Exame logo 55 anos
Remy Sharp
Acompanhe:
seloNegócios

Formação de gigantes: 12 fusões e aquisições de 2019

Consolidações criaram gigantes de beleza e shoppings centers, como a união da Avon e Natura e a fusão da Aliansce e a Sonae Sierra Brasil

Modo escuro

Continua após a publicidade
Natura: a compra da rival Avon a tornou a quarta maior empresa de beleza do mundo (Germano Lüders/Exame)

Natura: a compra da rival Avon a tornou a quarta maior empresa de beleza do mundo (Germano Lüders/Exame)

K
Karin Salomão

Publicado em 27 de dezembro de 2019 às, 08h00.

Última atualização em 27 de dezembro de 2019 às, 08h12.

O mercado de fusões e aquisições foi agitado em 2019. Consolidações criaram empresas gigantes de beleza e shoppings centers, como a união da Avon e Natura e a fusão da Aliansce e a Sonae Sierra Brasil.

Empresas que enfrentavam desafios relevantes foram incorporadas por outras, como a compra da Onofre pela Raia Drogasil, da Nextel pela Claro e a do site Buscapé pela Zoom.

Relembre abaixo 12 das maiores operações de fusão ou aquisição que aconteceram em 2019.

Raia Drogasil e Onofre

A rede de farmácias Raia Drogasil comprou em fevereiro a rede de farmácias Onofre, controlada pela americana CVS no Brasil. A CVS chegou a oferecer a rede para companhias brasileiras.

Com 50 unidades, sendo 47 em São Paulo, a Onofre era a primeira investida da CVS fora dos Estados Unidos, comprada em 2013. A gigante americana faturou cerca de 200 bilhões de dólares no ano passado. Mas a empresa ficou pequena para o tamanho dos desafios no mercado brasileiro.

Sob comando americano, enquanto as concorrentes disputavam os bons pontos disponíveis para abrir centenas de lojas, a Onofre passou por uma reestruturação nos últimos anos. Enquanto isso, o mercado de farmácia crescia alucinadamente, puxado pela Raia Drogasil.

Nextel e Claro

A América Móvil, controladora da operadora de telecom Claro, comprou a operação da Nextel no Brasil por 905 milhões de dólares.

“Com essa operação, a Claro S.A. (“Claro”), subsidiária brasileira da AMX, consolidará sua posição como uma das principais prestadoras de serviços de telecomunicações no Brasil, particularmente nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro”, disse a Claro Telecom Participações em comunicado ao mercado em março.

Natura e Avon

O mercado de beleza brasileiro viu em 2019 uma de suas maiores movimentações dos últimos tempos. A compra da Avon pela Natura, anunciada em maio, forma a quarta maior empresa de cosméticos do mundo, com faturamento anual superior a 10 bilhões de dólares, mais de 40 mil colaboradores e presença em cem países.

O Brasil já é o maior mercado da Avon. Juntas, as empresas terão a liderança na venda por relações, com mais de 6,3 milhões de representantes e consultoras e presença global com 3,2 mil lojas.

Se o negócio é gigantesco, os desafios também são. Por décadas, a Avon foi uma das companhias de beleza mais relevantes do mundo. O protagonismo e o empoderamento femininos ainda são parte importante da missão da companhia, mas a Avon perdeu o ritmo em um mercado em constante transformação. 

Enquanto a Natura irá impulsionar sua presença global com a compra da rival, para a Avon a transação é uma chance de resolver antigos problemas e arrumar a casa. São quase 600 tarefas diferentes de transformação.

Buscapé e Zoom

O grupo sul-africano de mídia e tecnologia Naspers vendeu seu site brasileiro de comparação de preços Buscapé para a rival Zoom em maio. Com essa aquisição, as duas operações atingirão um volume de vendas (GMV) de 5 bilhões de reais em 2019, geradas para mais de 2.000 lojistas clientes. 

O Buscapé foi, durante anos, símbolo de uma nova geração de empreendedores brasileiros. Fundado em 1999 por quatro estudantes, o site sobreviveu ao estouro da bolha da internet em 2000, captou recursos com investidores, tornou-se lucrativo e foi comprado pelo grupo sul-africano Naspers em 2009, na época avaliado em quase 700 milhões de reais.

Porém, no ano seguinte, os problemas começaram. Com o dinheiro injetado pela Naspers, a empresa brasileira comprou 18 startups de diferentes setores, mas passou a dar prejuízo com estrutura inchada e falta de integração entre os negócios.

