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‘Empreender no Brasil exige coragem e disciplina para continuar’, diz fundador do O Boticário

Para Miguel Krigsner, o país não é fácil para quem começa, mas oferece oportunidades para quem constrói relações sólidas e pensa no longo prazo

Miguel Krigsner, fundador do O Boticário: “Empreender exige coragem para assumir riscos, mas maturidade para escolher quais riscos valem a pena” (Leandro Fonseca/Exame)

Miguel Krigsner, fundador do O Boticário: “Empreender exige coragem para assumir riscos, mas maturidade para escolher quais riscos valem a pena” (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 14 de abril de 2026 às 07h54.

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Empreender no Brasil nunca foi simples e, na visão de Miguel Krigsner, fundador do O Boticário, continua sendo um caminho que exige mais do que uma boa ideia.

“Empreender exige coragem para assumir riscos e maturidade para escolher quais riscos valem a pena,” afirma o empresário.

Ao longo de sua trajetória, que começou com uma pequena farmácia de manipulação em Curitiba e deu origem a um dos maiores grupos de beleza do país em 1977, Krigsner aprendeu que o principal desafio não está no início, mas na continuidade.

“Nenhum negócio nasce pronto. E é a cada erro que você aprende,” diz.

Essa disposição para errar e seguir é, para ele, uma das principais diferenças entre quem tenta empreender e quem de fato constrói algo relevante.

Veja também: A essência do empreendedorismo: 3 dicas do fundador do O Boticário para ter sucesso nos negócios

Não existe empreendedorismo sozinho

Outro ponto central é a construção de relações. Para Krigsner, empreender hoje no Brasil passa, necessariamente, por saber trabalhar com outras pessoas.

“Você não faz nada sozinho. Vai se aliando com pessoas ao longo do caminhol,” diz o empresário que comprou os primeiros frascos de perfume do O Boticário com o comunicador Silvio Santos. 

Nesse processo, transparência deixa de ser um valor abstrato e vira condição de sobrevivência.

“Se você não tiver transparência desde o início, não constrói um negócio de futuro.”

Ele defende que empresas sustentáveis são aquelas baseadas em relações de ganha-ganha, em que todos crescem juntos. “Se alguém tenta tirar vantagem, o negócio não se sustenta.”

Mais execução, menos ilusão

Krigsner também faz uma crítica indireta ao glamour que hoje envolve o empreendedorismo.

Para ele, há uma diferença clara entre investir e empreender.

“Tem gente que entra no negócio só pensando no retorno, mas não coloca alma, não cuida das pessoas.”

Essa lógica, comum em modelos mais financeiros, não se aplica ao empreendedor de raiz.

“Empreender é construir, envolver pessoas, ter responsabilidade,” diz o empresário.

A visão conversa com uma crítica recorrente do empresário: o excesso de cópia e a falta de inovação no país.

Longo prazo ainda é o maior diferencial

Se há um erro comum, segundo ele, é a expectativa de retorno rápido.

“Muita gente não aguenta um ano sem tirar dinheiro do negócio.”

Para Krigsner, empreender no Brasil exige visão de longo prazo, algo cada vez mais raro.

“Você precisa ter fôlego para construir. Não existe resultado imediato,” diz Krigsner, que chegou até a vender carros para construir a primeira fábrica em São José dos Pinhais. 

Veja também: Centauro, 45 anos: como uma loja com 4 funcionários de MG virou uma gigante de R$ 4 bilhões

Empreender é, antes de tudo, um compromisso

No fim, a definição de empreendedorismo, para ele, é menos sobre negócio — e mais sobre responsabilidade.

“Empreender é enfrentar desafios, mobilizar pessoas e fazer diferença na sociedade.”

Em um país cheio de obstáculos, de burocracia a instabilidade econômica, o fundador do Boticário afirma que não é um caminho fácil, mas continua sendo um dos mais transformadores.

“Problemas sempre vão existir. O que muda é a forma como você lida com eles.”

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