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Empresa de entretenimento se reinventa na pandemia e mira em futuro IPO

Responsável por projetos como os carnavais de rua do Rio de Janeiro e São Paulo, o CarnaRio e o Sertões, empresa olha para 2023 como o ano em que estará em potência máxima

Claudio Romano: Nós estamos criando os fundamentos e as bases para chegar ao mercado e mostrar que dá certo (Dream Factory/Divulgação)

Claudio Romano: Nós estamos criando os fundamentos e as bases para chegar ao mercado e mostrar que dá certo (Dream Factory/Divulgação)

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Marcos Bonfim

24 de outubro de 2022, 10h00

A Dream Factory olha para 2023 como o ano em que finalmente poderá ver a tese de negócios iniciada em 2019 em máxima potência. A empresa atua com eventos proprietários, aqueles construídos pela própria equipe e que coloca no mercado sozinha, e live marketing, ações em que as marcas chegam com pedidos e a Dream desenvolve a partir das demandas.

Com a ambição de crescer os seus projetos proprietários, engendrou uma nova estrutura em que cada projeto é uma vertical e tem uma equipe própria.

E, em paralelo, tem ido ao mercado em busca de oportunidades para chegar em outros segmentos da cultura, esportes e entretenimento onde não atua. Foi nesta toada que, ainda em 2019, comprou o Rally dos Sertões, rebatizado como Sertões, e a ArtRio, feira internacional de arte.

“A gente busca projetos que sejam relevantes no mercado, não necessariamente os líderes, mas que tenham potencial de crescimento”, afirma Claudio Romano, CEO da companhia, responsável por projetos como os carnavais de rua do Rio de Janeiro e São Paulo, o CarnaRio, a Maratona do Rio e o Mano a Mano, feito em parceria com X3M.

Ela pertence ao Grupo Dreamers (antigo Grupo Artplan), holding responsável pelo festival de música Rock In Rio. Nasceu em 2001, inclusive, após o retorno do evento ao Brasil tendo como escopo inicial a execução de grandes projetos. Ao longo do tempo, mudou e começou a se transformar em uma companhia de criação e implementação de experiências de entretenimento para marcas e consumidores finais.

Como todo o setor de entretenimento, a empresa foi fortemente impactada em 2020, o que resultou em um ano de “terror e pânico”, segundo definição de Romano, e a nova linha de negócios não pode ser testada nas condições adequadas.

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Após faturar mais de 100 milhões em 2019, a Dream Factory teve uma queda de 60% em 2020. O sinal azul voltou às contas da empresa em 2021 e deve apresentar um crescimento mais acentuado ao fim de 2022, quando projeta um alta de 60% em relação ao ano passado. Apesar disso, a evolução dos números ainda carrega resquícios dos impactos gerados pelas políticas de restrição sanitária no enfrentamento à pandemia.

De onde virá a receita

“Eu brinco com o time que parece que estamos fazendo isso há quatro anos, mas estamos somente há seis, sete meses”, afirma o executivo. Segundo ele, a expectativa é de que a empresa cresça 30% em relação a 2022 e mantenha uma trajetória constante de alta até 2025. Ele não quis abrir o número do faturamento estimado para este ano.

Para alcançar tais resultados, trabalha com algumas iniciativas. Com projetos maiores e mais consolidados, aposta na transformação para o modelo de plataforma, estratégia permite escalar os negócios. O Sertões, por exemplo, passou a contar neste ano com as versões bike e kitesurf.

A Maratona do Rio, outro ativo da empresa, levará a sua marca para outras cidades do estado e até para outras capitais, criando novas receitas com treinões e corridas menores ao mesmo tempo que gera mais visibilidade para a competição.

Além disso, pretende colocar novas verticais em circulação, como o recém-anunciado festival de música eletrônica, o MNFST, que será realizado em novembro, no Rio de Janeiro, e o Campeonato Brasileiro de Surf, resultado de uma parceira com Confederação Brasileira de Surfe (CBSurf), em 2023. A empresa é a responsável pelo desenvolvimento da estratégia de marketing, negócios e será a detentora dos direitos da competição.

Nesta mesma linha, outro projeto que a Dream tenta viabilizar com a Ambev, parceira de longa data, é a criação de um circuito de carnaval de rua e outro de São João, envolvendo as principais cidades reconhecidas pelas festividades. A proposta é ter um formato similar ao que existe nos rodeios e depende da conquista de licitações junto aos órgãos públicos municipais.

Como faz as aquisições

E há ainda a opção de ampliar as verticais a partir de aquisições. No planejamento estratégico da tese, a empresa estimou que o ideal seria contar com um número entre 40 e 60 projetos, desde gastronômico até off-road, como é o caso do Sertões. Como atualmente tem 25, há um caminho a percorrer e novas compras podem ser a saída.

O financiamento dessa estratégia tem sido com o uso de caixa próprio, afirma Romano, que prevê um IPO da empresa em alguns anos. “Nós estamos criando os fundamentos e as bases para chegar ao mercado e mostrar que dá certo, que o modelo é viável”.

Atualmente, os projetos proprietários representam cerca de 70% do faturamento, montante gerado com arrecadação de inscrições nos eventos e publicidade. Os outros 30% vêm de live marketing, ações criadas especificamente para marcas. Em outros tempos, a balança era mais equilibrada.

Na liderança desde 2018, Romano conta que modelo significa uma “reinvenção total” na trajetória da companhia, por muito tempo conhecida como agência.

“Todo essa mudança de focar e os nossos projetos serem verticais está sendo superpositivo. Os projetos novos estão entregando resultados e todo mundo está feliz. Isso mostra que a tese fica de pé”, afirma o executivo, na companhia desde 2011, após uma trajetória de 11 anos na Sony Music.

Os esforços são acompanhados ainda pela criação de novas estruturas que orbitam o ecossistema de entretenimento. Tem desde negócios que atuam na locação de equipamentos, como grades e arenas, a operação de "venue", com a administração de espaços como a Marina da Glória, no Rio de Janeiro, sob gestão desde dezembro de 2021.

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