Quando Martin Berry deixou um emprego lucrativo no setor bancário, no fim de 2013, para se dedicar integralmente ao mercado de chá de bolhas, o próprio chefe reagiu dizendo que ele estava “louco”.
Aos 30 e poucos anos, Berry vinha de cargos executivos seniores e dizia ter passado boa parte da carreira “gerenciando balanços patrimoniais multibilionários”.
A mudança, segundo ele, ocorreu porque os altos salários já não traziam satisfação e porque o ambiente corporativo era, na sua visão, mais focado em gestão de riscos do que em assumir riscos. As informações foram retiradas de CNBC Make It.
Da gestão de balanços ao comando de uma expansão global
Berry cresceu na zona rural de Melbourne, na Austrália, e afirma que desde criança tinha interesse por empreendedorismo. Ele cita que encontrava formas de ganhar dinheiro, como trabalhar em fazendas alimentando vacas e vender árvores de Natal.
A carreira corporativa começou cedo. Aos 19 anos, ele conseguiu o primeiro emprego em tempo integral após, segundo seu relato, ter entrado em uma apresentação universitária voltada a graduados e, ao final, oferecer-se para trabalhar de graça para a Hewlett-Packard.
O contato rendeu um estágio de verão e depois um emprego efetivo, que ele conciliou com a universidade, estudando à noite e aos fins de semana.
Na casa dos 30, Berry ocupou cargos de alto nível em escritórios em diferentes países, incluindo Austrália, Londres, Singapura e Coreia do Sul. Após cerca de duas décadas no mundo corporativo, concluiu que queria outro caminho.
O olhar de finanças corporativas sobre um produto simples
O ponto de virada veio no início de 2011, em Singapura. Ao notar uma fila grande em um shopping, Berry entrou por curiosidade e descobriu que se tratava de uma loja da Gong cha, que ganhava popularidade na Ásia. Ele descreveu ter observado sinais que, na prática, funcionam como indicadores operacionais e financeiros.
As bebidas eram rápidas de preparar, as lojas eram pequenas e operavam com equipes enxutas. Para ele, a simplicidade dos ingredientes indicava margens fortes.
Diligência, investimento do próprio bolso e execução
Berry decidiu aprofundar o que viu na fila. Comprou dez bebidas mais vendidas no mesmo dia para provar, passou semanas visitando diferentes lojas para observar fluxo de clientes e então buscou contato com a sede da empresa. Depois de tentativas sem sucesso, voou para Taiwan e foi pessoalmente até a porta da companhia.
O fundador original, Zhen-hua Wu, estava lá. Os dois fecharam um acordo, e Berry se tornou master franqueado da marca.
Para levar a empresa ao quinto mercado, a Coreia do Sul, ele afirma ter investido cerca de US$ 2,5 milhões de suas economias. A decisão de colocar capital próprio no jogo, com risco concentrado, reforça um ponto central de finanças corporativas em empresas em expansão.
A estrutura de capital e o apetite a risco precisam estar alinhados ao modelo operacional e à previsibilidade de retorno.
Escala, presença global e a métrica que sustenta a narrativa
A Gong cha nasceu em 1996, em Taiwan, e antes da chegada de Berry estava presente em apenas quatro países da Ásia. Sob a liderança dele, a marca passou de regional a global, com mais de 2.000 unidades em 30 países.
Segundo documentos revisados pela CNBC Make It, em 2024 a empresa registrou mais de US$ 500 milhões em vendas no sistema, métrica que agrega o desempenho da rede.
Essa evolução está ancorada em decisões típicas de uma agenda de finanças corporativas, como selecionar um modelo replicável, manter a operação enxuta, ampliar mercados com disciplina e garantir que cada nova unidade sustente os mesmos fundamentos econômicos observados no início.
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