Família Zema volta a comandar o grupo do governador de Minas Gerais

Romero Zema, irmão do governador Romeu Zema, acumulará a presidência executiva e do conselho da holding que deve faturar R$ 2 bilhões em 2019

São Paulo - Descrita como paraíso hospitaleiro no samba-enredo da Beija-Flor de 1999, Araxá é conhecida pela imponência do Grande Hotel e suas termas de água sulfurosa. Mas, além do roteiro dos turistas que desembarcam todos os dias na cidade mineira de 100 mil habitantes em busca de tranquilidade, o comércio atua como uma espécie de atração local, promovendo um entra-e-sai de pessoas nas lojas de rua. Um dos responsáveis por esse movimento são as varejistas e concessionárias do Grupo Zema, cuja história remonta o ano de 1923 quando Domingos Zema fundou uma pequena autopeças e logo passou a fabricar carroças e alugar carros. Treze anos depois, ele inaugurou o primeiro posto de gasolina de Araxá e, em 1948, abriu uma revenda da marca Studebaker, com ajuda do filho Romeu que assumiu a diretoria comercial. 

Com a morte de Romeu em 1957, em um acidente aéreo, o filho Ricardo passou a trabalhar com o avô no grupo da família e, quando completou 21 anos, assumiu seu controle. Ele foi responsável por ampliar a atuação da holding com a criação das Lojas Zema Eletro em 1976 e, quase 20 anos depois, apoiou o então gerente da divisão de postos, Cézar Chaves, a montar uma distribuidora de combustíveis — que passou a responder por mais da metade do faturamento do grupo. Quando Ricardo deixou o dia a dia da operação e se tornou presidente do conselho, o filho Romeu assumiu a presidência. Foram anos de trabalho até que, aos poucos, foi se afastando do operacional, se desligou totalmente (ficando apenas como acionista) e acabou entrando para a política. Atualmente é governador de Minas Gerais pelo Partido Novo. 

Com isso, Chaves — que entrou para o grupo como frentista — foi alçado à presidência em 2017, depois levar a Zema Petróleo a se tornar 12º maior distribuidor do país, com 340 postos embandeirados. Tornou-se assim o primeiro presidente de fora da família. “A Petróleo passou a responder por 65% do faturamento do grupo”, disse Chaves, durante entrevista em meados de abril, no Grande Hotel. Em 2017, a receita da holding foi de R$ 4,4 bilhões. “Mas percebi que a concorrência ficaria cada vez mais acirrada com a entrada de holdings estrangeiras e com o fato de que as três maiores companhias do país (BR Distribuidora, Raízen e Ipiranga) não podem mais fazer aquisições. Teriam de brigar por preço. Era a hora de vender a operação, enquanto estávamos no auge.” E foi isso que aconteceu.

 

No fim de 2018, o Grupo Zema vendeu a divisão de petróleo para a francesa Total por R$ 500 milhões, segundo fontes de mercado. Desse modo, o faturamento do grupo Zema em 2019 deve voltar para o patamar de R$ 2 bilhões, entretanto, há dinheiro em caixa suficiente para investir na expansão das lojas Eletro Zema para cidades de maior porte (especialmente com até 400 mil habitantes) e no e-commerce. “Estamos fazendo o caminho inverso das grandes varejistas: elas estão buscando as pequenas cidades e nós vamos para as grandes”, afirmou. A ideia é, inclusive, construir um centro de distribuição em São Paulo para facilitar a entrega dos produtos comprados pela internet, ainda neste ano. “Estamos promovendo uma verdadeira transformação digital.”

Os planos, porém, foram suspensos ou, ao menos, mudaram de dono. É que, na sexta-feira, 3, Chaves anunciou sua saída da holding depois de 40 anos de casa. Antes de assumir a presidência, ele chegou a se preparar para a aposentaria, por estar próximo dos 60 anos, que é o limite de idade dos executivos do grupo (regra que não é válida para presidente). Porém, ele teve de antecipar abruptamente seus planos de cuidar dos netos. Romero Zema (irmão do governador) vai acumular o cargo de presidente do conselho com a presidência do grupo. Procurado por EXAME, o grupo confirmou a informação mas não quis dar mais detalhes sobre a mudança no primeiro escalão.

A família então está de volta à operação do grupo do belo recanto de Minas Gerais, desfazendo o movimento de profissionalização. Talvez aqui se aplique à máxima comum nas Minas Gerais: é o olho do dono que engorda o gado. 

 

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