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Empresa por trás da piscina de ondas de SP e do parque Cacau Show investe R$ 50 milhões em expansão

Aos 37 anos, Udiaço amplia operação no Brasil e mira a casa do bilhão em meio à “prova de fogo” do setor

Beyond The Club, em São Paulo: complexo reúne piscina de ondas para surfe, skate, bem-estar e gastronomia; Udiaço forneceu aço para as fundações da piscina (Beyond The Club/Divulgação)

Beyond The Club, em São Paulo: complexo reúne piscina de ondas para surfe, skate, bem-estar e gastronomia; Udiaço forneceu aço para as fundações da piscina (Beyond The Club/Divulgação)

Publicado em 5 de setembro de 2026 às 08h05.

Última atualização em 5 de setembro de 2026 às 10h56.

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Quem olha para uma piscina de ondas ou para um parque temático provavelmente não pensa no aço escondido sob essas construções. Mas é justamente nas fundações de alguns dos projetos que têm chamado atenção no país que está parte do negócio construído pela família Trevizan ao longo das últimas quatro décadas.

A Udiaço, empresa especializada no fornecimento e processamento de aço para a construção civil, participou do fornecimento para a piscina de ondas do Beyond The Club, em São Paulo, e também está presente nas obras do parque da Cacau Show, um dos maiores projetos em desenvolvimento pela fabricante de chocolates.

No caso da piscina, a companhia forneceu aço para as fundações da própria estrutura e de outras construções do complexo, como restaurantes. Já no parque da Cacau Show, o material fornecido pela empresa é utilizado principalmente nas fundações.

Os projetos ajudam a dimensionar uma empresa que começou praticamente do zero em 1989 e agora se prepara para alcançar um novo patamar.

"Faturamos R$ 805 milhões em 2025 e projetamos crescimento de 10% em 2026. Com esse ritmo, estamos estruturados para alcançar R$ 1 bilhão em faturamento nos próximos anos", diz Helio Trevizan, sócio-fundador e diretor comercial.

A marca bilionária seria mais um capítulo de uma trajetória que começou com algumas toneladas de aço, uma carreta emprestada e um pequeno escritório improvisado na região de Osasco, na Grande São Paulo.

A montanha-russa do Cacau Park chega a 55 metros de altura e 120 km/h

A montanha-russa do Cacau Park chega a 55 metros de altura e 120 km/h, em São Paulo (Cacau Park/Divulgação)

De um escritório de madeira ao aço para grandes obras

A história da família Trevizan com o setor começou antes da própria Udiaço.

Helio Trevizan entrou no mercado siderúrgico em 1977. Aos 20 anos, já era gerente de vendas de uma filial da antiga Siderúrgica Conferraz. Passou os anos seguintes trabalhando em distribuidoras e conhecendo o funcionamento do setor.

Em 1989, Hélio decidiu empreender com os dois irmãos.

O começo foi modesto: um escritório que, segundo ele, tinha parte da estrutura feita de blocos e parte de madeira, cerca de duas toneladas de aço e praticamente nenhuma mecanização.

“Não tinha máquina, não tinha guincho, não tinha nada. Tinha uma carreta emprestada por um amigo do meu pai e um caminhão”, diz Trevizan.

O negócio começou com apenas cinco funcionários. Os próprios sócios vendiam, emitiam notas fiscais, carregavam os produtos e faziam entregas.

Hoje, a realidade é outra. A companhia possui quatro unidades, sendo três em São Paulo (em Carapicuíba, São Carlos e Guarujá), e uma no Rio de Janeiro (em Resende), além de uma frota com mais de 200 caminhões e carretas.

Sede da Udiaço em Carapicuíba, São Paulo: cerca de 70% do material adquirido chega em rolos, que depois são industrializados nas unidades da empresa (Udiaço/Divulgação)

Veja também: Cacau Park: quando o parque vai abrir? Investimento de R$ 2 bilhões terá 70 atrações

O corte e dobra virou o principal negócio

Ao longo dos anos, a Udiaço deixou de atuar apenas como uma distribuidora tradicional e avançou sobre a industrialização do aço.

Hoje, seu principal negócio é o chamado corte e dobra. Em vez de simplesmente entregar barras de aço para os canteiros, a companhia recebe o material, processa as peças de acordo com o projeto de cada cliente e entrega o produto praticamente pronto para utilização na obra.

"Cerca de 70% do material adquirido chega em rolos, que depois são industrializados nas unidades da empresa", afirma Hugo Trevizan, diretor de planejamento estratégico da Udiaço.

