Faturamento do setor de etanol recua 50% na primeira quinzena de abril

Queda drástica no consumo de combustíveis e nas cotações do petróleo e do açúcar impactam a indústria em um cenário de pandemia do coronavírus

Diante da pandemia do novo coronavírus, o consumo de combustíveis recuou drasticamente. O etanol perdeu competitividade para a gasolina, em um cenário de queda das cotações do petróleo. Com isso, as vendas das empresas de etanol na primeira quinzena de abril cairam 50% em relação ao mesmo período de 2019, informa a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A queda dos preços do açúcar no mercado global piora a situação do setor sucroenergético. Historicamente, quando as cotações do petróleo recuam e a gasolina ganha competitividade sobre o etanol, a indústria se volta para a produção de açúcar. Do contrário, as empresas aceleram os volumes do combustível da cana.

Agora, o cenário de queda do consumo e dos preços, de forma generalizada, impacta fortemente a indústria de cana-de-açúcar.

“O anúncio de medidas emergenciais para o setor é absolutamente urgente e necessário para reduzirmos o risco de colapso das atividades”, diz Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, em nota.

No início de abril, a Unica divulgou carta pedindo apoio ao governo para evitar um “colapso” do setor sucroenergético, diante da forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

Um dos pleitos da entidade é elevar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) da gasolina, paga por litro. A manifestação gerou resistência por parte de Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, que afirmou publicamente que isso poderia impactar a oferta interna de GLP (usado na produção de gás de cozinha).

Segundo a Unica, as unidades produtoras da região Centro-Sul - que representam a maior parte da indústria - comercializaram 799,03 milhões de litros nos primeiros quinze dias de abril. Desse total, as vendas de etanol hidratado no mercado interno somaram 560,48 milhões de litros, queda de 35% sobre igual intervalo do ano passado.

Moagem

Contrastando com a queda das vendas de etanol, a moagem de cana alcançou 22,38 milhões de toneladas na primeira quinzena do mês. Este foi o segundo maior índice histórico para o período.

“Esse resultado mostra o esforço do setor sucroenergético em iniciar a safra, a despeito de todas as dificuldades decorrentes da pandemia do novo coronavírus e da disputa entre os produtores de petróleo”, diz Rodrigues.

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