeiros meses. "Eu não tenho pressa de fazer um crescimento rápido e no curto prazo. O que eu quero é crescer de maneira consistente, aproveitando e capturando essa janela de oportunidade", afirma.

O desafio de convencer as agências

Um dos principais obstáculos da Konvia será conquistar espaço em um mercado no qual as agências já trabalham com outros consolidadores. Bernardes diz que a fidelidade é baixa. Poucas agências mantêm uma relação exclusiva com uma única consolidadora. Isso abre uma oportunidade para uma empresa nova, mas também mostra que o serviço precisa gerar resultado para manter o cliente.

"Nosso indicador de sucesso vai ser se a agência de viagem que é o nosso cliente está conseguindo aumentar os seus ganhos, se ela está conseguindo crescer o seu volume", afirma.

A proposta é retirar tarefas operacionais do agente para que ele tenha mais tempo para vender e atender o consumidor.

IA será parte da aposta tecnológica

O Grupo Kontik anunciou investimentos de R$ 85 milhões em inovação até 2028. Desse total, R$ 50 milhões estão previstos para 2026. A infraestrutura será compartilhada pelas empresas do grupo, que poderão incorporar diferentes módulos conforme as necessidades de cada canal de venda.

A Kontik já desenvolve tecnologia própria para suas empresas, com uma base que reúne funções como busca, reserva, emissão, cancelamento e reembolso. A estrutura permite criar módulos específicos para cada negócio, incluindo a consolidação. Na fase inicial, porém, a Konvia utilizará uma plataforma já disponível no mercado enquanto a nova solução própria é desenvolvida, com previsão de lançamento para 2027.

A Konvia pretende usar inteligência artificial, integração de dados e automação para reduzir tarefas operacionais. A ideia é que o agente passe menos tempo em processos administrativos e mais tempo na relação com o cliente.

O grupo também criou um laboratório dedicado a testar novas tecnologias e inteligência artificial, com quatro profissionais vindos de setores como bancos e comércio eletrônico. A missão é testar novas aplicações e transformá-las em produtos.

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