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Funcionários precisam de networking, diz criador do LinkedIn

Empresas devem estimular suas equipes a fazer contatos com profissionais de fora – inclusive pelas redes sociais e no horário de trabalho, defende Reid Hoffman


	Hoffman: quando funcionários compartilham o que aprenderam com seus contatos, eles te ajudam a sanar problemas
 (Miguel Villagran/AFP)

Hoffman: quando funcionários compartilham o que aprenderam com seus contatos, eles te ajudam a sanar problemas (Miguel Villagran/AFP)

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Luísa Melo

24 de fevereiro de 2015, 16h35

São Paulo - Quando uma empresa enfrenta um grande problema, não adianta apenas colocar as melhores cabeças da equipe para pensar em uma solução. Este é o primeiro passo, mas é necessário também estimular que cada funcionário busque ajuda e inspiração entre seus contatos – inclusive através das redes sociais e dentro do horário de trabalho. É isso o que prega Reid Hoffman, cofundador e presidente do conselho do LinkedIn.

Em material preparado para o Business Insider, o bilionário enfatizou que as informações profissionais mais valiosas normalmente são obtidas por meio de pessoas, não pelo Google ou pelos livros.

"Pessoas podem oferecer o melhor conselho urgente. Pessoas podem adequar o conselho exatamente para a sua situação. Pessoas geralmente sabem de coisas que ainda não estão públicas no Google", escreveu.

"E há mais pessoas inteligentes no mundo que não trabalham na sua companhia do que o total de pessoas inteligentes que trabalham nela". "Então olhe para além do seu escritório", aconselhou.

Pela teoria do empresário, quanto mais cérebros estiverem pensando juntos, melhor. E segundo ele, apesar de os presidentes de empresa geralmente serem bons em networking e se empenharem nisso (porque falam com muita gente de setores diferentes), muitos deles se esquecem de que os trabalhadores também pode fazer a mesma coisa.

Estimular que os funcionários criem esse hábito, de acordo com Hoffman, é não só uma forma de auxiliá-los a construir carreiras sólidas, mas também de fomentar a inovação na companhia.

"Quando seus empregados compartilham o que eles aprenderam com as pessoas da sua rede de contatos profissionais (sobre tecnologias, competição, talento), eles te ajudam a resolver os principais desafios do negócio mais rápido", afirmou.

Como fazer

Hoffman dá duas dicas para encorajar o time a fazer um bom networking. A primeira delas é perguntar aos funcionários quem são as três pessoas mais inteligentes que eles conhecem que não trabalham na empresa e permitir que eles tenham contato com elas dentro do horário de trabalho.

É exatamente isso o que a companhia de software de marketing HubSpot faz. Ela permite que seus colaboradores paguem almoços para pessoas interessantes da indústria, desde que eles compartilhem o que aprenderam no encontro. E dá certo, segundo Hoffman.

O segundo passo é incentivar os trabalhadores a serem ativos nas redes sociais. Ele diz que é interessante, inclusive, parabenizar os funcionários que têm muitos seguidores no Twitter e contatos no LinkedIn.

O conselho pode parecer inusitado, mas o bilionário garante que funciona. Novamente, ele usa o exemplo da HubSpot. A companhia queria convidar Ariana Huffington para palestrar em sua conferência anual e conseguiu chegar até a fundadora do Huffington Post com a ajuda de um funcionário com o qual ela tinha uma forte conexão no Twitter.

Hoffman contou também que a HubSpot tem duas vezes mais conexões no LinkedIn do que a média das empresas e que, por isso, consegue contratar o dobro de funcionários das demais através das oportunidades divulgadas na rede social corporativa.

O empresário discute outras questões sobre networking no livro The Alliance, escrito com os coautores Ben Casnocha e Chris Yeh.