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Ex-CEO da Kopenhagen vira sócia da academia mais cara do Brasil, com mensalidade de R$ 5.400

Renata Vichi entra na SIX como investidora e executiva para acelerar a expansão da rede, que pretende chegar a 15 unidades até 2028

Renata Vichi: ex-CEO da Kopenhagen vira sócia da SIX para acelerar a expansão da rede de academias de luxo (SIX/Divulgação)

Renata Vichi: ex-CEO da Kopenhagen vira sócia da SIX para acelerar a expansão da rede de academias de luxo (SIX/Divulgação)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 10 de setembro de 2026 às 11h27.

Última atualização em 10 de setembro de 2026 às 15h24.

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O mercado de academias aprendeu a crescer com mensalidades baixas, grandes bases de alunos e operações padronizadas. Na outra ponta, começa a ganhar espaço um modelo que limita o número de clientes, investe mais de R$ 20 milhões por endereço e cobra alguns milhares de reais por mês.

É nesse segmento que Renata Vichi, ex-CEO da Kopenhagen, decidiu fazer sua nova aposta. A executiva tornou-se sócia da SIX, rede de academias de luxo que cobra até R$ 5.400 por mês e reúne serviços como concierge, sauna, crioterapia, salão de beleza e rouparia.

A entrada acontece quando a SIX tenta provar que uma operação criada para atender poucas centenas de clientes por unidade pode ganhar escala. Além de investir no negócio, Vichi assume como conselheira e Chief Growth Officer, executiva responsável pela estratégia de crescimento. Sua missão será ajudar a rede a chegar a 15 unidades até 2028.

“Eu conheci a SIX primeiro como cliente e comecei realmente vivendo a experiência. Naturalmente, comecei também a olhar para a SIX com o meu olhar de empresária. Quanto mais eu conhecia os números, o modelo e o potencial do mercado, mais fazia sentido participar não apenas como cliente, mas como investidora e executiva”, afirma Vichi.

A prioridade será expandir a rede sem desmontar a experiência usada para justificar o preço. O plano inclui novas unidades, entrada em outras cidades e a avaliação de aquisições. Curitiba, Balneário Camboriú, Ribeirão Preto e Fortaleza estão entre as regiões no radar para 2027.

O que Renata Vichi fará na academia mais cara do Brasil

A atuação de Vichi vai se concentrar em expansão, marketing, fortalecimento da marca, experiência do cliente, governança e M&A, sigla em inglês para fusões e aquisições.

O tamanho de sua participação e o valor investido não foram divulgados.

Na prática, a executiva levará para a academia parte do repertório acumulado na Kopenhagen. Durante esse período, participou da expansão da operação de cerca de 90 lojas e R$ 38 milhões em faturamento para um grupo com mais de 1.300 pontos das marcas Kopenhagen e Brasil Cacau e receita próxima de R$ 2 bilhões.

Vichi também participou do ciclo que terminou com a venda bilionária do Grupo CRM, dono das duas marcas de chocolates, para a Nestlé. Agora, a experiência com uma marca premium será aplicada a um negócio no qual cada nova operação exige investimentos superiores a R$ 20 milhões.

“Neste primeiro momento, minha principal prioridade é crescimento e expansão com consistência. Não se trata simplesmente de abrir mais unidades, mas de construir uma plataforma capaz de escalar sem perder a excelência e a experiência que diferenciam a SIX”, afirma Vichi.

O desafio está justamente nesse equilíbrio. A SIX sustenta seu posicionamento em fatores difíceis de replicar rapidamente, como atendimento próximo, imóveis em bairros de alta renda e uma estrutura com dezenas de funcionários para atender uma base limitada de alunos.

“Quero trazer muito do aprendizado que acumulei escalando uma marca premium durante décadas: crescer preservando posicionamento, desejo, cultura e qualidade. É isso que transforma crescimento em geração de valor de longo prazo”, afirma.

