Michele e Marvin Velazquez, ambos com 46 anos e moradores do Condado de Orange, na Califórnia, criaram a The Heart Bandits a partir de uma insatisfação pessoal com o próprio noivado.
O negócio, especializado em planejar pedidos de casamento personalizados, afirma gerar faturamento anual de sete dígitos e organizar cerca de 500 pedidos por ano, além de estimar atuação com 9.000 casais ao longo da trajetória.
A operação chama atenção por uma combinação típica de finanças corporativas em negócios de serviço. Receita recorrente com tíquete médio definido, precificação estruturada, controle de custos fixos e reinvestimento seletivo para sustentar crescimento e competitividade. As informações foram retiradas de CNBC Make It.
A lacuna de mercado que virou produto
Michele, veterana da Força Aérea e com experiência em planejamento de eventos, conheceu Marvin, engenheiro formado pelo MIT, no trabalho. Após dois anos de namoro, ele pediu Michele em casamento em abril de 2010, durante um passeio de barco ao pôr do sol em Marina Del Rey.
“Ele se ajoelhou e me pediu em casamento, e tudo acabou muito rápido”, disse Michele à CNBC Make It. Ela afirma ter ficado feliz, mas contou ao então noivo que o pedido não tinha sido exatamente como imaginava.
Marvin teria relatado que teve dificuldade para planejar algo mais elaborado e comentou que havia poucos recursos disponíveis para homens. A partir daí, surgiu a ideia de criar um serviço que ajudasse outras pessoas a planejar pedidos de casamento.
Poucos meses depois do noivado, os dois lançaram oficialmente a The Heart Bandits.
Aquisição de clientes com custo baixo e foco em mídia
Nos primeiros anos, o casal tocou a empresa paralelamente aos empregos em tempo integral. Para atrair clientes, distribuíram panfletos em estacionamentos locais, transformaram o carro em anúncio com adesivos e divulgaram o serviço em fóruns online, como o Yahoo Answers. Michele afirma que respondia a perguntas do tipo “Como devo pedir em casamento?” e direcionava para o negócio.
O primeiro cliente teria sido um soldado que queria organizar um pedido de casamento virtual em Houston enquanto estava em missão no Afeganistão. Michele e Marvin montaram um projetor em um quarto de hotel cheio de flores para que ele fizesse o pedido à então namorada.
A história foi apresentada ao Houston Chronicle e ganhou cobertura. A partir dali, segundo Michele, mídia passou a ser parte central da estratégia. A cada proposta considerada única ou especialmente atrativa, ela procurava publicações locais para ampliar a visibilidade.
Da execução manual ao modelo escalável
Cerca de três anos após o início, Michele deixou o emprego para focar no crescimento do negócio.
Marvin fez o mesmo em 2015. Antes do nascimento dos dois filhos, o casal viajou com frequência para destinos populares de pedidos de casamento. Hoje, a operação é majoritariamente remota, sustentada por uma rede internacional de fornecedores.
De acordo com Michele, Nova York é o destino mais procurado, seguido de Paris. Eles também relatam já ter planejado pedidos em Porto Rico, Singapura, Austrália, México, Bélgica, Espanha e Holanda.
Precificação, margem e lógica de rentabilidade
A empresa começou cobrando US$ 300 por planejamento. Depois de trabalhar com um consultor de negócios, decidiu elevar preços, decisão descrita por Michele como um divisor de águas para a receita.
Os valores atuais não são divulgados publicamente. Ainda assim, Michele afirma que a empresa cobra uma taxa fixa entre US$ 1.649 e US$ 2.149 para um pedido de casamento personalizado, dependendo do esforço envolvido, além de custos de materiais e fornecedores. Caso essas despesas superem US$ 8.000, ela diz que a empresa cobra 20% do orçamento, em vez de taxa fixa.
A faixa mais baixa atende clientes que já têm a ideia e precisam de execução. A faixa mais alta inclui brainstorming, construção do plano e presença no local para garantir que tudo ocorra como previsto.
Além dos serviços personalizados, o negócio oferece pacotes pré-desenhados, planejamento de encontros e masterclasses de planejamento de pedidos de casamento, ainda que essas frentes representem parcelas menores da operação, segundo Michele.
Estrutura enxuta e reinvestimento para sustentar crescimento
A empresa é operada a partir da casa do casal. Marvin afirma que essa é a vantagem do modelo, já que não se trata de uma operação física com ponto comercial, mantendo custos indiretos baixos.
Documentos analisados pela CNBC Make It indicam que a The Heart Bandits teve receita total de sete dígitos em 2024 e 2025 e registrou lucro bruto na casa de “mid-six-figures” nos dois anos, após pagamento de custos com fornecedores. Parte do lucro costuma ser reinvestida para manter a empresa atualizada, como contratação de criadores de conteúdo para fortalecer presença online.
Demanda guiada por redes sociais e pressão por diferenciação
Michele afirma que os pedidos de casamento iniciais parecem “engraçados” comparados aos atuais. Ela relembra um pedido em que os dois fizeram um piquenique no topo de Hollywood Hills, com placas artesanais, comida e até esforço para afastar formigas.
Segundo ela, o padrão subiu. Hoje, a empresa trabalha com fogos de artifício e passeios de helicóptero. Marvin associa parte dessa transformação ao efeito das redes sociais, que aumentou a busca por pedidos “picture-worthy”, pensados para foto e vídeo, em vez de propostas mais íntimas.
O setor também mudou. Michele relata que, no início, ao procurar fornecedores de casamento para parcerias, muitos riam e diziam que não havia dinheiro nisso. Agora, segundo ela, alguns desses fornecedores passaram a oferecer serviços semelhantes.
Com o aumento da concorrência, o casal aposta no argumento de experiência acumulada. Michele afirma que sabe como reagir quando chove ou quando um guarda-parque pergunta sobre permissões. A principal lição de negócios, segundo ela, foi evoluir com o tempo. Se não acompanhassem as mudanças, teriam ficado para trás.
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