Douglas Pena e Guilherme Mauri, da Minha Quitandinha: operações previstas na Flórida e na Califórnia ainda no primeiro semestre deste ano (Divulgação/Divulgação)
Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 11h30.
Cada vez mais presentes em condomínios, escritórios e empresas, os mercados autônomos deixaram de ser novidade, e essa popularização do modelo faz com que a Minha Quitandinha continue expandindo dentro e fora do país.
A fusão com a Onii mudou o ritmo da Minha Quitandinha e abriu caminho para um novo momento da empresa, que não só cresce em receita e número de unidades, como agora dá seus primeiros passos no mercado norte-americano, com operações previstas na Flórida e na Califórnia ainda no primeiro semestre deste ano.
Quando as redes se uniram, em setembro do ano passado, a marca catarinense tinha 400 unidades e a Onii, de São Carlos (SP), 350, formando um grupo com 750 pontos de venda em operação.
O balanço fechado mostrou que o grupo encerrou 2025 com 800 lojas ativas, uma alta de 100% em relação a 2024. As unidades estão presentes em todos os estados, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.A união ampliou a capacidade de desenvolvimento tecnológico do negócio e fortaleceu a atuação no varejo autônomo. O foco da nova companhia é atender diferentes perfis de consumidores em modelos adaptáveis a cada necessidade, que vão de lojas de rua a condomínios, passando por indústrias, hotéis e empresas.
Com a nova estrutura, a operação passou a ser dividida em duas frentes. A Minha Quitandinha ficou responsável pela operação e expansão das unidades, enquanto a Onii concentra esforços no desenvolvimento tecnológico, área em que já é uma das líderes em softwares voltados ao segmento.
A Minha Quitandinha atua com mercados autônomos em condomínios residenciais, empresas, escritórios e indústrias. O modelo funciona por meio de microfranquias, com lojas compactas, operação simples e foco na recorrência de compra.
Nos últimos dois anos, além dos condomínios, a empresa passou a investir com mais intensidade em pontos corporativos, onde o consumo é frequente e o mix de produtos mais enxuto reduz a complexidade da operação para o franqueado.
A empresa foi fundada em 2020 por Douglas Pena e Guilherme Mauri. Douglas é mineiro, natural de Conselheiro Lafaiete, formado em administração, com pós-graduação em vendas e negociação. De São Paulo, Guilherme também é formado em administração e, atualmente, os dois ocupam os cargos de diretor de receita e CEO, respectivamente.
Mauri acumula mais de 18 anos de experiência em consultoria corporativa e já passou por empresas como a KPMG. Antes de fundar a Minha Quitandinha, empreendeu em diferentes setores, incluindo restaurantes e construção civil. Pena, por sua vez, também já havia empreendido e tem mais de dez anos de experiência como empresário no setor de franquias.
Os dois se conheceram em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, durante a pandemia, por meio de um amigo em comum. Em um período de incertezas, decidiram dividir um escritório. Foi nesse convívio diário, trocando ideias após o expediente, que surgiu a ideia de criar um mercado autônomo para testar o modelo na prática.Segundo Pena, o contexto da pandemia ajudou a moldar a empresa. Com as pessoas dentro de casa, fazia sentido levar o mercado para dentro dos condomínios, onde estava concentrada a demanda.
A primeira loja nasceu rapidamente e, em cerca de três meses, já estava em operação. O processo de formatação para franquias levou cerca de um ano.
Ao longo desse caminho, a rede chegou a operar 30 lojas próprias, hoje todas repassadas, para que os fundadores pudessem focar integralmente no suporte ao franqueado.
O investimento inicial para o franqueado gira em torno de R$ 45 mil, incluindo equipamentos, com taxa de franquia de R$ 25 mil e possibilidade de abertura de mais de uma unidade sem novo pagamento da taxa.
Os fundadores da Minha Quitandinha entendem a tecnologia como parte central da experiência de compra. Com a fusão, a empresa passou a concentrar esforços no desenvolvimento de sistemas próprios, evitando soluções terceirizadas comuns no setor.
Os números ajudam a dimensionar esse avanço e colocaram a Minha Quitandinha no ranking EXAME Negócios em Expansão, o maior anuário do empreendedorismo do Brasil. Na edição de 2025, a empresa ficou na posição 33 entre 86 negócios selecionados na categoria de empresas com faturamento entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões.
Ao fim de 2025, a empresa contava com cerca de 800 lojas, sendo 95 delas instaladas em empresas, além de quatro pontos em Dubai e uma unidade em Lisboa, em Portugal. Cada loja faturou, em média, 17% a mais do que no ano anterior.
Para 2026, a projeção é crescer ainda mais. A expectativa é abrir 300 novas unidades e chegar a 1.100 lojas em operação, com faturamento estimado em R$ 170 milhões, o que representa um aumento de 37% no número de lojas e de 70% na receita.
Além disso, a previsão é que o faturamento médio por loja cresça mais 23% este ano.
Ao mesmo tempo, a empresa aposta no aprimoramento tecnológico como a principal novidade de este, com foco em tornar a jornada de compra mais fluida e colocar o cliente no centro das decisões.
Com um mercado ainda pouco explorado, especialmente em condomínios residenciais, a Minha Quitandinha tem espaço para avançar. Isso porque, segundo Pena, o Brasil conta hoje com cerca de 25 mil lojas desse tipo em um universo de 1 milhão de condomínios.O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.
A análise considerou negócios com faturamento anual entre 2 milhões e 600 milhões de reais.
São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.