Furacão PIX: fintechs e WhatsApp ganham, máquinas e bancos perdem bilhões

Estudo da consultoria Roland Berger prevê queda de até 63% nas receitas de algumas empresas com a nova plataforma de transferência digital do Banco Central

O Banco Central anunciou nesta semana que vai antecipar de novembro para outubro a estreia de um serviço que vai revolucionar o mercado de pagamentos no Brasil. É o PIX, o sistema de pagamentos instantâneos e de transferências entre carteiras digitais que vai funcionar 24 horas por dias a custo zero para o consumidor final.

Pode ser o fim do TED e do DOC, os instrumentos de transferências usados atualmente pelos grandes bancos com limite de horário, mas será também um reequilíbrio de forças no mercado financeiro brasileiro. Afinal, quem ganha, e quem perde?

Um estudo da consultoria Roland Berger calcula que o fim das taxas sobre transferências vai custas aos grandes bancos e às empresas de adquirência (as famosas maquininhas) de 18% a 63% de suas receitas — 13 bilhões de reais por ano. Entre as empresas atingidas estão Cielo, Rede, GetNet, Stone, PagSeguro e Mercado Pago.

Na outra ponta, os vencedores tendem a ser as mais de mil instituições que já se cadastraram para usar a novidade. Entre elas estão varejistas, como Magalu, fintechs, como Nubank e Neon, mas também financeiras mais consolidadas, como Cielo e Itaú.

Segundo a Roland Berger, o PIX deve acelerar o uso de pagamentos por QR Code, muito comuns em países como a China. “Abre-se espaço para uma revolução no mercado de pagamentos que, embora de forma silenciosa, teve o seu início com a covid-19”, afirma o relatório da Roland Berger. Na China, os pagamentos por QR Code, com os apps de pagamento Ant Financial e WeChat, passaram de 7% para 69% do total de pagamentos presenciais desde 2017.

No Brasil, as carteiras digitais, que permitem pagamentos presenciais por QR Code e também pagamentos digitais, tiveram um boom durante a pandemia. O PicPay, uma das principais carteiras digitais do país, ampliou em quatro vezes o número de aberturas mensais de contas durante a pandemia e já tem mais de 20 milhões de usuários.

A consultoria sugere que os principais adquirentes “revisem suas estratégias para antecipar a transformação do mercado”. Entre as inovações propostas estão “lançamento de ofertas atrativas de gestão de conta corrente a criação de portfólios abrangentes”.

É uma pressão adicional em um mercado que vive uma revolução nos últimos anos. O aumento da concorrência fez com que Rede e Cielo deixassem de ter 89% do mercado, como em 2014, e passassem a cerca de 50%, em 2019. As taxas caíram cerca de 30%, segundo a Roland Berger, e agora devem cair ainda mais.

Para além das maquininhas, o PIX deve afetar outra série de companhias. As bandeiras de cartão perdem espaço nos pagamentos com cartão de débito num primeiro momento, e risco para os cartões de crédito no médio prazo. As processadoras de cartão perdem volume. Os bancos tradicionais perdem receitas com transferências.

Um estudo divulgado em fevereiro pela agência de risco Moody’s calcula que os bancos tradicionais perderiam 4,3 bilhões de reais apenas em taxas de cartões caso o PIX roube até 15% de seus volumes. As perdas com receitas em taxas de DOC e TED podem chegar a 2% dos lucros totais dos grandes bancos, segundo estimativas obtidas pela EXAME. “Mais que a perda financeira, o risco maior está na aceleração da digitalização e da competição”, diz um especialista. 

Segundo um investidor ouvido pela Exame, um grande vencedor pode ser o WhatsApp. “O serviço de mensagens é o que tem maior tempo de atenção dos consumidores, e deve ser a plataforma de uso mais ampla para o PIX. Será um intermediador para milhares de fintechs. Hoje elas têm o depósito como maior gargalo, mas agora conseguirão oferecer uma gama muito maior de serviços”, diz.

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