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Empresa de IA cresce 150% sem investidor e mira dobrar receita em 2026

A AutoU é especializada em projetos de IA sob medida para grandes corporações como Stellantis, B3, Saint-Gobain, Nestlé e L’Oréal

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 10h32.

Última atualização em 24 de fevereiro de 2026 às 11h59.

Sem investidores, dívida ou rodada de venture capital, a AutoU encerrou 2025 com crescimento de 147% na receita, alcançando R$ 4,2 milhões e um valuation que a própria empresa estima entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões.

A companhia carioca se define como uma “arquitetura de IA para ambientes complexos” e diz operar hoje mais de 150 ferramentas digitais em 15 países, impactando 150 mil colaboradores em grupos como Stellantis, B3, Saint-Gobain, Nestlé e L’Oréal.

O negócio está posicionado entre consultorias tradicionais e softwares de prateleira: entra para entender processos, redesenhar fluxos e, a partir daí, construir aplicações próprias de IA — de motores de recomendação a chatbots corporativos.

Segundo a empresa, o faturamento vem crescendo, em média, 75% ao ano desde 2021. A meta para 2026 é dobrar novamente a receita, chegando a R$ 8 milhões.

Quem está por trás?

A história começou em 2020, em plena pandemia, quando Lucas Fernandes Lima e Eduardo Julianelli, então consultores de processos em grandes empresas, decidiram transformar a rotina de “planilhas e sistemas travados” em produto.

O primeiro grande teste veio com a L’Oréal, que contratou a dupla para automatizar a gestão de treinamentos. O resultado foi um aplicativo que montava, com algoritmo próprio, planos de desenvolvimento personalizados para mais de 2.000 colaboradores.

A partir daí, os fundadores deixaram os empregos em consultoria, formalizaram a empresa e seguiram focados em clientes de grande porte, com faturamento acima de R$ 500 milhões.

A tese é que empresas desse porte concentram processos mais fragmentados, maior potencial de ganho com automação — e têm tíquete para bancar projetos de R$ 200 mil a R$ 500 mil, algo pouco viável no médio mercado.

IA sob medida

Para a B3, a AutoU integrou algoritmos de IA aos sistemas da bolsa para analisar centenas de documentos e cadastros em tempo real, checar consistência de informações e apoiar analistas na aprovação ou reprovação de pedidos, além de conversar com clientes por meio de um assistente virtual.

Segundo a AutoU, isso permitiu automatizar a triagem de dezenas de milhares de e-mails e documentos e economizar milhares de horas de trabalho manual, com redução de cerca de 30% nos custos de infraestrutura do processo.

Na Stellantis, a AutoU levou a gamificação para o chão de fábrica. O 'Garagem Stellantis' ensina regras de conduta e segurança a mais de 30 mil funcionários operacionais em forma de jogo de celular: o colaborador monta sua própria garagem virtual com carros da montadora à medida que acerta perguntas e desafios.

A experiência começou no Brasil e foi expandida para mais de 15 países, incluindo Índia, Japão e Austrália. Segundo a empresa, o índice global de compliance da montadora em algumas categorias passou de cerca de 40% para mais de 80% nas unidades em que o game foi implementado.

O que vem por aí?

Para 2026, a AutoU pretende manter o crescimento orgânico, sem abrir mão do modelo bootstrapped, e começar a testar uma expansão internacional, primeiro via multinacionais que já atende em outros países e, depois, com entrada direta na América do Norte.

A disputa, porém, não é simples. A empresa atua em um cruzamento onde concorrem de consultorias tradicionais a equipes internas de TI — estruturas que, em muitos casos, já têm orçamento reservado ou relação de longa data com as companhias.

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