Ford chama funcionários demitidos para produzir peças de reposição, mas operários não vão

Sindicatos afirmam que a Ford ainda não negociou plano de saída do Brasil

A Ford iniciou na segunda-feira (18) a convocação oficial para que os empregados das fábricas que fecharam no país retornem ao trabalho para produzir peças de reposição, segundo os sindicatos que representam os metalúrgicos das plantas.

As entidades, no entanto, são contra a volta até que a multinacional negocie indenizações e um plano de saída do país.

— A Ford está mandando comunicados, mas a adesão está zero, está tudo parado, ninguém está indo (dar expediente). A fábrica precisou alugar um galpão porque na região de Simões Filho (BA) porque não tinha gente para descarregar mercadorias de 90 caminhoneiros aqui em Camaçari — afirma Julio Bonfim, presidente do Sindicato dos Metalúgricos de Camaçari.

Segundo ele, a multinacional não negociou ainda como será o processo de demissão dos seus empregados nem sentou formalmente com os sindicatos para discutir as rescisões e indenizações.

— Ninguém voltou porque o que a Ford fez foi um tapa na cara, não negociou nada com a gente e pede para a gente retornar ao trabalho? Não dá — afirma Bonfim.

A Ford anunciou na semana passada uma reestruturação que envolve a demissão de cerca de 5.000 funcionários diretos no Brasil e na Argentina.

A maioria dos dispensados está aqui, onde a multinacional vai encerrar a fabricação de veículos. O fornecimento de veículosFord para o Brasil será abastecido por meio de importação, especialmente da Argentina e Uruguai.

A empresa mantinha no país uma fábrica de motores e de transmissão em Taubaté (SP) e uma planta montadora em Camaçari (BA), que já interromperam a produção, além de uma planta da marca Troller em Horizonte (CE), que fecharia no fim do ano.

Trabalhadores participam de assembleia geral com sindicato fora de uma fábrica da Ford Motor Co, depois que a empresa anunciou que fechará suas três fábricas no país, em Taubaté, Brasil, em 12 de janeiro de 2021. REUTERS / Carla Carniel Trabalhadores participam de assembleia geral com sindicato fora de uma fábrica da Ford Motor Co, depois que a empresa anunciou que fechará suas três fábricas no país, em Taubaté, Brasil, em 12 de janeiro de 2021.

Trabalhadores participam de assembleia geral com sindicato fora de uma fábrica da Ford Motor Co, depois que a empresa anunciou que fechará suas três fábricas no país, em Taubaté, Brasil, em 12 de janeiro de 2021. (Carla Carniel/Reuters)

Procurada pela reportagem, a Ford não se manifestou sobre a convocação aos trabalhadores e sobre eventual negociação com sindicatos.

Bonfim e o governador da Bahia, Rui Costa (PT) foram a Brasília nesta terça-feira (19) para visitar as embaixadas de Índia, Coreia do Sul e Japão na busca por oportunidades de investimentos para Camaçari, na tentativa de mitigar as demissões na região.

Segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese), as demissões da Ford no país podem significar uma perda potencial de mais de118.864 mil postos de trabalho, somando empregos diretos, indiretos e induzidos.

 

A perda de massa salarial no país é estimada pelo Dieese em R$ 2,5 bilhões ao ano, considerando os empregos diretos e indiretos perdidos. A entidade também projeta uma queda de arrecadação de impostos de R$ 3 bilhões anuais.

Segundo estudo da entidade, a Ford chegou a empregar 21.800 pessoas em 1980. Em 1990, tinha 17.578 trabalhadores. Nove anos depois, 9.153. Atualmente, segundo a entidade, são 6.171 operários empregados, sendo 4.604 milna unidade de Camaçari (BA), 830 em Taubaté (SP) e 470 em Horizonte (CE).

A montadora está entre as quatromais contempladas por créditos do BNDES, segundo a entidade. Entre 2002 e 2018, a Ford recebeu crédito de R$ 5,5 bilhões do banco estatal.

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Quem está em crise: a Ford ou o Brasil? | EXAME.AGORA #014

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