Fortuna de Anita Harley (de novo) na Justiça: entenda disputa por R$ 2 bilhões

Reportagem do Fantástico exibida neste domingo mostrou disputa pela fortuna de Anita Harley, maior acionista da Pernambucanas, avaliada em 2 bilhões de reais
 (Facebook Pernambucanas/Reprodução)
(Facebook Pernambucanas/Reprodução)
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Isabela Rovaroto

Publicado em 04/07/2022 às 13:58.

Última atualização em 04/07/2022 às 15:04.

Uma reportagem exibida neste domingo, 3, no programa Fantástico, da TV Globo, mostrou como a fortuna avaliada em 2 bilhões de reais de Anita Harley está no centro de uma disputa judicial.

Maior acionista da rede varejista Pernambucanas, Anita está em coma há seis anos e não tem filhos biológicos.

Uma decisão recente reconheceu como filho socioafetivo dela um homem que pode se tornar o único herdeiro. Em reportagem do Fantástico, parentes e amigos afirmam que se trata de um golpe.

De um lado, está a assessora da presidência da empresa Cristine Rodrigues, que foi responsável pela saúde de Anita por décadas. Do outro, Sônia Aparecida Soares, uma funcionária que morou com Anita por 20 anos e afirma ser esposa dela; e também Arthur Miceli, filho biológico de Sônia.

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Arthur Miceli foi reconhecido como filho socioafetivo e é o herdeiro universal do patrimônio bilionário. Mas em 1999, em um "testamento vital", Anita Harley dizia que Cristine Rodrigues deveria responder por ela e tomar decisões caso ela estivesse incapacitada ou inconsciente.

Em abril deste ano, Cristine Rodrigues entrou com um pedido de reconhecimento de união estável com Anita Harley. Questionada na reportagem do Fantástico, ela não quis comentar.

Atualmente, a Pernambucanas tem 466 lojas, está presente em mais de 230 cidades e conta com cerca de 16 mil colaboradores.

Outras disputas pela fortuna de Anitta Harley

Esta não é a primeira vez que o futuro das Pernambucanas vira alvo de disputa judicial. Uma reportagem publicada em 2015 pela EXAME mostra que há décadas descendentes da quarta e da quinta geração disputam o controle da companhia fundada em 1908.

Os problemas societários da Pernambucanas começaram nos anos 70, quando o poder da companhia chegou ao auge. Em 1975, após anos de desentendimentos quanto ao rumo do negócio, a família dividiu a empresa em três unidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Nordeste.

Apenas a unidade de São Paulo, comandada por Helena Lundgren, sobreviveu à invasão dos importados nos anos 90 que quebrou lojas de departamentos tradicionais, como Mappin e Mesbla.

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Helena Lundgren, neta do fundador da Pernambucanas, tinha três filhos e era dona de 50% da Casas Pernambucanas, por meio das holdings Nopasa e Zodiac.

Em testamento, ela dividiu em proporções diferentes a sua participação na companhia: Anita Harley, que assumiu a presidência no lugar da mãe, ficou com 25% das ações. Seus dois irmãos, Robert e Christina, ficaram com 12,5% cada um. O plano era que Anita prestasse contas da empresa a cada seis meses aos dois irmãos e distribuísse dividendos.

Mas o inventário de Helena Lundgren nunca foi concluído — e os lucros nunca foram distribuídos. Robert morreu em 1999, deixando cinco filhos. Christina morreu em 2001 e deixou quatro herdeiros. 

Apenas em 2017, os nove sobrinhos de Anita venceram a ação contra a tia que tramitava no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Com a vitória, a empresária teve que transferir metade das ações em sua posse aos herdeiros e pagar os dividendos retroativos. Segundo uma fonte que acompanha o caso, Anita deve R$ 600 milhões.

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