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‘Esse país não vive mais um ano com juros do jeito que estão’, diz CEO da Chilli Beans

Após crescimento tímido no Brasil em 2025, o empresário Caito Maia aposta no exterior e projeta avanço de 15% na operação internacional, mesmo com os desafios geopolíticos

Caito Maia, fundador e CEO da Chilli Beans: “As empresas estão travadas, os financiamentos estão travados, o consumo está travado” (Leandro Fonseca /Exame)

Caito Maia, fundador e CEO da Chilli Beans: “As empresas estão travadas, os financiamentos estão travados, o consumo está travado” (Leandro Fonseca /Exame)

Publicado em 25 de março de 2026 às 06h00.

Última atualização em 25 de março de 2026 às 11h26.

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“Esse país não vive mais um ano com juros de 15%. Não vive. É gravíssimo o que a gente está vivendo.” A avaliação é de Caito Maia, fundador e CEO da Chilli Beans, ao comentar o cenário econômico brasileiro após um 2025 desafiador para o varejo.

Segundo o executivo, o nível atual de juros trava toda a dinâmica da economia.

“As empresas estão travadas, os financiamentos estão travados, o consumo está travado”, afirma. “Eu espero neste e no próximo ano um país de juros mais baixo. Simples como isso.”

A rede fechou 2025 com faturamento de R$ 1,2 bilhão e crescimento de cerca de 4%, reflexo direto de um ambiente macroeconômico mais restritivo.

Agora, a expectativa é que o avanço venha principalmente do mercado internacional, onde a empresa projeta crescer cerca de 15% neste ano.

A principal aposta é o Caribe, que passa a funcionar como porta de entrada para uma nova fase global da companhia.

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Caribe como nova fronteira

A estreia da marca na República Dominicana marca o início da expansão na região. O plano começa com duas lojas em modelo piloto em junho, mas a ambição é chegar a 20 operações em cinco anos, incluindo mercados como Porto Rico, Barbados e outras ilhas.

O movimento reflete um aprendizado acumulado ao longo de 15 anos de atuação fora do Brasil.

“No começo, a conta não fechava. Hoje a gente descobriu como operar internacionalmente com rentabilidade”, afirma Maia.

Veja também: Marrocos investirá bilhões para a Copa do Mundo e reforça laços com o Brasil, diz embaixador

Os países mais rentáveis para a Chilli Beans

Fora do Brasil, a Chilli Beans está presente em 16 países — com destaque para a Ásia, Oriente Médio e América Latina.

A Indonésia hoje lidera a operação internacional, respondendo por cerca de 25% do negócio fora do país, impulsionada pela combinação de forte fluxo turístico e custos operacionais mais baixos, o que eleva as margens.

Na sequência aparecem o Oriente Médio, responsável por cerca de 25% da operação internacional, e o Peru, que também se destaca pela consistência de resultados.

“A companhia quer estar na América Latina inteira. México, Panamá e Argentina estão no radar de expansão”, diz o CEO.

Apesar do bom desempenho, a região do Oriente Médio enfrenta um momento de pressão por conta dos conflitos.

“Ainda não temos dados, mas os conflitos já impactam diretamente as vendas com o fechamento de shoppings e a redução do fluxo de consumidores”, afirma Maia.

Turismo e formatos mais leves

A estratégia internacional também passa por um reposicionamento dos pontos de venda, com foco em destinos turísticos, como minilojas em resorts, pontos em beach clubs e parques aquáticos e grandes eventos como Rock in Rio.

A ideia é reduzir investimento fixo e aumentar a presença em locais de alto fluxo.

Um dos exemplos dessa estratégia é o “Chilli Moov”, carrinho móvel que funciona como extensão da loja.

Testado no Rock in Rio, o modelo teve desempenho acima do esperado. A empresa agora vai ampliar de duas para seis unidades no evento.

“A gente colocaria uns 30 se o evento deixasse”, diz o CEO.

Crescimento lá fora, cautela no Brasil

Enquanto acelera no exterior, a empresa mantém uma postura mais cautelosa no mercado doméstico.

O plano inclui a abertura de 100 novas lojas no Brasil, mas sem expectativa de forte aceleração, diante de fatores como eleições e Copa do Mundo, que podem afetar o consumo e investimentos.

Além disso, a companhia quer expandir a vertical de ótica e avalia vender uma participação minoritária para financiar esse crescimento.

Mais do que uma análise de negócios, Maia deixa um alerta sobre o ambiente econômico brasileiro. Para ele, sem a redução dos juros, o país seguirá travado.

“Não funciona. Não funciona”, diz.

Sobre a Chilli Beans

A Chilli Beans iniciou suas atividades no final dos anos 90, sob o comando do empresário Caito Maia. Vinte anos depois, se consolida como uma das maiores redes especializada em óculos escuros da América Latina, com mais de 1.000 pontos de venda, incluindo Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Chile, México, Estados Unidos, Portugal, Kuwait e Tailândia.

Tendo o fast fashion como plataforma de negócios, com lançamentos de 10 novos modelos por semana, a Chilli Beans lançou o conceito de ótica self service, que permite ao cliente manusear e experimentar os produtos.

Atualmente, a empresa possui 25% de market share no Brasil e cerca de 200 funcionários no escritório, sem contar o centro de distribuição e lojas.

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