Como funciona a academia mais cara do Brasil

Fundada em 2024 pelo arquiteto Eilson Studart e pelo médico Leandro Vaz, a SIX foi criada para ocupar um espaço entre a academia tradicional e um clube de bem-estar.

A mensalidade avulsa da unidade da Vila Nova Conceição, em São Paulo, chega a R$ 5.400. Em contratos mais longos, o valor cai. No plano de 15 meses do mesmo endereço, por exemplo, a cobrança fica próxima de R$ 3.900 mensais.

A diferença de preço também depende da cidade, da unidade e do momento em que o contrato é fechado. No Lago Sul, em Brasília, a mensalidade fica próxima de R$ 3.000. Nas unidades em implantação, os primeiros contratos foram vendidos por valores menores durante a pré-venda.

O pacote inclui aparelhos da linha de luxo da italiana Technogym e aulas coletivas, mas boa parte da proposta está fora da área de musculação. Há valet, concierge, salão de beleza, sauna, crioterapia, espaços para recuperação muscular, alimentos, suplementos e serviço de rouparia.

Algumas operações também oferecem quadras de beach tennis, brunch aos finais de semana e apresentações de DJs. A inspiração, segundo os fundadores, veio da hotelaria de luxo.

Cada unidade tem capacidade para cerca de 500 a 600 membros e emprega aproximadamente 70 pessoas. Em horários de maior movimento, a empresa afirma trabalhar com um professor para cada três alunos.

A conta depende de cobrar mais de uma base menor. Enquanto academias de baixo custo matriculam milhares de pessoas, a SIX afirma limitar o número de clientes para preservar o acesso aos equipamentos e aos serviços.

O plano para chegar a 15 unidades

A rede tem cinco academias em funcionamento, distribuídas entre São Paulo, Campinas e Brasília. Outras operações estão em implantação, incluindo Alphaville, na Grande São Paulo, Belo Horizonte e Jardins, na capital paulista.

Com as inaugurações previstas para Alphaville e Belo Horizonte, a companhia deve terminar 2026 com sete endereços abertos. A meta seguinte é alcançar 15 unidades até 2028.

Cada nova academia exige atualmente mais de R$ 20 milhões, considerando obras e equipamentos.

A unidade de Belo Horizonte terá 2.000 metros quadrados, capacidade para 600 alunos e investimento estimado em R$ 20 milhões. A operação de Alphaville também recebeu cerca de R$ 20 milhões e ocupará um rooftop, terraço localizado no topo de um edifício, com 1.500 metros quadrados.

A SIX fechou 2025 com faturamento de R$ 24 milhões. A empresa projeta superar R$ 100 milhões em receita em 2027.

A pré-venda é uma das formas usadas para diminuir o risco. A empresa costuma comercializar cerca de um terço das vagas antes da inauguração e afirma que suas unidades anteriores chegaram à capacidade máxima entre quatro e seis meses depois de abertas.

Para Vichi, o interesse pelo negócio também está ligado à mudança na forma como consumidores de alta renda gastam com saúde, conveniência e longevidade.

“Quando conheci a SIX, enxerguei uma empresa que materializa muito do que acredito para o futuro desse mercado. Ela não entrega apenas uma academia, entrega uma experiência completa, que reúne treino, saúde, conveniência, hospitalidade e qualidade de vida”, afirma.

Além das academias, a companhia criou a SIX Health, plataforma que oferece acompanhamento médico, nutrição, fisioterapia, psicologia e exames. O serviço pode ser contratado separadamente, inclusive por pessoas que não frequentam as unidades.

Com Vichi na sociedade, a SIX ganha uma executiva acostumada a expandir marcas voltadas ao público de alta renda. A dúvida, a partir de agora, é se o padrão de serviço que sustenta uma mensalidade de R$ 5.400 poderá ser replicado em 15 endereços sem elevar ainda mais o custo da operação.

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