A Naspers reestruturou o negócio em 2017 para oferecer um marketplace além de comparar os melhores preços. O grupo sul-africano contratou o Citigroup para vender o Buscapé em junho de 2018, como parte de sua estratégia para concentrar seu portfólio em classificados, entrega de comida e startups de tecnologia financeira.

Magazine Luiza: Netshoes e Estante de livros

Em seus planos para abocanhar as novas ondas do comércio eletrônico e expandir além da venda de eletrodomésticos e eletrônicos, o Magazine Luiza investiu em aquisições em 2019.

Depois de uma longa disputa entre a Centauro e o Magazine Luiza, a Netshoes acabou aceitando a proposta de compra pelo Magalu, anunciou a varejista de artigos esportivos em junho. Para além dos valores, a disputa envolve questões sobre a sobrevida da Netshoes, em dificuldades financeiras. A dívida, na casa dos 330 milhões de reais, já foi renegociada diversas vezes.

Outra aquisição foi a Estante Virtual, do Grupo Cultura, que recebeu aval do Cade em dezembro. A Estante Virtual, um marketplace de livros novos e usados, será vendida por meio de processo competitivo no âmbito da recuperação judicial do Grupo Cultura.

A aposta na diversificação do Magalu já aparece em seus números. Se no ano passado eletrônicos, eletrodomésticos e móveis representavam 50% das vendas, hoje essa participação é de 26%. Já moda e beleza são responsáveis por 41% das vendas e outros produtos correspondem a 31%.

Sonae e Aliansce

A administradora de shopping centers Aliansce assinou em junho um acordo de incorporação pela Sonae Sierra Brasil. Segundo as empresas, o negócio marca a criação da maior empresa do país em número de shopping centers sob gestão.

A companhia a ser formada terá 40 shoppings, sendo 29 próprios e 11 administrados. O portfólio será o segundo maior do setor de shopping centers no Brasil em Área Bruta Locável (ABL), com total administrado de aproximadamente 1,4 milhão de metros quadrados e 7 mil lojas.

Google: Looker e Fitbit

A empresa de tecnologia já está acostumada a crescer por meio de aquisições. Em 2019, duas compras se destacaram.

Em junho, o Google fechou um acordo para comprar a Looker Data Sciences por 2,6 bilhões de dólares, aumentando sua oferta para clientes que gerenciam dados em nuvem. A gigante de Internet tenta diminuir a distância em relação às rivais com maior participação de mercado, como Amazon.com e Microsoft. Este é o maior negócio do Google desde 2014, quando a empresa pagou US$ 3,2 bilhões pela Nestl Labs, que fornece soluções inteligentes para o ambiente doméstico.

Em novembro, o Google anunciou a compra da Fitbit, de tecnologia vestível e relógios inteligentes, por 2,1 bilhões de dólares. A gigante da tecnologia corre atrás da Xiaomi, Apple e da Samsung no mercado de rápido crescimento de acessórios pessoais conectados à internet. A Fitbit tem 10% do mercado.

Redes de Fast Food

O mercado de fast food no Brasil ficou mais concentrado em 2019.

A International Meal Company (IMC), anunciou em julho a incorporação da MultiQRS, detentora dos direitos de máster-franquia dos sistemas Pizza Hut, Taco Bell e KFC no Brasil. A IMC é dona das marcas Frango Assado, Viena, Olive Garden, Brunella, entre outros.

A combinação da IMC com os sistemas Pizza Hut e KFC resultará em uma companhia no setor de food service com receita bruta em 2018 de 2,3 bilhões de reais, considerando o faturamento também de franqueados. São mais de 460 pontos de vendas.

Especialista em expansão por meio de franquias, a MultiQRS, do empresário Carlos Wizard Martins e seus filhos Charles Martins e Lincoln Martins planeja estender sua estratégia para a IMC.

Em outro negócio, a controladora das redes Bob’s e Yoggi, a Brazil Fast Food Corporation (BFFC) fechou a compra de 100% da Internacional Restaurantes do Brasil (IRB), maior detentora de franquias da Pizza Hut no país. O grupo já tinha 60% da empresa e adquiriu em setembro os 40% que pertenciam aos demais sócios. A meta é em cinco anos dobrar o total de pontos de venda próprios, para 350.

Passaredo e Map

Uma aquisição colocou uma empresa até então desconhecida entre as mais importantes do aeroporto de Congonhas, em SP. A Passaredo Linhas Aéreas anunciou a aquisição da MAP Linhas Aéreas Ltda.

A operação foi anunciada em agosto, logo depois que a Anac Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) distribuiu os horários de pouso e decolagem (slots) da Avianca Brasil entre a Azul, Passaredo e Map.

