Em alta na bolsa, Eneva garante papel de destaque na transição energética

Em entrevista à EXAME, o diretor de finanças da companhia falou sobre a importância do gás natural e da oportunidade de aquisições de ativos da Petrobras

Em ano de pandemia, as empresas tiveram dificuldades para sobreviver em meio a restrições e queda brutal da demanda. No setor de energia não foi diferente, mas a brasileira Eneva (ex-MPX, de Eike Batista) conseguiu se destacar principalmente na bolsa brasileira, a B3, onde as ações da companhia subiram 42% no ano. Para curto e médio prazo, a companhia espera continuar ampliando sua atuação e, para o futuro, consolidar seu papel na transição energética do país.

"A Eneva continuará muito forte no negócio de gás natural, com um papel importante na transição energética e descarbonização do sistema no Brasil", afirma Marcelo Habibe, diretor de finanças da companhia, em entrevista à EXAME.

A Eneva, que tem no gás natural o seu core business, acredita que o insumo terá um papel importante no processo de descarbonização das empresas, rumo às melhores práticas de governança ambiental, social e corporativa -- o chamado ESG.

"Muitas empresas estão batendo a nossa porta para buscar soluções de descarbonização das suas operações. Não seremos uma companhia apenas de venda de gás e geração de energia, mas de soluções energéticas."

Um dos exemplos dessa atuação é a substituição do óleo combustível em indústrias que utilizam fornos a gás natural. Além disso, o hidrocarboneto já é utilizado em termelétricas, acionadas quando os reservatórios de água estão em baixa no país para evitar falta de energia. Este processo garante a estabilização do sistema.

Em um cenário de expansão das energias renováveis, como solar e eólica, será preciso garantir oferta de eletricidade para equalizar o problema da intermitência, quando não há sol ou ventos para geração de energia. O gás natural é apontado por especialistas como a melhor fonte para fazer esse trabalho.

"O mundo está mais preocupado com a questão ambiental e o ESG está crescendo de forma exponencial. Em algumas décadas, toda a estabilidade do sistema vai ser provida por baterias e, neste sentido, vamos precisar do gás natural como energia de transição", diz Habibe.

Do interior para o Brasil

Com o crescimento vertiginoso da exploração na camada pré-sal, a oferta de gás natural no país vai avançar de forma significativa. O ministro da Economia Paulo Guedes vem falando do chamado "choque de energia barata", plano para reduzir os custos das empresas com eletricidade, mas isso depende principalmente de altos aportes em infraestrutura de escoamento e distribuição para o interior do país.

A Eneva vai fazer o caminho oposto. A companhia aposta na exploração em campos terrestres (onshore) para distribuir o gás por caminhões e barcaças. "O gás do pré-sal não chega em locais remotos e é aí que está a beleza da Eneva. Vamos chegar onde o pré-sal e gasodutos não chegam", diz Habibe.

Os principais projetos da Eneva, hoje, são o campo do Azulão, no Amazonas, e do Parnaíba, no Maranhão, onde os investimentos atuais somam 3 bilhões de reais. Estes campos devem começar a gerar receita no final do ano, segundo o executivo.

Além disso, no final do ano passado, a companhia adquiriu sete blocos exploratórios no segundo ciclo da oferta permanente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Com isso, a companhia deve começar a operar na Bacia do Paraná, na região do Mato Grosso do Sul, e na Bacia do Solimões, no Amazonas.

Investimentos x endividamento

Habibe afirma que, hoje, a companhia está numa situação confortável de endividamento. Ao final do terceiro trimestre de 2020 (dado mais atual), a relação dívida líquida sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) era de 3,1 vezes. Um parâmetro ideal usado pelo mercado é de 2,5 vezes.

"No final do ano, vamos começar a gerar receita com os campos de Azulão e Parnaíba. Vamos desalavancar a companhia muito rapidamente."

Segundo o executivo, isso permite que a Eneva avalie novas oportunidades de aquisições, principalmente a venda de campos maduros onshore pela Petrobras. Para Habibe, a petroleira estatal só não avançou de forma agressiva nestes desinvestimentos porque há outros ativos maiores em jogo.

"Quando a Petrobras finalmente avançar no seu programa de vendas no segmento onshore, nós já estaremos mais desalavancados para aproveitar as melhores oportunidades. O timing vai ser perfeito", pondera o executivo. "Vamos continuar comprando ativos que tenham alinhamento estratégico com os objetivos da companhia, mas sempre de olho no retorno para o acionista."

Ibovespa

No ano passado, a Eneva passou a integrar o principal índice da B3, o Ibovespa. Isso quer dizer que ao comprar certos tipos de investimentos, fundos colocam automaticamente em sua carteira ativos que compõem o Ibovespa, garantindo um bom volume de negociações para estas empresas.

Neste cenário, os papéis da Eneva acumularam alta de 42% no ano, enquanto o Ibovespa subiu 2,9%. Já o índice do setor elétrico, o qual a companhia também faz parte, subiu 8,12% no ano.

"Tivemos uma performance extraordinária de maneira geral. O mercado percebeu que, apesar da retração econômica e do consumo de energia, a Eneva passou ilesa pela crise", diz Habibe. "Não sofremos na produção, venda ou faturamento com energia."

Segundo ele, o investidor enxerga o potencial da companhia. "Não só passamos ilesos pela pandemia como crescemos na crise." 

 

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