O modelo reduz etapas dentro dos canteiros e, principalmente, o desperdício de material.

“Nosso projeto é muito sobre demanda. A gente olha o projeto no detalhe de cada cliente”, afirma Hugo.

A construção civil responde pela maior parcela das vendas. Cerca de 70% dos negócios estão ligados ao mercado imobiliário, embora a companhia também atenda projetos industriais e de infraestrutura.

Além da piscina de ondas e do parque da Cacau Show, a empresa fornece aço para empreendimentos como o Parque Global e o Reserva Raposo, em São Paulo. Entre os projetos fora do segmento residencial estão ainda dois hospitais, um em Ribeirão Preto e outro em Santana, na capital paulista, com previsão de aproximadamente 2 mil toneladas de aço em cada obra.

Reserva Raposo: projeto prevê mais de 22 mil moradias e estrutura completa de serviços até 2030 (GRUPO RZK/Divulgação)

Mais de R$ 50 milhões para crescer fora de São Paulo

Um dos movimentos mais recentes da Udiaço foi a expansão para Resende, no Rio de Janeiro.

A nova unidade recebeu investimento superior a R$ 50 milhões e faz parte da estratégia de ampliar o volume processado pela companhia. Nos últimos anos, o grupo também destinou cerca de R$ 60 milhões à compra de máquinas, segundo os executivos.

A expansão geográfica, porém, deve ocorrer de maneira mais cautelosa daqui para frente.

Com os juros elevados e as incertezas econômicas, a família decidiu evitar grandes investimentos adicionais no curto prazo e concentrar esforços na maturação das operações já abertas.

“Primeiro você tem que maturar. Com todos esses juros nas alturas, pensar em investimento não está fácil”, afirma Helio.

A preocupação não significa, porém, que a companhia tenha abandonado seus planos de crescimento.

Veja também: Com R$ 200 milhões, resort em SC terá maior piscina de ondas do Brasil; veja imagens

O caminho para R$ 1 bilhão

A meta do fundador da Udiaço é chegar a marca de R$ 1 bilhão nos próximos anos.

O número, porém, é influenciado por uma particularidade do setor.

“Como o preço do aço oscila, crescimento de receita nem sempre acompanha o avanço do volume vendido”, afirma Hugo que prefere observar a evolução em toneladas para medir o desempenho do negócio.

A queda do preço do aço nos últimos anos, inclusive, atrasou o plano de alcançar a marca bilionária. Segundo o co-fundador, o preço do material recuou cerca de 20% em aproximadamente um ano e meio.

Enquanto busca crescer, a companhia também enfrenta um problema que tem preocupado seus executivos: a inadimplência de clientes.

“Clientes que estavam sem problema nenhum, do nada nós começamos a ter problema”, diz Helio.

O ambiente de juros elevados, segundo o empresário, tem aumentado a cautela nas decisões de investimento e tornado o mercado mais desafiador este ano.

“Com todos esses juros nas alturas, pensar em investimento não está fácil”, afirma Trevizan. Segundo ele, o cenário faz empresários adiarem decisões. “Ninguém quer investir nos próximos 8 meses”.

A segunda geração entra no negócio

O próximo desafio não está apenas no faturamento e na economia. A Udiaço atravessa um processo de sucessão familiar. Quatro integrantes da nova geração já trabalham na companhia, entre eles Hugo Trevizan.

Ao mesmo tempo, a empresa vem investindo em treinamento, governança e profissionalização da gestão para preparar a estrutura necessária para o próximo ciclo de crescimento.

“Hoje, em termos do que a gente tem de estrutura, a gente consegue chegar no que estamos buscando”, afirma Hugo.

Segundo ele, há pouco mais de cinco anos o volume movimentado pela companhia estava próximo da metade do nível atual.

O empresário também atribui parte da longevidade da empresa à retenção dos funcionários. Ele cita como exemplos uma cozinheira que está há 34 anos no grupo e um gerente comercial com 35 anos de casa. Um dos profissionais da área financeira, conta, começou como motoboy.

“Crescemos nesses 37 anos graças a eles”, afirma.

Mesmo passando pela “prova de fogo” do setor, a empresa que começou com uma pequena estrutura, poucas toneladas de aço e trabalho praticamente manual agora mira seu próximo marco: entrar para o grupo das companhias brasileiras com faturamento bilionário.

E parte desse crescimento continuará invisível para quem estiver surfando uma onda artificial ou visitando um parque temático, escondida nas toneladas de aço que sustentam essas construções.

Veja a entrevista completa de Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, ao "De frente com CEO", da EXAME:

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