Com a transação, a Passaredo passa a realizar 26 operações diárias no aeroporto. As duas companhias aéreas continuam pequenas: são responsáveis por menos de 0,5% do mercado de aviação no país e operam com aeronaves menores que as rivais.

Tiffany e grupo LVMH

Uma aquisição brilhante pode mudar o ranking dos maiores bilionários. A compra da joalheria Tiffany pela LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton coloca o francês Bernard Arnault, dono do conglomerado LVMH, na briga para se tornar o homem mais rico do mundo.

O grupo LVMH anunciou em outubro a compra da rede de joalherias americana por cerca de 16,2 bilhões de dólares. Embora seja uma gigante mundial do luxo, a Tiffany faturou 4,4 bilhões de dólares no ano passado, pouco comparado aos 46,8 bilhões de euros do grupo LVMH (ou 51,9 bilhões de dólares).

O grupo francês é dono de mais de 70 marcas de luxo em diversos segmentos, como jóias, roupas, perfumes e acessórios, e está presente em mais de 4.000 lojas mundo afora, incluindo o segmento de varejo de lojas de luxo, como com as lojas de maquiagem Sephora.

Smart Fit

O fundo de pensão do Canadá CPPIB comprou, em novembro, 12,4% da rede de academias Smart Fit por 1,07 bilhão de reais. O fundo tem mais de 16,4 bilhões de dólares investidos na América Latina, onde investe diretamente desde 2006. Possui em seu portfólio ativos do mercado imobiliário, infraestrutura, dívida e private equity.

A rede de academias chegou a considerar abrir capital, mas, graças aos aportes recebidos, desistiu da ideia. Afinal, não precisava mais de recursos adicionais, segundo reportagem de EXAME de agosto.

Fenômeno de expansão, a Smart Fit está em uma situação financeira delicada. Enquanto de janeiro a setembro de 2018, a rede de academias registrou lucro líquido de 140,6 milhões, no acumulado de 2019, amarga prejuízo de 6,8 milhões de reais, por conta de uma dívida maior e aumento da depreciação em função do maior número de academias próprias, além do impacto da consolidação das operações no México e Colômbia.

Coty e marca da Kyllie Jenner

A empreendedora bilionária Kylie Jenner, da famosa família Kardashian/Jenner, anunciou a venda de uma participação majoritária na sua marca de cosméticos para uma gigante da indústria em novembro.

A Coty, dona de marcas como Risqué, Rimmel, Wella e Monange, pagou em setembro 600 milhões por uma fatia de 51% na startup de beleza de Jenner, a Kylie Cosmetics. O valor avalia a startup em 1,2 bilhão de dólares.

A gigante de beleza, com faturamento de 9 bilhões de dólares, foi fundada em 1904 na França. Para ela, a aquisição irá levá-la para mais perto do público consumidor e a deixará mais jovem e ágil.

Últimas Notícias

Ver mais
O que as lideranças devem ter no radar para 2024, segundo o CEO da Falconi

seloNegócios

O que as lideranças devem ter no radar para 2024, segundo o CEO da Falconi

Há 3 horas

Ela foi empregada doméstica e hoje lidera clínica de tratamento capilar que fatura R$ 6 milhões

seloNegócios

Ela foi empregada doméstica e hoje lidera clínica de tratamento capilar que fatura R$ 6 milhões

Há 5 horas

Após captar R$ 90 milhões, startup de plano de saúde Sami aposta em MEI e numa operação em hospitais

seloNegócios

Após captar R$ 90 milhões, startup de plano de saúde Sami aposta em MEI e numa operação em hospitais

Há 7 horas

Até 60% de redução nos custos: startup de consultórios para médicos Livance levanta R$ 65 milhões

seloNegócios

Até 60% de redução nos custos: startup de consultórios para médicos Livance levanta R$ 65 milhões

Há 9 horas

Continua após a publicidade
icon

Branded contents

Ver mais

Conteúdos de marca produzidos pelo time de EXAME Solutions

O que as lideranças devem ter no radar para 2024, segundo o CEO da Falconi

O que as lideranças devem ter no radar para 2024, segundo o CEO da Falconi

ApexBrasil reúne investidores e governos em fórum no Itamaraty

ApexBrasil reúne investidores e governos em fórum no Itamaraty

Como a Suvinil tem reciclado o resto de tinta que você não usa

Como a Suvinil tem reciclado o resto de tinta que você não usa

Bastidores da produção sustentável do cacau viram série no Globoplay com Rodrigo Hilbert

Bastidores da produção sustentável do cacau viram série no Globoplay com Rodrigo Hilbert

Exame.com

Acompanhe as últimas notícias e atualizações, aqui na Exame.

Leia mais